segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Damned


Campo Bom, sala de psicoterapia. Joguei o café com leite pela janela porque não tinha frios, dizia eu. Grande merda. Essa síndrome de final de ano ainda acaba comigo. Se eu ficar velha e adoecer num final de ano, adeus Aline. E o pior é que hoje eu queria poder ligar pra Dra. Daniela e contar umas coisas.

Ô menina, para com esse choredo. Seu Camões queria tua atenção para ler sua história. Grande Camões-Caolho, Sr. Grandeza, morreu um lixo, de quê adiantou. Consola-te dedicar tanto do meu tempo a ti, Sr. Exemplo? Sr. Evasão. Duas pílulas de um canto teu e adormeço no mesmo instante.

Merda. Fim de ano não tem pílula dourada. As pessoas estão onde estão, e era isso. E às vezes o Renan é tão cruel, mas eu preciso parar com essas fábulas, as pessoas não são cruéis, são humanas. Se eu não fosse humana, não teria a torpidez de chorar essas coisas.


Tem noites que nem com chocolate, nem chocolate.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sordid


"Things change", como diria Roberta Close. E o tempo voa e não quer nem saber.

Acho que seria melhor colocar isso no final, mas enfim... Deixemos reinar alguma paródia de post-modernidade literária neste humilde blog de meras conjeturas jogadas à Aldeia Freeware, pincelemos uma metaficção pixelada.

Três cadeiras já encerrei, de uma já sei o resultado. Aliás a mais difícil, Literatura Portuguesa 2. Nem deu pra pensar em fazer bonito, que nessas a aprovação já está de bom tamanho. O calendário de exames em janeiro acabou de sair do forno, se tudo der certo estarei livre na terceira semana. E se Deus quiser a Karen vai se mudar no mês que vem, aí as coisas ficarão mais confortáveis aqui em casa. Amanhã preciso ir ao mercado comprar miojo e chocolate.

"Things change", diria Ricky Martin. For the good and the bad.

Quem é esse Renan do jardim que está sempre indo embora? Um "nice" opaco e fechado, um game de tiro às bolhas coloridas, um aquecedor dourado ligado, o pai falando sobre imposto de renda no Skype. E este post parece um emaranhado de nada. E o meu primo que traiu a mulher e descolou o filho que ela nunca pôde lhe dar? E o gordo e nojento perdão que ela lhe pariu? E não é mesmo sórdido este mundo? E o Renan que foi embora, mas não é que ele sempre foi embora, ele gosta mesmo de ir-se. Fiquei eu nas gares como o Quintana, com um café sem cigarro, uma casca de ferida no queixo, um amargo no piloro.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hambúrguer, miojo e chocolate

Tenho dor de cabeça toda vez que subo as ladeiras e aspiro aquele ar frio seco e gelado que parece insuficiente aos pulmões. Sabe aquela ideia de que é bem melhor fazer exercício no frio? Não nessas condições.

O aquecedor fica ligado a noite toda e foda-se a conta de luz. Preciso dar um jeito na minha bagunça antes de voltar ao Saramago. O Dani fez uma comida boa pra nós, comemos arroz com bife acebolado. Depois vi Dexter, depois um programa sobre os maiores escândalos sexuais da história, depois vi E.T. (sim, esse E.T.!), que até hoje não tinha visto. A gente tem TV a cabo e fica vendo filme velho de Sessão da Tarde. Semana passada, fizemos uma pipoca e demos risada à beça com Do que as Mulheres Gostam.

Essas aí são as compras do dia, essenciais para a sobrevivência de qualquer estudante com muita preguiça e pouca (ou nada de) habilidade na cozinha. Aí aparecem só as coisas individuais, a maior parte da comida eu divido com o Dani e o Gui, como pão, leite, frios, margarina, maionese-ketchup-mostarda, pizzas, muffins, batatas e doces diversos. Ouvimos falar que o pessoal anda comendo aqueles feijões de lata e que são bons, tô pensando em experimentar. O que não achei por aqui foi o nosso delicioso mumu, até peguei umas receitas na net pra fazer, mas só de pensar em encostar a barriga no fogão mexendo uma panela por duas horas, já me contento com um chocolatinho.

E era isso, agora vou ver se ajeito meus aposentos. Começa mais um finde, sair ou estudar, eis a questão. Ou os dois, já que estudar tá no programa de qualquer jeito. Ou comemorar, porque a Karen não estará em casa. Karen é uma infantiloide parva que mora conosco e que conseguiu brigar com todo mundo em dois meses. Detalhe: ela acha que o problema somo nozes. Santa oligofrenia.