
"Creio que a diferença entre escrever um blog e escrever um diário de vida está em que o diário de vida o escreves e depois o fechas com chave e o escondes sob o travesseiro.
O blog, em tanto, escreve-o dizendo-te a ti mesma que ninguém tem de lê-lo, mas sabendo, no fundo, que existe a possibilidade de que alguém o leia… e com a esperança de que isso ocorra. E creio que, se eleges escrever um blog, devesses eleger também o ativar os comentários nele.
Dessa maneira, abres a porta a que um eventual leitor(a) possa comunicar-te que esteve aí, comunicar-te talvez que sente como tu, que se sente triste ou melancólico, que passa as festas tão só como tu, ou – simplesmente – que lhe agradou o que escreveste…
Não todos os viajantes da ciberesfera têm a imaginação necessária para procurar teu email e escrever-te, e deles, poucos têm o valor de decidir-se a fazê-lo, temendo talvez estar invadindo teu espaço pessoal…
Não é bom – creio – abrir a janela de teu coração, para que os transeuntes se assomem, se não abres também a porta, para que possam compartilhar contigo…
Entendo que muitas vezes se possa ter temor a interagir com pessoas virtuais que não conheces, mas se manténs tua privacidade – como fizemos entre nós – sem levar as coisas além do que a compartilhar um pouco do que sentimos, de nossas carências, de nossos sonhos, encontra um um meio de não estar tão só e tão triste…
É isso, ou o remédio de Tutulina: tomar-te a vida como vem, sem azararte por nada, desfrutando de tender-te um momento ao sol, de descansar tendida sobre a cama sem pensar em nada mais que na próxima lata de comida para gatos… e de desfrutar da companhia de quem tens perto, sem pedir mais do que essa cercania, e sem entregar bem mais do que essa permanente presença…
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Passei uma vez – no início de meus tempos – um natal só, encerrado numa lóbrega habitação, acompanhado de um camastro e uma desvencijada cadeira, e sem mais do que comer do que uma lata de sardinhas em molho de tomate, e uma cebola, e sem nada mais que beber que um par de copos de água…
e sobrevivi…!!
Pelo geral, odeio as festas de fim de ano… são uma época em que nos pomos tontos, e nos deixamos entristecer e choramos nossas amarguras e nos deprimimos e caímos num buraco tão profundo, do que – às vezes – não todos podem sair…
E, que faz importante ao fim de ano? Por que temos de ofrendarle nossa saúde mental?
Por que temos de sacrificar em seus altares nosso coração e banhá-los com nossas lágrimas?
Em fim de um calendário, e o início de outro, não são diferentes ao resto de nossos dias, e se podemos viver arrastando nossos ônus o resto do ano, por que não o fazer também esse dia…?
Ou talvez viste a Tutulina mais triste esses dias…?
Anima-te, deixa de estar triste por esses 'dias' para os quais ainda faltam meses… une-te ao Clube do Grinch!!!"
* *, 26º e-mail, segunda-feira, 7 de setembro de 2009, 5:21:49