Nada de mensagens bobas offline, Aline. Ó vida. A vida gosta de ser aquele quadro tosco do Zorra Total (como todos o são) em que o jargão era “isso não te pertence mais…”. Eu acho que é do Zorra, se não for é de uma novela.
Às vezes eu odeio tanto seus gostos, mas é porque gosto e não quero gostar; alguém manda um vídeo do Beirut e eu curto alguns segundos antes de fechar e abafar o crime. Nada que ele estampe em sua página no Facebook me pertence. É uma coisa infantil. Não sou a criatura mais madura da cidade.
Eu sinto saudade dos old times. Como bem diz o Charles, saudade é uma palavra tão portuguesa. Ah, se as coisas fossem mais encaixáveis, se a vida fosse um lego pra brincar de encaixar infinitamente. Eu parava de chorar e encaixava o sono aqui, desencaixava as olheiras dali, montava meu próximo dia na UC com intervalos de comida da mamãe e papos do papai, ajustava uma piada pro molico e depois aumentava a pilha de livros pra ler e estudar. Terminava o dia no sofá do Renan. Vamos assistir ao Chaves. Vamos fazer gordices pra comer. Tenho reclamações de um dia inteiro pra despejar. Preciso de umas dez piadinhas bestas hoje. E preciso de um refri. – O quê, não tem refrigerante? Peraí que já resolvo. E clic, encaixava uma Coca dois litros na geladeira.
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