sábado, 25 de fevereiro de 2012

Blog Potato

 

Sempre esqueço de abrir a janela, quando o ar já está com falta de ar é que me dou conta. E está difícil de se locomover no meu quarto da metade pra trás – “Messy girls make awesome lovers”, diz Patrick Jane. Tenho lá minhas dúvidas. E hoje não sei se sai arrumação, a preguiça é tanta, só não tenho preguiça de comer. As roupas estão secas no varal improvisado há uma semana, as do varal de roldanas lá fora também. Quando chover eu recolho. Isto vale pras de fora, que as do quarto vou usando até o limpo ficar sujo e empilhado no cesto cinza do canto do quarto. A rotina é bela.

Está tudo atrasado. As pastas têm etiquetas do semestre passado. Só uso uma, onde estão todas as minhas anotações de todas as cadeiras, sem nenhuma ordem. Nos primeiros dias de aula ainda esqueci de levar qualquer papel, usei notinhas fiscais para anotações. Cheguei ao cúmulo de discretamente surrupiar papéis dos murais da FLUC pra usar de rascunho, que a aula começava dali a 5 minutos e eu esquecera tudo de novo. É claro que houve critério, não removi nenhuma divulgação de congresso ou de grupos de pesquisa, inclusive um dos arrancados era um aviso escrito em mal português de um pobre estrangeiro querendo companhia pra correr na beira do Mondego. Querido, ninguém das letrocas ia querer lhe fazer companhia, 90% da nossa turminha é couch potato, bed potato, library potato, bookstore potato. Possuímos uma aura esquizoide dentro de nós que nos fez adquirir o hábito da leitura bem mais cedo que os outros coleguinhas, o que nos tornava chatos perante o grande grupo. E mais da metade de nós ousava corrigir os erros de português da avó! Muitos de nosso bando, em algum momento da vida, já consideraram justo que lhe atribuíssem o título de Rei ou Rainha da Língua Portuguesa! E por mais que tenhamos aprendido, como poucos, a respeitar todas as variações diatópicas, diastráticas e diafásicas, os usos incompetentes da língua nos doem! Ou nos despertam ridículos ataques de riso! (Ou também poderiam nos proporcionar algum misto de paixão com ternura com obsessão com ânsia de docência, caso o falante em questão fosse bonito). Não, meu caro colega que teve o aviso por mim surrupiado para fins de prática acadêmica, ninguém da FLUC ia querer correr com você no Mondego. Mas se fosse um pedido de revisão desse seu recadinho, aposto que a coisa já teria se resolvido.

O Renan deve estar de férias. “Dia 23, acho”, ele dizia. Engraçado que perguntei duas vezes, porque a minha memória é triste, e a resposta tinha exatamente os mesmos caracteres – “Dia 23, acho”. E não, eu não ia passar um post sem falar dele. Ainda mais nesse ócio forjado (porque teria tarefas pra fazer pelo resto do fim de semana se quisesse), em que não faço nada além de desfrutar dos meus últimos pedacinhos de chocolate amargo com muito chá preto, chá de maçã, chá de cidreira, all day and all night. Será que ele vai pra praia torrar seus poros dilatados? Feliz acompanhado ouvindo Jack Johnson? Ele gosta de praia. E ele anda sempre tão sério, parece que tem um raio de sol batendo eternamente naquela cara bonita com a testa franzida. Eu não gosto de praia. E eu não sei como terminar este post… Se fosse o Pessoa, dava uma daquelas voltas de últimos versos, pá, um tiro no entendimento do leitor. Eu basicamente escrevo pra falar das mesmas saudades de sempre. Todos os posts levam ao mesmo ponto. É o prazer do reencontro dos romances policiais misturado com o desafogo dos românticos. Eu escrevo sobre o Renan há anos! Muito antes de haver blog. Escrevia numa agenda do Smilinguido com caneta fina de retroprojetor. É a gaveta verde da Line.            Too much love.

 

 

Um comentário:

  1. Seria estranho ler um pós teu que não faça menção de Renán... ficaria pego, por dizê-lo assim.

    [Deverias dar-lhe uma oportunidade à praia, alguma vez. Sentar-se a ler a orlas do mar é um prazer...]

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