sábado, 31 de outubro de 2009

Peixes


Nós vivemos como peixes

com a voz que em nós calamos
com essa paz que não achamos...

Peixes, pássaros, pessoas
nos aquários, nas gaiolas
pelas salas e sacadas...
Afogados no destino
de morrer como decoração das casas...

Nós morremos como peixes
O amor que não vivemos
Satisfeitos, mais ou menos
Todas iscas que mordemos
Os anzóis atravessados
nossos gritos abafados...


Nenung

Essência(s)

Calor infernal, e qual é a primeira coisa em que penso? Tomar mais água, fazer mais exercícios, comer muita salada? - Nada disso, fui é comprar um sorvete italiano da primeira maquininha que meus olhos avistaram. Coisas de alma gorda.

A vida anda corrida, mas essa história é mais que velha. Feriado chegando, "e eu aqui"... Mas vou evitar ao máximo pensar em lagos profundos esse final de semana. Até meu blog anda meio chato, caidinho demais...


Sei que certas coisas não vão mudar, e uma delas é o meu jeito de ser. A minha essência desastrada, minhas bagunças materiais e mentais, meus pensamentos estranhos, minhas macaquices em cristaleira.

Continuo dispersiva, melancólica, romântica e piegas.

Continuo gostando de chocolate, lazanha, inverno e calcinha grande.

Continuo usando bolsa furada e costurando meias.

Continuo colocando lembretes no celular, e programando-o para despertar mesmo que não seja o suficiente pra eu acordar pela manhã.

Continuo esperando demais das pessoas e sonhando alto.

Continuo comendo os dedos e enrolando os cabelos.

Continuo viajando em maioneses chocoláteas.

Continuo apertando demais a tampa do refri com medo de que fuja o gás.

Continuo trocando as bolas entre o sim e o não.

Continuo com medo do meu próprio temperamento.

Continuo sendo péssima em consertar meus erros.

Continuo lutando contra meus vilões interiores.

Continuo me perguntando de que lado estou.

Continuo sem saber quantos lados existem.

Continuo tentando não ser tão malvada comigo mesma.

Continuo me abraçando no banho.

Continuo me dando todas as últimas chances.

Continuo acreditando que posso acreditar em mim.


Continuo aqui, mais morena do que ontem, mais confusa ainda hoje, e tão boba quanto sempre.


sábado, 24 de outubro de 2009

Aulete por Aline (faixa bônus)

(sa:u.da.de)

sf.
1 Sentimento evocatório, provocado pela lembrança de algo bom vivido ou pela ausência de pessoas queridas ou de coisas estimadas [Tb. us. no pl.]

[F.: Do lat. solitate (m)]

Morrer de saudade(s)
1 Fig. Sentir muitas saudades.

Rebenqueado das saudades
1 RS Diz-se de quem sofre por ter se separado de alguém, por sentir falta ou saudades de alguém ou de algo.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Communication breakdown

Não estava pra trabalho em grupo hoje. Fiquei irritada porque nem todos levaram a atividade a sério. Poxa, não é mais fácil fazer o que tem que fazer pra depois ficar livre? Se as fotos de orkut são tão importantes, que vejam, mas então que se alienem totalmente ao trabalho em vez de colaborar pela metade. E aí um que queria ajudar não tinha intimidade com o computador, e apenas uma colega também percebeu a falta de criatividade e até de nexo na produção feita em conjunto. E nós duas somos "complicadas" por sabermos que o primeiro balãozinho a ser lido num quadrinho é o que está acima do(s) outro(s), ou à direita em caso de mesma altura. Exceções são estabelecidas por flechas indicativas... - Mas isso já é papo de velha leitora de gibis da Disney e da Mônica, e não vem ao caso.

Segurei a fome e fui pro micro muito cedo, aleguei precisar ficar sozinha. Não consigo fingir estar bem, mesmo sabendo que seria mais conveniente em certos momentos. Não faço "forcinha", não sou "parceira" pra ir contra a minha vontade quando o assunto é lazer. Se algo me incomoda, se perco o desejo de ir, de ficar, de falar, de rir, prontamente vou embora, sem dar muita explicação. Assumo tranquilamente esse problema de "communication breakdown". Infelizmente, nem psicoterapia adiantou muito nesse aspecto, porque quando percebi que estávamos perto demais de mim mesma, não fui mais às sessões.

E às vezes é tão complicado fazer autoanálise... Por mais que eu queira me ajudar, tem coisas que não conto nem pra mim mesma.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Hoje


Hoje, o semáforo me pareceu um Darth Vader de olhos vermelhos. Talvez raivoso ou triste, e tão inconstante quanto quem o contemplou... Nariz de espinhas amarelas, sorriso verde de olhos fechados, estático. Se eu fosse ele, a essa hora já estaria cansada de tanto sinalizar as mesmas coisas. Eu quereria descer de lá e passar um tempo dormindo, pra depois virar holofote de show de rock.

E se eu fosse uma árvore, não gostaria de morar em frente ao Habib's! Patética borda de estacionamento, rodeada de pedras e poeira e barulho; vida arbórea miserável, feito bicho de jaula... Eu quereria pertencer a algum lugar que humanos não pudessem alcançar.

Hoje, eu queria que o mundo fosse feito de lego, pra eu poder remontar... Pra tirar todo esse lixo de propaganda, cortá-lo em picadinhos e fazer comidinhas. Pra colocar uma lua no céu mesmo com o tempo anunciando chuva. Pra apagar a pressa das pessoas e a cólera taciturna do sinal vermelho. Pra mudar todo mundo de lugar, inclusive a mim mesma. Pra que estivéssemos nós, Renan e eu, sentados à mesa do Suarez tomando leite com chocolate. E aquele leite, aquele incomparável gostinho de leite morno!... Um dos melhores gostos que já senti em toda a minha vida.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Aulete por Aline


(a.mi.za.de)
sf.
1 Sentimento de estima ou de solidariedade entre pessoas.


(a.mi.go)
sm.
1 Aquele que mantém (com outrem) relação de amizade.
5 Aquele que tem ou demonstra apreciação, simpatia, afeto etc. por algo ou alguém.
7 Que protege, consola, defende, acolhe.
9 Que está do mesmo lado, numa causa, competição, conflito etc.


(co.me.mo.ra.ção)
sf.
1 Ação ou resultado de comemorar.
3 Qualquer forma de homenagem ou memoração de alguém, de um fato, de uma realização etc.


(da.ta)
sf.
1 Indicação exata do dia, mês e ano da ocorrência de um fato.
2 O registro dessa data.


(a.ni.ver.sá.ri:o)
sm.
1 Dia em que se completa um ou mais anos de idade.


(cé.re.bro)
sm.
1 Anat. Órgão mais importante do sistema nervoso central dos vertebrados, situado no interior do crânio e ligado à medula espinhal, sendo responsável pela inteligência, coordenação dos estímulos (internos e externos), dos sentidos e dos movimentos.


(es.tu.pi.dez)
sf.
1 Qualidade de estúpido; falta de discernimento ou de inteligência.
3 Bras. Atitude ou ação grosseira.


(me.mó.ri:a)
sf.
1 Faculdade de reter e recordar impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente.


(es.que.ci.men.to)
sm.
1 Ação ou resultado de esquecer(-se).
2 Falta de lembrança, de memória; olvido.


(lem.bran.ça)
sf.
1 Ato ou efeito de lembrar.
2 O que vem à memória.


(tar.de)
adv.
2 Depois da hora marcada ou do tempo adequado.


(de.cep.ção)
sf.
1 Sentimento de tristeza ou frustação ante o fracasso de expectativas.


(an.gús.ti:a)
sf.
1 Ansiedade intensa; aflição; agonia.
2 Sofrimento.



(te.le.fo.ne.ma)
sm.
1 Telc. Comunicação por meio de telefone; ligação telefônica.


(pe.di.do)
sm.
1 Ação ou resultado de pedir.
2 Aquilo que se pede.


(des.cul.pa)
sf.
1 Ação ou resultado de desculpar(-se).
2 Perdão por erro ou falta cometida.


(si.lên.ci:o)
sm.
1 Ausência de som ou barulho.
2 Estado de quem permanece calado.
4 Abstenção de publicar ou de comentar o que é geralmente sabido.


(tris.te.za)
sf.
1 Qualidade ou estado de triste ou do que é triste.
2 Caráter do que infunde esse estado.
3 Falta de alegria, contentamento.


(cul.pa)
sf.
1 Responsabilidade atribuída a algo ou alguém por mal, dano ou prejuízo causado.
3 Sentimento insistente e doloroso que alguém experimenta por ter agido mal ou faltado com um dever.


(nó)
sm.
8 Sensação de opressão, espécie de aperto na garganta ou no estômago, ger. devido a tensão ou a forte emoção.


(dor)
sf.
1 Med. Sensação dolorosa, de maior ou menor intensidade, em qualquer parte do corpo.
2 Sofrimento moral ou psicológico causado por amargura, desgosto, tristeza.


sábado, 17 de outubro de 2009

Boba


Ontem, cheguei na Uni, procurei um banco vago num lugar retirado, coloquei A Lack of Color pra tocar de novo e fiquei olhando as pessoas ao longe. Estômago meio vazio, meio sonolenta, meio sorriso, meia vontade de chorar... Choro bobo, sabe? Só os vivos choram.

Disse a Lidi que eu estava filosófica demais. Que só eu mesma pra ficar lembrando das folhas de alface verdes e frescas dos sanduíches dos rótulos das embalagens de catchup. Que não sabia que eu era tão fora da casinha assim.

Já em casa,
fiquei aqui, olhando pela janela. Guria boba. Fez um frio de inverno, surpresa agradável. O MSN deu pau. A Tutulina um pouco dormiu, um pouco observou. O vento esfriou ainda mais as paredes. E A Lack of Color continuou na cabeça até meus olhos, cansados de ver sem enxergar nada, descansarem.

domingo, 11 de outubro de 2009

Do chimas ao descarrego


Finalmente, volto ao meu chocolate particular! Depois de provas e trabalhos do Grau A, corro pra um grande e delicioso amigo. Se Anne Frank dizia que "o papel tem mais paciência do que as pessoas", renovo sua frase afirmando que os posts são mais pacientes do que as pessoas.

Ensaiei um retorno na sexta, porém o MSN acabou tomando toda a minha atenção. Sábado foi dia de filmes pela metade no sofá. Hoje, uma pá de gente almoçou aqui em casa. À tarde, fui tomar chimas com as gurias na praça, as amigas que me aturaram o ensino médio todo e que eu não via há tempos. Logo choveu, e tudo acabou em pizza na casa da Joice.

Essa era uma das coisas que eu tava precisando fazer urgentemente: reforçar os laços de amizade com quem sei que posso contar. O tempo passa e a gente se acomoda, vira escrava das tarefas, da rotina agitada... É bom tirar um tempinho pra conversar, fofocar, dar risada com quem aprecia nossa companhia.


Mudando de assunto e continuando no de sempre, acabo de fixar o olho, por acaso, na caixinha verde ali no centro do roupeiro. Dentro, tem uma antiguidade made in China, um mini globo cuja base tem encaixado um apontador. Comprei em agosto do ano passado, em Gramado, um presentinho bobo que eu nunca pude dar. E é estranho, porque fica ele trancado na caixinha, enquanto não tenho coragem de ceder nem de usar. Ao mesmo tempo, não gosto de tê-lo em meu campo de visão. Não posso mandar via correio, se nem um cartão de natal foi possível. Não quero jogar fora, mas não sou capaz de levantar a bunda da cadeira e empurrar o globinho pra um cantinho.

Engraçado pensar nessas coisas logo que o aniversário do Renan está chegando. Ano passado, foi o dia em que assisti ao Exorcista com as gurias pro trabalho de religião. Meu celular ficou sem sinal por um bom tempo, eu desgraçada e desesperada pra dizer que tinha lembrado. Mandei uma mensagem, que nunca foi respondida e nunca soube se chegou. E se eu espero que ele ligue no meu dia, algo me diz que, no seu, não convém aparecer. E eu odeio todos os momentos em que me sinto marginal em sua vida.



(Encerra-se, aqui, mais uma sessão de descarrego residual. Porque em fundo de poço a gente também tem que fazer faxina).


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Envelheço na cidade


Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você...
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade...

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você...
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer...

Juventude se abraça
Se une pra esquecer...
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você...

Feliz aniversário
Envelheço na cidade...

Edgard Scandurra

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Bobagem residual sem chocolate


"- Porrrrra, meôô..." Nenhum e-mailzinho? Nenhum vírus disfarçado pra eu marcar como lixo eletrônico? Nenhuma propaganda pra eu marcar como lixo eletrônico? Nenhum e-mail encaminhado, com todo o seu histórico de envio, pra eu marcar como lixo eletrônico? Nenhum informativo da Unisinos - esses eu não marco como lixo eletrônico - divulgando novos cursos de extensão para os quais eu não tenho tempo, nem dinheiro, nem disposição pra fazer? Não sei qual a última vez em que cheguei em casa e não tinha nenhuma mensagenzinha inútil na caixa de entrada... Que chato.

Tenho um colega que não possui endereço de e-mail... Quando ele contou isso, achei tão legal... Não quer dizer que ele não acesse a web, mas a utiliza para outras finalidades que não as mais populares.

A internet me fez conhecer o amigo que mais amo... E também me disponibilizou, em alta conexão, declarações de amor dele a outra pessoa. E não estou externando isso só por externar, é que eu preciso me livrar das últimas mágoas pra conseguir viver melhor, tentar fazê-lo viver melhor também. E o jeito ideal de fazer isso, no meu caso, é escrevendo... E não no MSN (como eu gosto da conjunção "e"!), porque ficaria pesado demais, porque sempre somos intensos demais quando nos falamos e porque isso é só uma bobagem residual. Então, aí vai:

Ser excluída, pelo Renan, de sua página de relacionamentos virtuais, magoou-me pra caralho - Lineneutron coloca o pronome no lugar certo e depois larga um palavrão -, por ter sido a internet o início de tudo. Foram cartas rasgadas, palavras apagadas, foi um baque. Excluída, excluída, excluída. Cheguei no meu apartamento e não tinha mais mobília, só uma velha placa de "prescrito". E aí eu é que prescrevi a minha receita escrota, excluindo a mim mesma.

Depois de um bom tempo, voltei assim, num blog escondidinho. Com saudade do Victor Ramos, inconformada com o "tive que" em vez do "fiz porque". Com ojeriza a voltar pra lá de novo. Mas com alívio valioso por ainda saber ser sua amiga, por já conseguir me livrar desses nadinhas mil inúteis. Por esperar que ele, mesmo podendo ficar chateado, compreenda sem demora, e aceite o fato de que Eu o Amo Muito, mas - e por isso mesmo - preciso pôr pra fora, preciso dizer que doeu, e sei que não foi só em mim mas sei o quanto foi em mim.

- E não faça isso de novo, com ninguém.
- E não se entristeça.
- E não mude.
- E não morra.