quinta-feira, 3 de junho de 2010

Crônico

Queria escrever, não sabia o quê... Aí resolvi abrir a Smirnoff Ice que comprei pra experimentar há um tempo atrás. Descobri que poderia beber meia dúzia dessas comendo o arroz com galinha da minha mãe... Lembrei da @DeniseRossi, dizendo esses dias que a Vovódka é a melhor vó do mundo. E como sou fraquinha pra bebida, 275ml já servem pra deixar minha boca dormente. Quem sabe eu compre um engradado de latinhas no próximo rancho pra tomar antes de dormir. Ando com dificuldades em deitar e fechar os olhos, minha mente vira um turbilhão no apagar das luzes, aí a leitura pré-sono tem sido obrigatória. Também ando bem viajandona, e ao mesmo tempo que fujo de certas coisas, corro atrás de um self control que parece estar sempre tentando sumir de vista. É difícil lidar com o que não se consegue evitar, é uma guerra em que sou minha própria inimiga. E às vezes eu me dou medo.

Sustento-me por comparações. Por exemplo, da última vez em que Elton e eu nos vimos, a camisinha furou e eu entrei num pânico que nem pílula do dia seguinte amenizou. Dividi isso só com mamãe, porque falar mais sobre o assunto só pioraria. Passei três semanas dormindo mal, concentrando-me apenas na mínima possibilidade de um óvulo meu ter sido fecundado. Encolhia a barriga diante do espelho, planejava a compra de um teste de gravidez, desconcertava-me quando meu priminho bebê me olhava por muito tempo, ia e voltava pra Uni com frios no estômago, imaginava quanto Elton pagaria de pensão alimentícia, pensava no quanto eu me odiaria, via meus planos indo por água abaixo, meu futuro arruinado, meu peso dobrado e meus pés inchados. Sonhei tanto com mulheres grávidas que a minha vontade era prometer nunca mais dar na vida. E o Elton ainda me manda uma mensagem supostamente tranquilizadora, trazendo um bendito "pelo menos eu acho" que superou o resto do enunciado e ficou rodando no meu cérebro por dias e dias. A tortura só se encerrou no último sábado, quando finalmente fiquei menstruada, e aquele líquido vermelho e nojento nunca me pareceu tão bonito.
Isso me fez lembrar que tudo é uma questão de ponto de vista. Mil vezes as noites melancólicas como essa, lembrando de quem não deveria lembrar, mas sem nenhum tipo de temor prático.

Li uma frase de um texto hoje, dizendo que a gente não pode ficar procurando outro relacionamento a todo custo se ainda não se resolveu, uma visão bem diferente do clássico "um novo amor pra curar o velho amor". Estou a ponto de chegar à conclusão que esse amor não tem cura. Sabe aquelas coisas crônicas que a gente pode no máximo amenizar? Usam-se alguns paliativos eficientes, escolhe-se um modo de vida favorável, busca-se um pensamento mais positivo e assim se toca o resto adiante. E pode funcionar muito bem sim. Só que há essas minicrises que não dá pra controlar sempre, e é preciso aprender a conviver com esse quê de autotortura que adquirem as lembranças, com essa angústia mutante que escapa às distrações, com essa vontade desesperada de esquecer tudo, tudo!!!...

Vontade de um porre eterno.









domingo, 30 de maio de 2010

Line Maionese

Aline: - Minha maionese não fica igual à tua...
Mãe: - Como assim?
Aline: - Não sei, mas não fica...

(Aline aguarda uma resposta como "mas a tua maionese é boa, só que cada pessoa faz de um jeito diferente, mesmo sendo a mesma receita").


Pai: - Tu coloca muito azeite e pouca água na maionese.

Aline (magoadinha): - Perguntei pra mãe, não pra ti.

Pai: - Mas tu disse que não fica igual, só tô respondendo por quê.

Mãe: - Mas é, Mana. Tu faz maionese demais.



(...E foi aí que a minha carreira de maioneseira desandou).



domingo, 23 de maio de 2010

Zero

Tinha pensado em não postar nada, mas sei lá... É estranho não vir aqui, mesmo não tendo muita coisa pra contar.

Ia fazer um PPT pra aula de terça, mas demorei tanto pra escolher o template que, quando vi, já estava batendo o sono. Tenho mais um resumo e uma transcrição de entrevista me esperando; dessas três tarefas eu faço duas amanhã. Olhei há pouco pro MSN e deu saudade do tempos em que, a essa hora, tinha "gente" pra conversar. Things change.

De resto, o Grêmio perdeu de quatro, a Inter de Milão faturou a Champions League e eu acho que vou continuar torcendo pra Argentina como vem acontecendo nos últimos anos. Não que eu vá ficar triste se o Brasil ganhar o hexa, até torço pra que chegue à final de qualquer jeito e me garanta o máximo de horas de folga no trabalho, mas esse tipo de patriotismo eu perdi há algum tempo e não deu pra achar de novo. Mais do que qualquer coisa, Copa do Mundo pra mim significa uma desgraçada e quase inevitável overdose de Galvão Bueno.


E é isso, acho que vou dormir... Como disse a Deh esses dias, a gente tem que parar de ficar na frente do PC sem estar fazendo nada, com o MSN aberto sem nenhuma conversa, com notícias estampadas sem nenhuma leitura, com o Google pronto sem nenhuma busca, com um ócio esperançoso de quem contempla os contatos online até eles chegarem a zero.

...E não é que chegaram mesmo? Definitivamente, é hora de sair daqui.






sábado, 15 de maio de 2010

Muito fora

Fiquei com Elton ontem. E tudo bem, eu sei que foi um descarado investimento sem retorno, mas eu quis. Arrumei-me depois da aula e fomos dar uma volta.

Ele continua o mesmo (jura?). Não sabe o que quer nem o que não quer, se troca de faculdade, de cidade ou de ponto de vista. Quer viajar mas não sabe pra onde, quer comprar uma moto mas tem preguiça de fazer a carteira, quer ganhar mais mas não pensa em economizar, não sabe se aluga um apartamento ou se gasta tudo em cerveja; enfim, não gosta de estar onde está, mas não sabe onde quer estar. E é esse Elton que silencia convenientemente sobre o que passou, o máximo que faz é lembrar-se distraidamente que fazia uns três meses que a gente não se via. Mas não perguntei nada, nem era essa a intenção. Pensar em discutir relação com ele é o mesmo que querer falar sobre o Gerativismo com a minha mãe: não vai rolar.


Com Elton, é o papo pelo papo, o riso pelo riso, o abraço pelo abraço, o beijo pelo beijo. Não existem falas como "eu errei", ou "senti saudades". Não tem carinho oral-dialogado, e isso mata qualquer tipo de atividade relacional, por mais efêmera que seja. Na verdade, estou muito mais carente dessa combinação verbo-vontade-ação, que não vejo há tempos.

O Elton é muito fora, como fiz questão de lhe dizer pessoalmente. E talvez eu seja mais ainda, por ter ficado com ele.


domingo, 9 de maio de 2010

Quentão, #EltonFail e Chocolate

A Eterna Galera da Recepção se reuniu pra tomar quentão - não consegui achar um jeito de evitar a rima. Um litro e meio de vinho mais meia garrafa de cachaça não surtiram o efeito desejado, contudo as horas de papo e risadas valeram a pena da sobriedade.

Enquanto isso, Elton veio bater na minha janela, para o espanto da Thalyta, que estava no computador. Ligou-me, eu disse pra nos falarmos no outro dia. Continua com a mesma mania irritante de não avisar, só que dessa vez eu não estava no lugar de sempre. Hoje ele até perguntou sobre tomarmos um chocolate quente, mas parecia muito mais interessado no chocolate do que na companhia. Sendo assim, ele pode tomar seu chocolate quente sozinho e bem longe daqui, que não lhe fará diferença.


De resto, estou esperando a Lola entrar no MSN pra fazermos o trabalho, a temperatura baixa cada vez mais e decidi não fazer as unhas. Perdi todas no bilhar hoje, só volto lá na segunda.
Pensei em fazer alguma homenagem a mamãe por o seu dia, mesmo que ela não leia, mas concluí que seria comercial demais. Ela é minha mãe todos os dias, cozinha pra mim todos os dias e eu a amo todos os dias. Só não dá pra dispensar o presente porque ela ficaria chateada, e eu já chateio ela demais com toda essa minha bagunça.


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Na Uni (quase) 10, no amor (nem) 0

Metade da Galera da Recepção deu adeus ao Pacioli. A saída de Caracol foi guadual, ela topou ajudar mais uns dias com o imposto de renda, por isso acabei não registrando. Monique começou no novo trabalho hoje. E Dedé voltou a ser companhia da Line, no lugar da Monique, ficando claro que uma meia recepção unida jamais será vencida.

Não fui mal na prova de Morfologia: por um "s" não acertei toda a análise mórfica do traumatizante "dissilábica" e, dos seis pontos, conquistei cinco e dois décimos. A média ficou boa, mas melhor ainda vai ficar a de Linguística - tirei nove e seis décimos na prova que valia dez. Not bad.

Eu até que sinto falta dos "cem, parabéns!" da escola, mas agora as coisas são diferentes. Aprendi a me contentar em estar entre os melhores em vez de ser a melhor, até porque esse "ser melhor" é bem relativo. Como aluna de licenciatura, sei muito bem que meros números são insuficientes pra definir o desempenho de alguém.

...Mas no Power Point ainda sou "cem, parabéns!". Foi estatisticamente provado: depois de um PPT da Line, os PPT's dos colegas não são mais os mesmos. E se ser copiada era uma coisa que me irritava na escola, hoje me lisonjeia.

Enfim, juntando todos os níveis, ainda sou a aluna que nunca tirou uma nota baixa sequer (só uma vez, na sexta série, tirei seis numa prova, mas ela foi anulada porque todo mundo foi mal). E que bom que escrevi sobre alguma coisa alegre, mal sobrou espaço pra contar que Renan mandou um breve e-mail anunciando que não me ama nem me odeia, numa estarrecedora indiferença que têm aqueles trabalhos que a gente se mata pra fazer, mas que acabam não valendo nada na nota final.






domingo, 2 de maio de 2010

Dale Tricolor!


Foi sofrido, foi derrota. Rendeu-me algumas cutículas comidas. Mas na batalha de cento e oitenta minutos, o Imortal reconquistou a hegemonia do Rio Grande.
Grêmio, Campeão Gaúcho 2010.




Stand up!

Quando corro pra cá o tempo todo, já viu, né... Essas porras desses vizinhos não param de ouvir sertanejo universitário no último volume. Ao menos o Imortal tem tudo pra ser campeão hoje... Já tô com o rádio ligado na Gaúcha.

Tão imprestável quanto imaginei que ia ficar, um pouco enrolo os cachos do cabelo que ficam sobre o coque, um pouco olho pro monitor, um pouco vou ali fazer um carinho nos meus bichinhos. O texto de inglês eu vou deixar pra depois, as unhas também. Devia ter saído com meus pais, mas não me animei. Queria comer comida.

Vou tentar esquecer MSN até o final de domingo. Esperam-me roupas limpas pra estender, roupas sujas pra lavar e roupas espalhadas pelo quarto pra guardar. E nenhuma delas vai ir pro seu devido lugar enquanto eu não levantar esse bundão 40 da cadeira.






sábado, 1 de maio de 2010

Versão sem cortes

Ainda não comentei outra coisa sobre ontem... Elton resolveu abrir a janelinha dar um hello, mas o clima foi outro. Era o velho Elton amigo de MSN de anos, comunicativo e com senso de autocrítica. Fiz questão de lembrar que, enquanto ficamos juntos, as conversas virtuais se reduziram a "oi, tudo bem". Ganhei um namorado instável e perdi o amigo, aí não deu certo.

Fiquei pensando nessa vida virtual louca; se Elton não tivesse vindo falar, eu não estaria quando Renan entrou... Por outro lado, se Renan viesse falar a mesma coisa outro dia, eu ia ficar só com essa impressão de que sou uma louca psicótica pra alguém. Com Elton eu pude me sentir um pouco mais normal, até porque ele é bem pior do que eu. Somos dois casos de psicoterapia, mas com certeza ele precisa de mais sessões. Falo isso carinhosamente; Elton chegou a me deixar furiosa, mas foi uma história limpa, sem uma "outra" - isso faz toda a diferença -, e ficaram as lembranças boas.

E, como disse a Meu Imaginação, apareceram os dois mas eu continuo só, bem-acompanhada de minha Tutulina e seu filho Urso, que não tem vergonha na cara de mamar nela aos cinco meses de idade. Só não posso negar que me sinto arrasada. Devia ter aqui na nuca algum botãozinho pra colocar no "off" quando desse vontade, pra parar de pensar em tanta coisa misturada. Que tipo de sono que eu vou ter desse jeito? Preciso comprar Maracujina urgente.





And the winner is...












Renan apareceu no MSN. Disse pra eu desejar que ele seja atropelado, que talvez funcione. De que me adianta? Ele vai morrer e não vai entender nunca... Guardou a parte que lhe interessa na história: que eu o odeio. Que ainda o amo não importa, botou tudo num saco só pra usar de justificativa. So easy.

Virei sua vilã, ou sua mandinga perturbada. Ele obteve o que buscava. Pintou-me de preto e saiu.