domingo, 8 de janeiro de 2012

Lengalengas

 

 

Renan não tem aparecido no msn como antes. O motivo pode ser mil coisas, desde resolução de ano novo até troca de turno de trabalho ou algum acontecimento que não me diz respeito. Vamos (tentar) parar de pensar que toda e qualquer mudança tem relação comigo, e aceitar que nem sempre tenho o direito de encher o saco. Pra isso tenho o blog, pra reclamar, desabafar, organizar os mimimis. Foi até conselho da minha melhor professora de linguística e didática de Coimbra e do universo: se têm algo a reclamar, seja o que for, façam-no por escrito. Isso ajuda a desenvolver uma boa escrita, que é uma questão de treino, e também os fará ver os fatos de modo mais concreto.

É como se eu escrevesse cartas que nunca vou mandar, que são compartilhadas com alguns, e que quem sabe um dia voltem a ser relidas por mim aos risos (ou aos prantos, sei lá). Agora vamos começar a falar de coisa chata, vamos falar da minha rotina. Eu gosto de rotinas. Até quarta-feira, quando recomeçar o mini-curso de francês, o tempo vai ser gasto quase da mesma maneira. Meu café da manhã é sagrado como mamãe ensinou, seja às 9 ou ao meio-dia. É a minha refeição mais saudável, quem sabe uma tentativa de purgar os pecados calóricos das horas seguintes. Faço minhas refeições no quarto, volto pra internet ou pros livros (mais pro primeiro que pro segundo), adio os últimos compromissos do semestre.

Como alma gorda que sou, já acordo planejando as refeições do dia, procurando receitas mirabolantes no Tudo Gostoso ou no Cybercook ou na Recepédia ou num blog de dona de casa que posta os pratos aprovados pelo marido e filhinhos, e volto à cozinha torcendo para que meus housemates tenham lavado a panela que quero usar. Ontem foi dia de fracasso culinário, botei água demais nos quindins e tentei fazer batata suíça numa frigideira que de antiaderente não tem nem o cabo. Acontece.

Meu quarto está arrumado, de embolada só tem a minha cama e a minha cara, passo o dia de pijama, ponho um casaco e passeio pela Baixa no fim da tarde. Raramente falo com gente ao vivo, a não ser com a caixa do Pingo Doce. Da minha outra housemate nem preciso comentar, o Dani tem horários diferentes, e nem com ele criei aberturas a ponto de poder conversar sobre o que escrevo. E assim, sinto que poderia passar dias e dias sem falar com ninguém, sei lá até que ponto isso é normal, nem me interessa saber.

O horário de recebimento de mensagens fica entre as 4 e as 5 da manhã, olha se não é um estudante da tradicionalíssima UC buscando distrações de fim de festa. Não posso me parar de ofendida, é o tipo que encontrei por aí, um pouco é azar porque todos sempre parecem muito queridinhos no início; um pouco é sorte porque seria difícil ir embora deixando alguém que realmente prezasse pela minha companhia; um pouco é escolha, e também posso escolher ignorá-los, como de fato ando fazendo. Aparentemente, evoluí um pouco nos draminhas de foreveralonice, isto é, as lengalengas são as mesmas, mas sem o chororô desesperado dos velhos tempos.

O mesmo não se aplica ao Renan, mas essa história é velha, vocês sabem. Não é porque as nossas conversas me fazem bem que ele estará sempre à volta. Talvez seja realmente sorte só encontrar esses canalhinhas por aí, meu cronograma ficaria meio apertado se eu tivesse mais uma alma por quem sentir saudades mais que sexuais, nada práticas e nada dissipáveis, sempre urgentes. Ter de lamentar o dobro no blog, imagina! Quem sabe fazer um post pra cada um… Eu não escrevo tão mal assim pra ter tanto o que praticar.

 

 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cyberstalking

 

Pesquiso o Renan no Google quando ele não aparece e eu não tenho mais coisas bobas pra dizer em off. As entradas encontradas são geralmente velhas, de 2005, a não ser as relacionadas ao seu trabalho. Tem uma lista do Ensino Médio mostrando seu RG e notas baixas, e esses dias descobri outras duas entradas referentes a uma petição online que ele assinou há sete anos atrás, contra testes em animais. “Chega dessa palhaçada”, escreveu ele. E eu rio e sorrio. Acho que o nome disso é ternura. E é um pouco de loucura também.

Sem título

Não suporto a ideia de não ter notícias, talvez perca um pouco as medidas nas mensagens. Até quando estou viajando mando alguma coisa atrapalhada nos teclados estrangeiros de hostel. Xingo-o secretamente porque não é muito de mandar emails. Não é mais, porque trocávamos emails gigantíssimos antigamente. Ou não é mais justamente porque os emails gigantíssimos eram trocados antigamente. E eu choro só de pensar que me despedaçaria toda em milhentos de caquinhos orgânicos se um dia ele não aparecesse mais.

 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Reveillón a la Line

 

DSC05025Nada mais requintado que copos de vidro coloridos cheios de frutas deliciosas ao longo de seu perímetro.

 

Na verdade, o que eu estava assistindo exatamente à meia-noite era um vídeo de maquiagem, e me dei conta de que preciso comprar um rímel, um delineador líquido e uma sombra novos o mais rápido possível. A lentilha fui eu que fiz, tava uma delícia, o Dani também comeu antes de sair. Como a minha housemate e colega de viagem de Londres tinha comprado bebidas com ele, descartei a possibilidade de ir junto – não é por não valorizar reuniões de fim de ano que precisava terminar o último dia de dezembro em tão má companhia.

Os chocolates que parecem negrinhos são trufas, seriam negrinhos sofisticados do Pingo Doce, mas não melhores que o clássico dos aniversários brasileiros. E uma coisa boa que vou guardar dos dois fins de ano passados em Coimbra é o fato de os vizinhos não conhecerem ou não apreciarem o lançamento de rojões fuleiros ou foguetes peido-de-velha desde as seis da tarde e para além da madrugada. Acho digno.

Feliz Ano Novo.