quarta-feira, 31 de março de 2010

Receita sem modo de fazer



A dor que a raiva oculta

Nunca vai passar
Enquanto houver a culpa
Vinda de outro lugar
...
A dor que a raiva trava
É como engarrafar

O trânsito de um viaduto
Sem poder ir e nem voltar...

A dor que a raiva sente
É fácil de se ver

Vem lá de dentro até os dentes
É tão difícil de conter...
Se a raiva não se enxerga
Se a raiva não se escuta
Se a raiva só se oculta
É lá que vai ficar...

Raiva - Nenung


Houve tempos em que escrevia todos os dias; agora, dificilmente escrevo mais de uma vez por semana e, mesmo assim, parece que falta assunto. Cogito que é porque os assuntos não mudaram, por isso me sinto repetitiva vindo aqui. Mas o blog é meu, certo? Serve justamente pra eu desabafar quando sentir vontade.

Tenho muito rancor guardado, dói como o pé dentro de um sapato apertado. Até o retardado do escritório tem uma frase no mural que diz que o ressentimento é um veneno que se toma querendo que o outro morra... E não é que é mesmo? Mas o que devo fazer, jogar tudo pra debaixo do tapete e fingir que dá certo? Enchi o saco do famoso "tempo ao tempo", sabe...

Hoje eu ouvi Jack Johnson a manhã toda, a cada música pensei em um jeito de torturá-lo. Engraçado como na minha cabeça essa raiva é puramente física, é uma gana obsessiva e insana. Mordia os lábios enquanto me imaginava quebrando-lhe os ossos, os dentes, o nariz, enchendo-o de socos no estômago. Pra quem acredita na energia do pensamento, se Renan tivesse um jardim, estaria todo seco agora. E eu tenho tanta tristeza quanto vergonha por esse tipo de sentimento, por não conseguir simplesmente deixar pra lá. Que sede de vingança insensata é essa, que não vai embora nem com meu consciente desprezo por ela? Depois de ver meu castelinho de areia sendo destruído, ainda não consegui nem pensar em construir outro, estou parada na areia plana sem ter um "hel-looo" que adiante. Fico eu vagando pelo vazio em busca dos castelinhos de Renan, pra destruí-los igualmente, jogar-lhe areia nos olhos e deixar um buraco no chão.

Não é mesmo triste isso? Vivo em função dele, mas no sentido contrário. Menti todas as vezes em que lhe disse "eu compreendo", eu nunca compreendi, eu nunca consegui perdoá-lo. E a minha mísera parte boa me diz que é isso mesmo que preciso fazer, mas não sei como... Tenho que tirar da cabeça essa ridícula ideia fixa de que ele me deve algum tipo de penitência, tenho que virar a página. Renan pode muito bem ser mais feliz, mais rico e mais bem-resolvido do que eu, e estará sendo apenas mais competente. E se eu não parar de agourar sua vida enquanto a minha passa, além de infeliz, pobre e frustrada, vou terminar completamente louca, lunática moradora do São Pedro; porque se a raiva é um combustível do sofrimento, também pode acabar virando um veneno pra razão.


sábado, 27 de março de 2010

Not fair

Três e meia da manhã, e aqui estou eu, semi-bêbada diante do computador. A dificuldade pra digitar é maior do que eu imaginava, mas ainda consigo me coordenar. Fui tomar um chopp com a galera do escritório depois da aula - não gosto de chopp, nem de cerveja, mas serviu pra gente se divertir um pouco.

Tô tão carente que acabei abraçando um poste no fim da noite, ô mundo injusto... Enquanto Renan deve estar numa ótima, quem sabe nem se lembre mais de que este blog existe. Fico eu, aqui, às três e quarenta e cinco da manhã, de cabeça e tonta e estômago pesado, pensando nele. Não tenho sequer fé suficiente pra pensar em algum tipo de justiça divina, pensar que um dia ele vai arder no mármore do inferno ou alguma outra dessas coisas de novela, até porque eu nem poderia garantir que o mesmo não aconteceria comigo.

No amor, não existe justiça, é um desconto de INSS que nunca será reembolsado, e nem sequer temos o direito de deixar de amar. Eu quero pedir as contas e não posso, porra! Que merda que é a gente ficar se sentindo numa parada enorme, cheia de pessoas e chegadas e partidas, esperando um ônibus que nem passa mais por aqui. Não é justo que eu siga amando-o por intermináveis anos a fio, sem que isso lhe faça a menor diferença.


Acho que faltou dizer alguma coisa nesse último parágrafo... Mas agora já são quatro e quinze, preciso dormir um pouco: depressão pós-álcool a gente cura fechando os olhos e torcendo pras coisas melhorarem no dia seguinte.

Boa noite...


sábado, 20 de março de 2010

Me and myself

Ouvi Adriana Calcanhoto pela manhã, deixei os trabalhos pra domingo, comecei um tapete de crochê e Sidney Sheldon me espera antes de dormir.

Trivial demais? Pois é, minha melancolia não tem se manifestado... Parece que uma estranha serenidade paira sobre meus pensamentos nublados, e ainda estou meio deslumbrada com o "não é tão ruim assim" que apareceu no meu bolso.

É que não mudou muita coisa, certo? Há muito que sou meio só, e nem por isso deixei de sorrir, nem o sol deixou de nascer, nem a lua de aparecer... O céu não desaba só porque as pessoas vão embora, mesmo que nosso coração ainda insista em contemplar estrelas mortas.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vinho, vodka, vômito e chocolate

Domingo à tarde, horário do futebol, reunião da antiga Galera da Recepção, que não é mais Galera da Recepção, mas que, sentimental e honradamente, sempre será a Galera da Recepção, porque nunca houve nem haverá uma recepção como essa naquele escritório fedorento, e nem nos escritórios que respeitam as leis.

Os assuntos foram os mesmos, na verdade, sempre são, o que muda é o F5 que a gente dá depois de beber um pouco mais. Todas nós temos um garoto dilema: Monique tem o dilema Willian, que um dia resolveu loquear e fugir, mudar e se encerrar covardemente. Ela já encontrou alguém muito melhor, combinam como álcool e chocolate, mas todas as perguntas que ficaram sem resposta não deixaram de existir. Carol tem o dilema Fred, que parece ter espasmos musculares só de pensar em ouvir um não. Até se arrisca um pouco, mas no primeiro "como assim", dá meia volta e corre para seu um milhão de amigos no Orkut. E aí, fica uma "mission unaccomplished" que deixa Carol com os nervos elétricos. Dedé foi a que mais teve êxito até agora, parece que o dilema Ronaldo não existe mais - mas não se preocupem, que outros dilemas já estão, seguramente, engatilhados, e assim o que não vai faltar é assunto pras próximas reuniões. Bom, eu não preciso falar muito de meu dilema Renan, né? Contudo, como bem se sabe, é o assunto sobre o qual mais escrevo! Meu F5 sobre isso é o seguinte: nós não nos falamos mais, porém meus sentimentos continuam os mesmos, e o dilema também, com o agravante de que ele agora descobriu como entrar nos meus sonhos, sempre acompanhado de Cris, e eles já me infernizaram até na Argentina - esse eu esqueci de contar pras gurias -, motivo pelo qual descobri que gostaria mesmo é de achar uma psicanálise de grátis por aí, bem a la Freud, regada a cocaína.

E agora, o relatório alcoólico: bebi, bebi pra caralho. Bebi minhas caipiruvas e os restos das caipiruvas das gurias, meu vinho e os restos dos vinhos das gurias, só não tomei os restos de vodka com Sprite de ninguém porque já tinha chegado a hora de vomitar, e não me deixaram mais beber. Não lembro de alguma outra vez na minha vida em que vomitei tanto em tão pouco tempo. É claro que dormi na Carol, não tinha como voltar. E vomitei de madrugada, de manhã, no banheiro dela, no do escritório, na frente da fruteira, na Multiclínica. Nem água parava no estômago. Fiquei no ambulatório tomando soro com Plasil, voltei pra casa e não fui trabalhar mais. Aí pelas três eu consegui comer um purê de batatas, avisei a Paola que não iria pra aula e dormi até agora. Foi o melhor dos remédios.

E depois de quase pôr o aparelho digestório pra fora, fica a lição de nunca esquecer de tomar bastante água durante o porre, se possível um Engov antes. Fica também um pouco de resignação, por estar mais do que claro que não só eu tenho esses tipos de problemas, que o jeito é aprender a andar com eles, mesmo que mais um pesadelo me pegue ali no próximo sono, mesmo que eu ainda seja capaz de pensar nele até nos momentos mais decadentes da minha vida. E ficam, é claro, as lembranças de mais uma memorável noite da Galera da Recepção... Porque a gente ganha pouco, mas pro trago e pro chocolate sempre damos um jeito.


quarta-feira, 10 de março de 2010

Nem sei

Elton respondeu a um e-mail que mandei há mais de uma semana, como minha última tentativa de estabelecer contato. Disse que "anda sem tempo". Como se tudo fosse super normal, como se tal justificativa bastasse... Como se fosse suficiente ele lembrar de me responder uma mensagem de vez em quando.

Fiquei um pouco triste, sabe... Nem sei direito por quê. Um pouco é por causa dele, mas não só. Talvez a fase minguante tenha chegado cedo demais... E algumas coisas andam me oprimindo um pouco. É mamãe querendo cobrar a pensão que não posso pagar, é papai implicando com a minha gata, é a despesa mensal que ainda não parou de aumentar, é um tal de "Renan da Uniplast" ligando lá pro escritório, com a voz igual - igual, caraleo!... E agora, é o Elton dando uma de quem "não tem BrTurbo", enquanto os minutos passam e eu diminuo ainda mais a minha noite de sono, só pra vir aqui escrever este post.


sábado, 6 de março de 2010

Finish


"Sonríe Aline - mi luna -, porque tu brillo lo llevas por dentro, y no depende de nadie más para iluminar tu vida..."

Meu Imaginação, sexta-feira, 5 de março de 2010, 11:22:27



Elton nunca mais apareceu. Sabe aquela história do marido que sai pra comprar cigarro e não volta mais? Numa versão contemporânea, meu ex-pseudo-namorado resolveu não voltar, não responder mais e-mails e me ignorar no MSN. Terminamos por um W.O. que não faz com que eu me sinta exatamente uma vencedora.

Penso que essa é a pior forma de se chutar alguém... Pior do que terminar por e-mail, telefone, torpedo, sinais de fumaça. É pior porque demonstra que a pessoa não tem o mínimo de respeito por ti, e quando a gente fala de relacionamentos, a falta de educação também pode magoar. Passei três meses transando com um cara escroto que nem sequer me dá satisfações antes de sair da minha vida... Só não foi mais doloroso do que aquele domingo em que liguei para Renan e ele estava comendo Cris com sanduíche de presunto, isso porque eu o amava - amo ainda, porca miséria -, e Elton não me deu motivos nem pra eu me apaixonar.

E agora, depois de tanto lastimar aqui as melancolias da solidão, nunca quis tanto ficar só, nunca quis tanto não ter em quem pensar. Meu curto histórico sentimental me revela uma amante perfeita das coisas que não envolvem escrotos e escrotices. Assim, por hora, vou é pegar uma carona nos meus textos linguísticos, nos meus esquemas de estruturas morfológicas, no Machadinho. Vou estudar pra ser tão boa quanto posso ser, e deixar que o restante tome o curso que quiser. Vou ser mais uma lua sem par orbitando por aí... Tenho as estrelas familiares de que preciso, tenho perspectivas e, é claro, tenho lá minhas fases. Se num dia estou cheia de confiança, no outro posso estar tão insegura quanto um bichinho acuado, lua nova que não tem coragem de aparecer... E não há como me livrar dos momentos de alegria minguante, ou das noites de quarto crescente em que tudo o que quero é achar minha metade. Mas se eu não encontrar, tem outro jeito que não seguir adelante? Afinal, viver é a única maneira de descobrir se tem alguma coisa boa me esperando lá na frente.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Sinto muito

O retorno à Uni veio em hora certa de "llenar la cabeza". Como eu estava com saudade daquela entrada pro Centro 3, da música do Fratello, dos rostinhos conhecidos e também dos nunca antes vistos... Até o guri xarope do micro foi bom rever! A volta só não ficou completa porque ainda não dei aquela passadinha na Biblio, nem na Panvel.


No mais, estou enfrentando algumas dificuldades e indefinições, tentando me sustentar em mim mesma... E a sensação é a de estar sobre um pilar em ruínas! Tenho tido uns rompantes discretos de desespero, que se traduzem em dispersão. No trabalho, olho pro Listão sem ver nada, ou, na aula, passo um minuto inteiro sem assimilar palavra do que a professora fala. Sinto um peso enorme sobre as aurículas, sinto mágoas infindas, sinto saudades proibidas... Eu sinto tanto, que até o corpo para, enquanto a mente me escapa entre devaneios.


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Lembranças no lixo, nós na garganta

Mais uma das vantagens de se ter um blog: com um scanner e um post, a gente pode eternizar todas as lembranças digitalizáveis...


Quanta coisa eu descubro nessas faxinas... E olha que a minha está longe de terminar. Já despachei uma parte dos diários, algumas revistas de rock, cadernos antigos... Dentre as folhas soltas, encontrei esse emblema aí em cima, criado por um colega: o já extinto "Clã CDF", no qual eu era a "general de exército", patente que, de acordo com as regras escritas atrás da mesma folhinha amarela, "todos deveriam respeitar". (Repare que o grupo era tão CDF que não sabia escrever "clã", nem "cu" - e por que fazer questão de traduzir a sigla? Que desastre). Pelo menos, eu não era a mascote - brincadeira de pré-adolescente sempre tem um pouquinho de crueldade -, e as lembranças que tenho desse tempo são ótimas.

Entre a mesma bagunça, também achei alguns trabalhos de Artes, que até vou arquivar, mas a maioria do conteúdo copiado por anos a fio vai toda pro lixo. Guardar pra quê? O que nos foi relevante ficou na memória, o Ensino Superior nos aperfeiçoa na área de conhecimento escolhida e a Wikipédia nos auxilia com as variedades. Pobres e inúteis cadernos enfeitados.

Acabei de abrir um CD esquecido entre as pilhas de folhas, pra ver se tinha algo de útil. É do tempo em que eu pedia pra Pam baixar músicas pra mim; nesse, estavam gravadas várias do Jack Johnson e similares... Tá aí uma coisa ruim de se fazer faxinas quando já se tem passado: feridinhas coçam enquanto se remexe nas lembranças adormecidas.

Pensei em quebrar o CD, mas não é tão fácil quanto parece. Procurei uma tesoura ao redor, olhei pra parede e me veio a ideia de esfregá-lo no concreto. Inutilizei-o impiedosamente, antes de jogá-lo na sacolinha. Este é o ano em que muitos antigos tesouros vão pro lixo... Não dá mais pra guardar rastros de quem há muito tempo decidiu me jogar fora.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pois é...

Terminei O Grande Mentecapto e fui dar uma caminhada, coisa que há tempos não fazia. Ensaiei uma continuação da faxina, mas ficou só no ensaio.

Talvez eu engatilhe mais um dos livros que comprei no sebo há tempos e nunca consegui ler... Tenho um de crônicas do David Coimbra, uma biografia do Machado de Assis e umas revistas Superinteressante velhas que me custaram um real.

E é isso... Sem dispôr de janelinhas-do-MSN-que-piscam, vou tratar de faxinar mais uma parte da estante, meio a contragosto, mas daqui a pouco eu já fico com sono e vou pra cama. Deixo um fofo comercial da Coca-Cola com Os Simpsons, exibido no Super Bowl desse ano. Só mesmo uma propaganda dessas pra deixar a gente com peninha do Sr. Burns.




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sucede que a veces

A veces me despierto y es diciembre y no te pienso tanto
a veces me despierto y es viernes y no te pienso tanto
a veces son las 3:00 am y no te pienso tanto
a veces vuelvo a ver el color que te gusta y no te pienso tanto
a veces escucho la canción que no debo escuchar y no te pienso tanto
a veces digo tus palabras y no te pienso tanto
a veces me escondo y no te pienso tanto
a veces digo la verdad y no te pienso tanto
a veces cuento hasta ocho y no te pienso tanto
a veces no te pienso tanto
a veces no te pienso
a veces no te
a veces no
a veces
a
.

(Leslie Lemus)