quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pronomes pessoais oblíquos da 1ª pessoa

"En cada costado llevamos tantos muertos y bajo la piel tantos demonios, que el momento más grave de nuestra vida es ese en el cual luchamos por reír.

Además, ¡resulta tan increíble nuestro aferramiento al amor!"

Roque Dalton
(via Despalabra.)


"Luchando por reír", o que me vêm são vontades de chorar em momentos inapropriados. Até disso tento rir, mas nem sempre é possível. Desabo quando me encontro nas esquinas dos finais de tarde das quartas-feiras, passando pelas paradas, escadas, igrejas e intermináveis concessionárias, pela cuia gigante do Rancho Gaúcho, pela Unimed. Forço um vago "I'm fine", aqui desabo num "I can't take it". Queria explodir uma bomba em algum lugar, como se isso fosse acabar com minhas implosões cinzas. "I'm wrong".

Sinto-me estúpida. Devo ter burrice emocional. Porto-me como uma cria lamentando ter perdido o que sabe que não vai mais achar. Perco a conta de quantas vezes me dou tapas na cara em pensamento, quantas vezes chacoalho meus ombros contra a parede e me dou o "Helloooooooo" que só eu posso me dar. "
Helloooooooo, .A.l.i.n.e.! Who are you crying for? Por acaso não seria por Renan, seria? Pois tenho uma notícia nada nova pra te dar: ele-se-foi. .H.e. .L.e.f.t. .Y.o.u. He's g-o-n-e. Se fué. E não vai voltar. E nem se importa de ter ido! E nem sente muito!!! E sabe de uma coisa? Isso acontece o tempo todo!!! As pessoas terminam relacionamentos ou pedem um 'tempo' que nunca vai acabar, arranjam outra pessoa e esquecem a que passou. Elas esquecem, elas não voltam e nem olham pra trás. E eu sei que tu não lembra, volta e vira a cabeça voluntariamente, mas as tentativas de olhar pra frente não podem morrer, que senão a gente morre por dentro. Sabia que a gente pode morrer por dentro? Pode durar uns bons anos sem vida, sem nem mesmo desconfiar de estar morto. E isso é muito triste, eu tenho medo de morrer assim. E eu, sim, sinto muito, sinto muito em te informar que tu é a única capaz de me ajudar. Como é que eu vou sonhar com um Doutorado sem ti? Como vou fazer mamãe e papai se orgulharem? Como vou assistir aos Simpsons se tiver desaprendido a rir? Concorda? Hein? Hã?... E que tal se agora a gente for estudar um pouco de Linguística? Hein, hein? As provas não vão te deixar tão cedo, babe. Ademais, tu não estudou o suficiente pra prova de Morfologia: não sabemos o resultado, mas temos certeza de que tu errou a análise mórfica de 'dissilábica', e isso não podia ter acontecido. Afinal, como tu não sabia que 'si' é um alomorfe de 'sin', e que, portanto, trata-se de um prefixo? Como?!? Tu me envergonha!!!"

(E aí, eu volto a chacoalhar meus ombros).





sábado, 24 de abril de 2010

Floral, loucura e chocolate

Ando muito ansiosa, autocontrole em baixa. Escrevo tomando meio copo de água com muito floral - e um bom pedaço de chocolate branco. Sonho coisas que me oprimem quando acordo, mas não lembro de nada, e talvez isso seja conveniente.

Procrastinando até a última gota - como sempre -, tenciono estudar quatro coisas diferentes numa só tarde de domingo. O problema é que não vai ser uma tarde de domingo qualquer, vai ser uma tarde de domingo de GREnal! Não me admirarei se acabar estudando só pra prova de segunda, deixando o resto pras noites depois da aula.

Estou muito inquieta, que coisa... Comendo chocolate a essa hora! Minha pele tá horrível, tenho ganas de entrelaçar os dedos nos cabelos e puxá-los até gritar. Não piro mais porque sei que já foi pior, e nessas horas é útil lembrar as velhas dores. Ao final de dois mil e oito, depois que Renan fez tudo aquilo, tinha noites em que a dor por dentro era tão forte que eu chegava a buscar, nas dores de fora, um jeito de não pensar. Cravava as unhas nas pernas até ver estrelas, sentia os dentes marcarem os lábios, escondia o rosto entre os travesseiros e esperava o sono chegar. Punk, né? Mas passou, com a ajuda da APAE. As tardes de trabalho voluntário amenizaram muita coisa, e, desde então, a "Line Loka" aqui não mais se utilizou de autotortura física (a mental continua).

Se não chover amanhã, vou dar um jeito de caminhar, ver se as nuvens se dissipam pela ciclovia. Como diria meu pai, "desse jeito eu não vou até os cento e cinquenta anos"... Minhas olheiras já ficaram grandes demais daqueles tempos pra cá, não preciso que aumentem. Tenho que levantar e seguir, e o primeiro passo consiste em sair deste blog e tentar dormir um pouco.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Chocolate emprestado


olhos fundos e rasos d'agua,
mentirosos, amargos
doces de ilusão,
raiz que arde a fruta
o céu que fica pra trás
a cada amor partido

como a ressaca do mar em lua cheia
que muda quem não é covarde
e cai no abismo da saudade
de um tempo que nunca passou

deixou a pele morena
rosada de prazer
que se tem em iludir
quem nunca poderá voar sem asas
pois já nasceu com os pés
e os olhos
fincados no chão


(Vanessa Fersan)

sábado, 17 de abril de 2010

Vou ali me enforcar num pé de cebola.

Memórias profundas interrompem minha leitura. Pobre Sidney Sheldon, já me pareceu mais atraente... Não que eu consiga abandonar um livro seu, mas naqueles velhos tempos eu não tinha tanto pra lembrar quanto tenho agora.

E o que mais tenho agora, além de lembranças? Uma família pra me amar, uns gatos pra cuidar, umas perspectivas pra sustentar... Um velho transtorno pra controlar, uma melancolia recorrente pra administrar e um amor resignado pra guardar.

Novamente, em "outros tempos", diria ser impossível colocar amor e resignação lado a lado. Mas não é assim mesmo? Até do Nando Reis ouvi, esses dias, uma daquelas músicas que falam sobre aquele amor único que a gente guarda pra alguém... E, mesmo que surja outro alguém que pareça nos fazer capaz de amar, não será o mesmo amor, só uma réplica frustrada daquele primeiro que ficará guardado no mesmo lugar, embalado numa caixinha da cor dos olhos de quem te disse não.

Que piegas isso tudo... Se ouvir ou falar de amor me deixa perigosamente frágil, pior é quando não consigo deixar de pensar em amor, mais precisamente naquele amor interrompido que interrompe minhas sessões com Sidney Sheldon, meus momentos de estudo e meus trabalhos acadêmicos. E aí, eu fico sem saber o que fazer com esse descanso de sábado, pelo qual esperei tanto!...






sábado, 10 de abril de 2010

Ka-ching!

Quem disse que um cartão de débito funcionando não dá barato? E, vamos combinar, é melhor sair comprando por aí do que se permitir entrar em desespero. (Esta é a primeira vez que Renan some de minhas vistas sem que eu vá pesquisá-lo no Google Notícias ou cometer o desastre de tentar ligar). Passei a semana toda cogitando que ele morreu, e isso deixou meu coração apertado, então decidi buscar um pouquinho de felicidade numa tarde consumista.

Levei mamãe - sim, sou filhinha de mamãe, adoro as opiniões de mamãe, e tenho dificuldades em fazer transações comerciais sem ter mamãe ao meu lado -, levei-a de ônibus pra Nóia e batemos perna a tarde toda. Compramos até um tapete emborrachado pro banheiro, que o risco de alguém quebrar a bacia durante o banho já estava ficando iminente.


Há pouco, passei pela sala e ouvi uma daquelas frases de final de novela: "a gente já tem motivo pra ser feliz desde que esteja vivo". Monique diria que isso é Seicho-No-Ie demais, e eu concordaria... Mas tem lá sua ponta de verdade, né? - principalmente quando o "estar vivo" inclui, ao menos, um pouquinho do "ter dinheiro".









A estranha

Sinceramente, se Elton estivesse esperado passar o inverno pra se fazer de louco, não teria me importado. Nós enfrentamos os maiores calorões de Campo Bom, contudo nunca passamos por um mero outono... Que coisa, não? Mas eu fiz a coisa certa, e acho que um pouco é isto que me incomoda: estive certa apenas quando não queria estar.

No mais, estou sentindo faltas demais, eterna crise que não acaba. Tolos sonhos e pensamentos, eles não sabem o que fazem, mas eu não os perdoo. Acho que já deu pra perceber minhas dificuldades com coisas relacionadas a perdão... Tenho um poço corrosivo de rancor por dentro que não consigo vender, trocar ou destruir. Pra completar, hoje eu voltei pra casa num estranho espírito de Carrie... Se existissem poderes telecinéticos, vocês iam ver só.


domingo, 4 de abril de 2010

sobrerenan.blogspot.com

Well,well... This is completely unnapropriate. Mas nunca disse que sou coerente, portanto não se pode contestar minha coerência quanto a ser incoerente... Digamos que não foi só Jesus que ressuscitou (juram todos!) nos corações dos consumidores que lotaram o corredor de chocolates do Big, algumas lembranças dolorosas acabaram por aparecer no fim do dia, justo depois de um post tão contentinho, justo quando ainda tenho um summary pra fazer.

Não consigo pintar Renan de preto e misturá-lo ao fundo de meu blog só porque é Páscoa... Não consigo odiá-lo por completo como se odeia um vilão, justamente porque a maioria dos humanos é humana demais para sê-lo. E em momentos inapropriados - todos são -, eu me lembro de coisas tão distantes e tão simples e tão belas, que não consigo fazer mais que uma cara de débil mental traumatizada...

Não importa como foi o ruim o final, não apaga os momentos bons, e eu tenho dificuldades em me relacionar com eles. Fico arrasada quando lembro que Renan e eu éramos os grandes amigos, éramos os melhores... Que minha fonte no MSN é a dele, que minhas risadas são iguais, que minhas abundantes reticências antes não existiam... Que um dia ele veio até mim, sem sequer ver a foto de um cílio meu, com uma mochila, um cartão de crédito e um casaco fino de moletom em pleno junho de inverno rigoroso, e me deu os abraços que nunca mais encontrei iguais, e os risos e as lágrimas e os carinhos que não consigo esquecer...

Até essa história de lua não é só minha (jura?), nem meu gosto por ironias nasceu por si só, e nem essas origens eu aceito com calma. Nós fomos bons mesmo depois do terremoto, mesmo com os choques que eu levava quando lembrava que as coisas não eram mais as mesmas. Não tem outro alguém que quereria a todo custo ter pago a minha conta de telefone absurda de dezembro só pra eu não ficar aborrecida... Não tem mais ninguém com quem eu me sinta tão à vontade pra falar as coisas idiotas e insignificantes que aconteceram no meu dia... E eu não vou mais receber aquela ligação religiosa de aniversário, num sotaque paulista-caipira pausado de quem digita muito mais rápido do que fala.

É difícil não sentir falta de quem nos conhece tanto, e é mais ainda tentar achar um equilíbrio com tantos sentimentos opostos... O que mudou é que, se em outros tempos eu voltava correndo lhe falar, o excesso de choques acabou por me deixar incapaz de fazê-lo novamente. Invejo-o, invejo-o terrivelmente porque ele há muito superou tudo, e às vezes parece que eu o odeio, e aí me odeio por odiá-lo porque é um sinal de que não deixei de amá-lo, porque não sei ser simplesmente indiferente. É isso, eu não sei... Tento aclarar as coisas pra buscar soluções, mas o nebuloso da mente não fica menos nebuloso no papel, certo? Que coisa... Pergunto-me se um dia esse blog deixará de repetir tanto o seu nome, se um dia vou deixar de sentir tanto sua falta...


Happy Easter!

É Páscoa! Como ficar tristinha diante de tanto chocolate guardado no armário e uma deliciosa chuvinha fria na janela? Só posso lamentar que, mesmo estando demitida, amanhã vou ter que trabalhar, caraleo!


É claro que minhas raivinhas continuam aqui, e não gosto disso. Impotência é uma merda, certo? Mas hoje até as merdas da minha vida, lembrando a cor marrom, acabam por me remeter aos chocolates do meu armário. Este ano, comprei chocolate até pra mim... Quem disse que não mereço me dar presentes? Os tempos têm sido sentimentalmente difíceis, mas tenho me ajudado a manter o equilíbrio necessário pra não desanimar. Sim, eu mereço um chocolatinho!...

E esta é a primeira Páscoa do Blog, que emoção! Para comemorar, trago uma das minhas cenas favoritas do meu cartoon favorito (não achei essa parte em lugar algum, mas consegui editar o vídeo não sei como): Homer, na Terra da Chocolata, onde tudo é de chocolata, espanta-se ao encontrar uma loja com chocolata pela metade do preço! Só mesmo nos Simpsons.