
"- Porrrrra, meôô..." Nenhum e-mailzinho? Nenhum vírus disfarçado pra eu marcar como lixo eletrônico? Nenhuma propaganda pra eu marcar como lixo eletrônico? Nenhum e-mail encaminhado, com todo o seu histórico de envio, pra eu marcar como lixo eletrônico? Nenhum informativo da Unisinos - esses eu não marco como lixo eletrônico - divulgando novos cursos de extensão para os quais eu não tenho tempo, nem dinheiro, nem disposição pra fazer? Não sei qual a última vez em que cheguei em casa e não tinha nenhuma mensagenzinha inútil na caixa de entrada... Que chato.
Tenho um colega que não possui endereço de e-mail... Quando ele contou isso, achei tão legal... Não quer dizer que ele não acesse a web, mas a utiliza para outras finalidades que não as mais populares.
A internet me fez conhecer o amigo que mais amo... E também me disponibilizou, em alta conexão, declarações de amor dele a outra pessoa. E não estou externando isso só por externar, é que eu preciso me livrar das últimas mágoas pra conseguir viver melhor, tentar fazê-lo viver melhor também. E o jeito ideal de fazer isso, no meu caso, é escrevendo... E não no MSN (como eu gosto da conjunção "e"!), porque ficaria pesado demais, porque sempre somos intensos demais quando nos falamos e porque isso é só uma bobagem residual. Então, aí vai:
Ser excluída, pelo Renan, de sua página de relacionamentos virtuais, magoou-me pra caralho - Lineneutron coloca o pronome no lugar certo e depois larga um palavrão -, por ter sido a internet o início de tudo. Foram cartas rasgadas, palavras apagadas, foi um baque. Excluída, excluída, excluída. Cheguei no meu apartamento e não tinha mais mobília, só uma velha placa de "prescrito". E aí eu é que prescrevi a minha receita escrota, excluindo a mim mesma.
Depois de um bom tempo, voltei assim, num blog escondidinho. Com saudade do Victor Ramos, inconformada com o "tive que" em vez do "fiz porque". Com ojeriza a voltar pra lá de novo. Mas com alívio valioso por ainda saber ser sua amiga, por já conseguir me livrar desses nadinhas mil inúteis. Por esperar que ele, mesmo podendo ficar chateado, compreenda sem demora, e aceite o fato de que Eu o Amo Muito, mas - e por isso mesmo - preciso pôr pra fora, preciso dizer que doeu, e sei que não foi só em mim mas sei o quanto foi em mim.
- E não faça isso de novo, com ninguém.
- E não se entristeça.
- E não mude.
- E não morra.