Queria escrever, não sabia o quê... Aí resolvi abrir a Smirnoff Ice que comprei pra experimentar há um tempo atrás. Descobri que poderia beber meia dúzia dessas comendo o arroz com galinha da minha mãe... Lembrei da @DeniseRossi, dizendo esses dias que a Vovódka é a melhor vó do mundo. E como sou fraquinha pra bebida, 275ml já servem pra deixar minha boca dormente. Quem sabe eu compre um engradado de latinhas no próximo rancho pra tomar antes de dormir. Ando com dificuldades em deitar e fechar os olhos, minha mente vira um turbilhão no apagar das luzes, aí a leitura pré-sono tem sido obrigatória. Também ando bem viajandona, e ao mesmo tempo que fujo de certas coisas, corro atrás de um self control que parece estar sempre tentando sumir de vista. É difícil lidar com o que não se consegue evitar, é uma guerra em que sou minha própria inimiga. E às vezes eu me dou medo. Sustento-me por comparações. Por exemplo, da última vez em que Elton e eu nos vimos, a camisinha furou e eu entrei num pânico que nem pílula do dia seguinte amenizou. Dividi isso só com mamãe, porque falar mais sobre o assunto só pioraria. Passei três semanas dormindo mal, concentrando-me apenas na mínima possibilidade de um óvulo meu ter sido fecundado. Encolhia a barriga diante do espelho, planejava a compra de um teste de gravidez, desconcertava-me quando meu priminho bebê me olhava por muito tempo, ia e voltava pra Uni com frios no estômago, imaginava quanto Elton pagaria de pensão alimentícia, pensava no quanto eu me odiaria, via meus planos indo por água abaixo, meu futuro arruinado, meu peso dobrado e meus pés inchados. Sonhei tanto com mulheres grávidas que a minha vontade era prometer nunca mais dar na vida. E o Elton ainda me manda uma mensagem supostamente tranquilizadora, trazendo um bendito "pelo menos eu acho" que superou o resto do enunciado e ficou rodando no meu cérebro por dias e dias. A tortura só se encerrou no último sábado, quando finalmente fiquei menstruada, e aquele líquido vermelho e nojento nunca me pareceu tão bonito. Isso me fez lembrar que tudo é uma questão de ponto de vista. Mil vezes as noites melancólicas como essa, lembrando de quem não deveria lembrar, mas sem nenhum tipo de temor prático.
Li uma frase de um texto hoje, dizendo que a gente não pode ficar procurando outro relacionamento a todo custo se ainda não se resolveu, uma visão bem diferente do clássico "um novo amor pra curar o velho amor". Estou a ponto de chegar à conclusão que esse amor não tem cura. Sabe aquelas coisas crônicas que a gente pode no máximo amenizar? Usam-se alguns paliativos eficientes, escolhe-se um modo de vida favorável, busca-se um pensamento mais positivo e assim se toca o resto adiante. E pode funcionar muito bem sim. Só que há essas minicrises que não dá pra controlar sempre, e é preciso aprender a conviver com esse quê de autotortura que adquirem as lembranças, com essa angústia mutante que escapa às distrações, com essa vontade desesperada de esquecer tudo, tudo!!!...
Vontade de um porre eterno.
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