domingo, 5 de agosto de 2012

pata-de-gato_116

Uma gata como a Tutulina tem coisas a ensinar sobre relacionamentos. Pra começar, a Tuti não gosta de ser sufocada, apertada demais, não gosta que a peguem no colo de surpresa. É ela que procura colo quando quer. Dormindo sobre as minhas pernas enquanto digito, ela morde meu braço quando o movo demais. Mas é uma mordida leve, nada que me machuque. Os carinhos são um contrato. Ela é que vem à minha mão, ou consente que eu acaricie sua cabeça, fechando os olhos, contraindo as patas, erguendo a cabeça. E aí dá aquela vontade de apertá-la toda, espremer sua cabecinha entre as mãos, chacoalhá-la, tratá-la como um bebê. Mas Tutulina não é um bebê, é uma gata adulta que preza pela liberdade. Se sente o cheiro de outro gato na minha mão, não quer saber de mim. É egoísta, é gata de árvore, gosta de ficar no alto da janela admirando seu território. Sujou minha parede com suas patinhas onde sobe para vigiar e dormir, acabei por promover esses rastinhos a decoração involuntária. Mas quem diz que gato é bicho desleal nunca teve um bom gato ou nunca foi um bom dono. A Tuti está sempre por perto quando a família se reúne. Se estamos na cozinha, ela sobe numa cadeira para cochilar. Se estamos no pátio, seu lugar é a janela. Não é perfeita, não é bicho de pelúcia. Mas está sempre por perto. E nunca dispensa o agrado de uma boa tigela de leite morno.