quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Chocolate com jiló

Quando fico muito tempo olhando fixamente pro monitor, quer dizer que o dia não vai terminar muito bem.

Estou irritada com esse space do teclado - que comprei há pouco tempo -, mais capenga que meu estado emocional.

Estou irritada com meus dentes em deslocamento, com essa sensação de que vão cair na próxima mordida.

Estou irritada com tanto calor, com minha pele sebosa de protetor, com minhas unhas descascadas.

Estou irritada porque não sei reagir às situações inesperadas.

Estou irritada com minhas amarras, minhas manias, minhas birras.

Estou irritada porque mesmo com ganas de mandar todo mundo pra mais longe ainda, sempre fico esperando um "mas não se irrite".

Estou irritada por sempre ficar esperando.

Estou irritada porque nem queria estar irritada, ou aflita, ou angustiada. Estou irritada porque já tinha desligado tudo mas acabei voltando. Estou irritada, porque poderia muito bem estar na cama e não consigo.

E estou irritada porque sinto falta de um mundo de coisas, porque nem de me controlar e me cuidar eu dou conta, porque hoje não me recomendo nem aos meus próprios olhos, porque só escrevo por não poder contar tudo a outrem, e porque odeio meus escritos frustrados, tanto quanto odeio meu desamparo ao escrevê-los.


3 comentários:

  1. Que palavras posso presentear-te,
    que mitiguem tua solidão?
    Parece as vezes tão profunda,
    tão intensa,
    que crio me faria falta
    todo o extenso vocabulário castelhano,
    todo meu talento de escritor,
    toda minha alma de poeta
    e todo o ardor de meu sangue
    misturado de espanhol e indígena,
    para conseguir um escrito
    que toque teu coração,
    que acorde a tua alma,
    e que te faça levantar a vista de teus pés,
    para poder admirar
    a beleza que te rodeia,
    ainda no meio do calor do estío,
    ainda no tédio
    de uma longa tarde de domingo,
    ainda longe de tua adorada cama...

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