quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Fail

Passei o dia todo em Porto ontem, fazendo um minicurso de substituição tributária. Foi bom, mas não é preciso ser do ramo pra perceber que oito horas semi-diretas ouvindo sobre tributação de ICMS não é nada light. Descobri que meu trabalho tem muito mais de legislação do que eu já imaginava, que eu precisaria de outros cursos como esse - mas vou ficar só precisando - e que deve ser muito mais prazeroso fazer sabendo do que continuar boiando mesmo depois de muito ter feito.

A uma hora de viagem até aqui simplesmente dobrou no engarrafamento, e cheguei com um cansaço enorme da maratona mental. Dormi muito cedo, como tem acontecido com frequência. Quero só ver quando as aulas começarem, pobre relógio biológico... Na verdade, eu já deveria entrar fevereiro adentro indo dormir à uma e meia da manhã.



Ando meio triste comigo, com meus descontroles. Coisa chata quando o emocional não ajuda, viro alvo fácil da minha própria decepção. Nos últimos tempos, cometi o grande erro de dar vazão a meus extremos. Aline demais. E, expondo todos os meus impulsos, só o que ouvi foi o mesmo "controle-se" dito de várias formas diferentes, dos quatro cantos, enquanto eu tombava no centro do meu próprio vórtex. E agora? Como posso olhar pra algum lugar ao redor, se continuo a mesma? Estou desanimada demais pra pensar em consertar, conter ou fingir seja lá o que for. Sei que nem minha maior mudança seria suficiente pra mudar tudo. E é por isso que, no momento, resolvi desistir de mim.
Tento novamente mais tarde.


sábado, 23 de janeiro de 2010

Omissão

O que me fez rir neste sábado? A hashtag #SoniaAbraoFacts do Twitter. De resto, acordei cedo demais e fui caminhar na ciclovia, ganhei a primeira afta da fase aparelho - e já sei que vai demorar mais a sarar - fiz uma faxina legal em alguns pontos do quarto, conversei com meus botões que nem tenho, dissolvi frases ressentidas em choro debaixo do chuveiro. Mais ou menos isso.

Nem eu sei quantas coisas já ensaiei pra dizer e não digo... Palavras de alto risco, definitivas demais. E como um de meus traumas decorre justamente de ter escolhido a pior sentença na hora errada, prefiro guardar tudo, mais do que nunca. Até porque jamais vou ter certeza de hora certa mesmo...

Certos fatos do passado me deixaram com tanto medo de perder o mais importante que, hoje, me submeto ao meu próprio silêncio. Sempre penso que o ruim pode piorar, então calo. Mais do que de expôr minhas conclusões, tenho medo de ouvir que estou certa. Tenho um pavor terrível só de cogitar não escutar nenhum protesto, nenhum "mas", nenhum "fique". E sim, detesto temer respostas de perguntas decisivas na minha vida.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Chatonilda

Tem gente demais na casa. Sou meio chata com essa coisa de visita: se fica uma semana ou vem várias vezes ao dia, já começo a intolerar um pouco. E se senta ao meu lugar na mesa, eu peço que troque; se quer tomar banho no meu horário, não cedo e vou primeiro; se puxa muito assunto, respondo numa sílaba e nem olho. O ápice é quando começo a citar Quintana quando disse que preferia as coisas às pessoas.

Penso que tenho um pouco de cientista louco e artista falido que infla o ego na extravagância. É claro que minhas fórmulas não têm muito sentido, e minhas obras requerem explicações que não sei dar. E hoje eu queria tentar ver Marte, mas as nuvens não deixam... Até a lua elas escondem, enquanto o Grêmio ganha, o MSN fede e a Tutulina caça lagartixas.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Growing Pains

My heart, it melts like plastic
I fell through the hole yesterday...
Your smile pulled me in like elastic
I felt my mind detonate...

Oh, I make mistakes
And you just say it's growing pains..
When I feel ashamed
You tell me it's just growing pains..

We broke in two like a matchstick
It burns in my soul every day
Every day...
Your world was to me so fantastic
And hell seemed so far away
Far away...

Oh, I've made mistakes
And you just say it's growing pains...
When I feel ashamed
You tell me it's just growing pains...
When I'm crying out for change
You tell me it's just growing pains...
And Oh, I've made mistakes
And yes I know it's growing pains...

The truth it feels like concrete
I drove into its walls yesterday...
I wish I could be realistic
But like children
My dreams run away...

I know I've made mistakes
You say it's growing pains...
And when I feel ashamed
You say it's growing pains...
When I'm crying out for change
You say it's growing pains...
I know I made mistakes
And I know it's growing pains...


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Loser

Mudanças doem como velhas feridas reabertas em carne viva.
Mudanças viram perdas irreparáveis quando envolvem o que de mais intenso carregamos conosco.


...Por que eu tenho que perder tanta coisa?!? Até minhas lembranças estão indo! Meu leste de lua nascente de repente virou um inverno finlandês sem luz natural... Brilha apenas um outdoor escroto, vermelho sarcástico pintando "Coca-Cola". E, pela primeira vez, não é o melhor dos convites.

Acho que me bateu algum tipo de esgotamento mental... Só quero fechar os olhos e não pensar em mais nada.


Post escrito à mão



"Coisa estranha... Há muito que não falava de mim em um manuscrito. Minha letra continua péssima, meus a's e o's se confundem, meu 'u' e meu 'n' somem em linhas onduladas. Quase um código torto.

Precisava entrar na internet agora (tudo bem, quando é que eu diria que não?)... Mas hoje seria realmente bom que as quatro luzinhas do modem me dessem um sorriso verde. Parece que certas coisas esperam o pior momento pra acontecerem.

Amanhã volto à papinha, graças aos separadores. Provavelmente, vai dar vontade de comer xis e churrasco, vou ficar com fome e a imunidade do bom humor vai cair à noite. Paciência.


Falando nisso, espero pela internet parada em frente ao monitor, há cerca de meia hora. Até joguei Pinball, perdi rápido demais... Deu saudade das tardes desocupadas de adolescente. Eu estou no meu último ano 'teen', e o tempo passa assustadoramente. Ainda tenho tanto medo de errar quanto tinha naqueles ditados de primeira série, a diferença é que a nota dez está muito longe.


E se de calor e dor de dente será o amanhã, é melhor tentar dormir... Cheia de pontos de interrogação na cabeça desgrenhada. Eu odeio mudanças. Poderia ser perfeita se não fosse um ser instável andando entre instabilidades. Assim como sento sempre no mesmo lugar à mesa, uso a mesma caneca e percorro os mesmos trajetos, queria que certas coisas se mantivessem sempre iguais... Mas elas mudam, e a cada mudança, fica a 'teen' boba aqui esperando, sem saber se vai ou se fica, sentindo apenas que o que mais queria era voltar, mas não dá".


Aline, 18/01/2010.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Pracinha


Certa vez, disse Meu Imaginação que eu não precisava me preocupar em escrever todos os dias, que forçar isso seria como comer chocolate sem vontade. Assenti plenamente. E volto hoje, com vontade mas sem assunto, coisas de alma gorda indecisa que está o tempo todo buscando algo pra devorar, mas que nem sempre sabe qual será a próxima guloseima. (Aqui incluo livros, filmes, risadas, companhias e momentos doces do meu caminho chocolático).

E já que o escrever basta pra lembrar, parênteses me lembram coisas boas, e reticências também... E essas coisinhas bobas, esses sentidos secretos me fazem sorrir. Eu sento no meu colo e me conto tudinho, remôo, confesso, reafirmo, reflito, suspiro... E depois saio pra brincar, fardo fútil levado ao vento, ao menos por esses tempos. Não tô pra adulta amargurada, não combina com meu esmalte vermelho e minha camiseta do AC/DC. Prefiro as gangorras de lembranças, os balanços de desejos, a relva brilhante e o gostinho de paz. Prefiro os chocolates sólidos que o tempo só faz ficarem mais cremosos... Meu coração pulsa e degusta.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tutulininhos

Estão por todo lado. Ora na sala, ora no banheiro, ou em cima do rádio da cozinha. A Tutulina se estressa por não mais conseguir controlá-los, resmunga pra cá, pega um pelo pescoço e leva pra lá, resmunga de novo. Prendê-los nem pensar, ela não deixa. Estão aprendendo a comer aos poucos, mas ainda mamam muito, brigam por teta às unhadas e a coitadinha da mãe sofre. Estão todos bem gordinhos. E tão bonitinhos!...

Queria poder ficar com eles, virar a louca dos gatos de vez, mas não é muito fácil ser mãe de sete filhos hoje em dia, ainda mais pra quem mal fica em casa. O problema é que também não está sendo fácil encontrar quem queira adotar um felino... E aí não posso deixar de confessar que queria muito poder disparar um "pois-é-não-deu-fazer-o-quê-vamos-ficar-com-eles?" e encerrar essa história de ficar implorando pra que alguém queira torná-los parte de sua vida.

E depois dizem que dinheiro não traz felicidade... Se meu coração e meu bolso tivessem o mesmo tamanho, teria muito menos o que lamentar.


domingo, 3 de janeiro de 2010

"And I'm on my way to believing"...

31 de dezembro. Rodoviária fechada e vazia, e eu esperando o último Citral pra Porto Alegre. O ônibus chegou, entrei e liguei o MP4, como de costume. Uma música da GaGa, barulho de fogos antecipados ao longe, céu límpido... E lágrimas! De repente, sem aviso interno, comecei a chorar como um bebê, sem poder me conter, atônita. Estaria o ano inteiro caindo sobre minha cabeça? Não, a resposta era muito mais simples: foi meu primeiro Reveillón longe da família, e isso me afetou de tal forma que me vi completamente emocionada, e me veio uma saudade intensa como se eu fosse pra muito longe, uma ternura perplexa de quem se dá conta de onde está e sempre estará o seu porto mais seguro. Chorei de amor por eles. Mandei um torpedo singelo - "Feliz Ano-Novo. Amo vocês" - e sequei as lágrimas. Chorei de novo quando passei na frente da Unisinos. Conferi a maquiagem no espelho, aumentei o volume do som e segui viagem.

Elton estava me esperando, pegamos um táxi até a Usina do Gasômetro. Brindamos ao Ano-Novo com Jair Rodrigues, fogos, beijos e chuva de espumante barato. Voltamos pra casa de ônibus lotado, carregando um litrão de Coca gelada.

Ganhei meu presente de Natal atrasado: o segundo livro do Natal Augusto Dornelles, Mosqueteiros Tricolores - o primeiro eu já tinha, autografado - e outro do Içami Tiba, Família de Alta Performance (conta o Elton que não prestou atenção nas letras garrafais do título e só leu o subtítulo, "conceitos contemporâneos na educação", não se dando conta de que o foco da obra é educação familiar. Mas já comecei a lê-lo, e o livro é interessante pra qualquer pessoa que viva em família). Adorei os presentes e o cartãozinho.

Acordamos tarde, comemos massa, caminhamos pela Redenção, rodamos a cidade atrás de um shopping aberto até chegar ao Praia de Belas. Tentamos pegar um ursinho naquelas maquininhas de moeda, mas não deu certo. Elton jogou o Fifa 2009 e perdeu de um a zero. Fizemos tão feio no Guitar Hero que eu agradeci por ser feriado e ter pouca gente ali. Como maus perdedores, desistimos de brincar e fomos ver Avatar. Eu até que queria jogar Guitar Hero de novo, mas ele não quer voltar lá nunca mais. Ainda assim - e por isso mesmo - foi bem divertido.

O sábado passou rápido, mal deu tempo de eu ser achincalhada por lambuzar até o focinho comendo cachorro quente, e depois correr pra pegar o ônibus das duas. Cheguei a tempo, liguei o MP4, reabri o pacote de presente, peguei o cartãozinho e li, mais uma vez, as simples palavras. Te amo sempre. Um coração desenhado, e o nome abaixo, em letra cursiva. Elton. E eu pensei um monte de coisas. Pensei no abismo de um ano atrás, nas promessas quebradas, nas palavras perdidas... Pensei que cheguei a pensar que nunca me recuperaria, que a dor me consumiria silenciosamente, que derrotas eram pra sempre. Mal sabia eu que ainda havia muitas coisas a descobrir...

E eu descobri que, se uma última chance não me foi dada alguma vez, não significou que não haveria mais chances. Que o Acaso não joga pra um lado só, que o tempo às vezes fica apenas esperando que eu me levante e ande, mesmo cambaleando um pouco. Que o ato de perdoar começa pelo perdão a mim mesma, que sou tão capaz de errar quanto de aprender com os próprios erros. Que eu também posso me dar chances. Que essa vida é tão dinâmica a ponto de o pensar muitas vezes já ser o sentir, mesmo que não se note. Por conseguinte, quando cogitei me dar uma chance, já estava me dando... Quando pensei em voltar a ter esperanças, já estava tendo... E quando percebi que seria capaz de amar de novo, já estava amando.