
sábado, 31 de março de 2012
Picking

segunda-feira, 26 de março de 2012
Um Universo

Faço um curso de astronomia toda segunda, no Departamento de Física, das oito às dez e meia. É legal, já sei mais ou menos como se constituiu o Universo – aliás, rigorosamente, não foi com um Big Bang “porque não foi Big nem fez Bang”, como diz nosso professor. Sei que apenas um porcento dele é visível, que boa parte é feita ou de matéria negra ordinária (estrelas mortas, buracos negros, etc.), ou de matéria negra exótica (não se sabe o que é) ou de energia negra (mais de 70%). Sabe-se que há matéria negra porque todos os corpos da galáxia, estejam perto do centro ou na periferia, movem-se na mesma velocidade, logo, há algum tipo de material que promove esse equilíbrio. Além disso, essa matéria invisível manifesta-se gravitacionalmente. Há um halo gigante de matéria escura à volta das galáxias.
Cada galáxia tem aproximadamente 100 bilhões de estrelas, a Via Láctea tem o diâmetro de 100 mil anos-luz (a luz, na sua super velocidade, demoraria 100 mil anos pra atravessá-la de um ponto a outro). Não existe foto da Via Láctea porque o homem nunca conseguiria atingir tal visão panorâmica. No meio dela há um buraco negro relativamente pequenino, incapaz de engolir todo esse monte de corpos ao seu redor. Por outro lado, todas as galáxias são canibais e já engoliram galáxias menores.
Tudo começou quando uma partícula ficou sem antipartícula, ou antimatéria. Sem o seu par negativo, a partícula Forever Alone deu origem ao Universo, que passou a se expandir. Dizem que, em certo momento, ocorrerá a inversão da expansão, o Big Crunch. Mas o mais provável é que o Universo nunca pare de se expandir, seja em velocidade constante, seja em aceleração. O certo é que, de qualquer maneira, tudo isso acabará, mas não estaremos mais aqui pra presenciar este fim.
O Universo não é infinito, o espaço é que é.
O Universo é uma monstruosidade de espaço vazio.
domingo, 25 de março de 2012
Não acredito que ainda o fico vendo lá. Não acredito nessa minha atitude. Eu sou a alegoria perfeita, mais especificamente a parábola perfeita do merecimento do fracasso emocional. Já até considerei que talvez eu goste disso, talvez eu goste de me remoer toda e sentir a garganta pulsando, e a mágoa, e ouvir músicas downers. Ver suas carinhas felizes que não são pra mim. Tadinha? Tadinha o cacete. O mundo nunca pareceu tão equilibrado quanto nesse balanço das minhas atitudes.
E eu consigo ser tão medíocre, e tão mesquinha, a ponto de desejar ardentemente que ele não consiga se desligar de mim. Tenho pensamentos maus como os que eu tinha no ensino fundamental, depois do dia em que tava voltando pra casa e dois caras escrotos me chamaram de baranga. Eu passei uma semana inteira imaginando que pudesse tê-los espancado até ficarem moribundos, deitados no meio-fio. Mas eu me sentia bem com isso. Com o Renan é diferente. Toda vez que o vejo estampado de cara feliz sem mim, e quero que seu pinto caia, e quero que alguém coma sua bunda, e quero que se sinta incompleto e que isso doa, eu me sinto péssima. Eu me sinto uma baranga. Uma miserável. Uma escrota desprezível merecidamente nocauteada no meio-fio.
sábado, 24 de março de 2012
Adrenalina Cultural Brasileira
A apresentação com a Letícia na terça tinha sido tranquila. O tema era a subversão do emblema modernista na primeira obra de Jorge Amado, “O País do Carnaval” (a Semana Cultural Brasileira passou a ter tema, o deste ano é “As Viagens do Carnaval”). O Instituto de Estudos Brasileiros é uma sala não muito grande com uma baita mesa preciosa feita de pau amarelo trazido do Brasil, à volta da qual todos se sentam. Isso já dá um clima confortável, e eu já estava ciente de que a Maria Aparecida, nossa ex-professora de Literatura Brasileira e coordenadora da Semana Cultural, estaria lá com toda a certeza. Tudo certo, elogios, e a princípio ficamos pré-selecionadas pra publicar o artigo.
Mal saí da sala e já tinha planejamento dos slides com o Welton para sexta. Apresentaríamos sobre as influências africanas no léxico carnavalesco. Mas o corpus do trabalho estava meio inconsistente, eu sentia que faltava alguma coisa, só não sabia como arrumar isso, e estávamos em cima da hora. Na noite de quarta pra quinta, estudando pra prova da manhã seguinte, resolvi largar os textos de Análise e Crítica Literárias e buscar soluções. Pensei em ligar pro Welton, mas seria muita maldade fazer isso às três da manhã pra falar de hipóteses. Reli a Margarida Petter. Baixei o Aurélio Eletrônico. Varri listas e listas de vocábulos pra consertar o corpus, 300 do quimbundo, outras 300 do iorubá, mais as de origem africana desconhecida, mais umbundo, quicongo, caralho a quatro. E arruma quadro e reconstrói a metodologia. Cinco da manhã.
Prova feita sem grande desempenho, analisar um trecho do Livro do Desassossego nunca é fácil, e se eu tivesse passado a noite lendo coisas, nem adiantaria nada. Véspera da apresentação, continuação dos slides. “Welton, tu vai me odiar ou me adorar”, brinquei. Expliquei tudo. Ele concordou com as mudanças e terminamos os slides até a tardinha. Esboçamos levemente a apresentação, mas precisávamos formular melhor as falas. Tocamos pra um café com o Leandro até a meia-noite. Eu geralmente escrevo o que vou falar, mas tava tão cansada quando cheguei que nem esbocei nada e deixei tudo pro da seguinte.
Seis da manhã. Soneca. Sete, soneca. Oito, criei vergonha na cara e levantei. Bateu um pânico. Nunca tinha deixado tudo tão pro último dia. Não conseguia desenvolver as falas de frente pro espelho. E ainda precisava formular um glossário caso o pessoal perguntasse sobre o corpus. Replies para o Welton, ajustes dos slides, 11 da manhã e ele foi pra aula. Eu de pijama e pantufa. A nossa mediadora seria a Isabel Pereira, a melhor de Linguística, a minha favorita. E todos os colegas dizendo que estariam lá. A sessão ocorria na segunda metade da aula de fonologia, então muitos dos alunos continuariam por lá. Tínhamos combinado de nos encontrar à 1, mas eu tava paralisada demais pra me vestir, e ainda balbuciava as falas sem muito sucesso. Welton, vou chegar à 1:30. Welton, chego às 2, será que dá tempo? Tô nervosa. Ele também. Melhor era eu ir de vez, que a gente precisava muito ensaiar naquela literalmente última hora. Eu pensando em botar um vestido preto de algodão, que vestido guria, põe essa calça jeans, enfia esse notebook na bolsa e vai! Nem ouvir música no caminho eu ouvi.
O Welton ria de nervoso, e eu perdia algumas palavras. Não fala isso, tira aquilo. Vamos falar tal coisa na conclusão. Eu que costumo ter sempre um papel impresso bonitinho, tava até sem caneta, escrevendo desesperadamente numa folha de caderno, dizendo de novo a última frase – porque a última frase é a mais importante, é a que fecha a apresentação, a que deve ser dita clara e efusivamente –, e já eram três horas, e a Letícia tinha acabado de avisar que a Aparecida tava indo em todas as apresentações, e eu procurando mais informações sobre samba-enredo, porque quando aquela mulher não gosta de uma coisa, o sarcasmo come e todo mundo enfia o rabo entre as pernas.
A nossa apresentação era a segunda de três. A primeira foi a Érika, muito querida, mineira da UFV como o Welton, que falou de neologismos nos sambas-enredo e marchinhas. Os últimos seriam dois PLIs novos cariocas da UFF, com quem fiz latim. A menina é muito querida, mas ele é um arrogante, mal dá oi e quando dá é um resmungo, ou finge que não vê. Fim da apresentação da Érika, chegara a hora. Nem tínhamos nos dado conta de que não precisávamos nos identificar, porque se somos de sexos diferentes, ele não pode ser Aline e eu não poderia ser Welton. Mas tudo bem, segue adiante. A folha de caderno dobrada em cima do tablet – dica de curso de oratória do Dani: se acha que a mão pode tremer, jamais vá para a frente segurando um mero pedaço de papel. Depois, o pessoal brincou que até parecíamos um telejornal. Welton, depois eu, depois Welton de novo, depois eu. Chegou uma hora em que eu tinha uns três slides seguidos, ficou aquele excesso de ar nos pulmões, respira, calma, ok. Agora só faltavam as considerações finais e a última frase, tava tudo ótimo, faltava acertar a frase. Momento chave. “E este trabalho é mais uma forma de mostrar que, se não se pode falar de Carnaval sem falar de samba, também não se pode falar na constituição do Português Brasileiro sem mencionar as influências africanas. Muito obrigada”. Palmas. Ufa.
Subimos o anfiteatro triunfantes. Os terceiros falaram da metáfora conceptual nos sambas-enredo, numa postura bastante formal que a gente tende a dispensar, porque é uma semana cultural e não um colóquio ou congresso. Eu já era parcial antes mesmo de tudo começar, porque não gosto do cara. Tocaram dois sambas-enredo por longo tempo. Faltaram slides. Culparam o notebook da Érika, coitada. Fim da última apresentação. Alguém tinha observações, perguntou a Isabel. A Aparecida se manifestou. Começou com uma contextualização debochada naquele sotaque carioca que ela faz com primor, olhou pra nossa diagonal e pensamos: é agora. Mas foi pra Érika, sobre “barbadinhos” não ser um neologismo. E depois pros últimos, que além de slides comeram letras maiúsculas no PPT (e continuaram culpando a Érika). E a Isabel também discordava quanto a um aspecto do trabalho deles. E nós? Nada. Foi a glória. Até fomos falar com ela depois. Recomendou-nos outros dois dicionários pra aprimorar a lista coletada. Elogios dos colegas. Quatro da tarde. E eu me dei conta de que não havia comido nada desde o dia anterior.
Ainda fui pra aula de literatura, jantei com a Letícia e a Carol antes de voltar pra casa, dormi hoje até a 1 da tarde. Mandei um email pro John contando das apresentações, porque faltei às duas aulas. “Excellent! Aline! The presentations, I mean. I mean, I hope they were excellent. But it's excellent CV experience in any case.” Excelente! O John é efusivo até por email, adoro.
Tô menstruada. Acreditam que eu nem transei com ninguém esse mês e tava preocupada? Sei lá se eu acho que poderia vir a ser uma Não-Virgem-Maria moderna, grávida sem ter dado uma rapidinha sequer. Catei mensagens, fiz contas daqui e dali, e não me convencia. Guria loka. Eu devia sair, já que não tenho mais o Tiago com quem perder meu tempo, mas dá preguiça. Tanto trabalho só pra talvez ter a possibilidade de substituí-lo por outro Tiago. Ou por outro João. “E o Renan?” Olha, deve estar melhor do que eu. Na última tentativa de conversa, só teve desconversa. Ele não pode realmente dividir coisas comigo. Despedi-me e saí do msn, e ele disse que vai morrer sem entender minhas atitudes. Tem mesmo razão. Como lhe seria fácil entender uma guria – com quem ele terminou há anos e que está há um oceano de distância – que, por essas semanas, anda puta, mas putíssima mesmo com ele, só de imaginá-lo ficando velho longe dela?
quarta-feira, 21 de março de 2012
Os tocos que levei
Tanta coisa pra fazer que eu entrei na internet e fiquei. Ainda não terminei as leituras pra prova de amanhã. E depois tem todo o planejamento pra próxima apresentação. Mas a cabeça tá ruim.
A semana mais agitada do semestre começou com um toco estilo saiu-para-comprar-cigarros-e-nunca-mais-voltou. O último dos rolinhos combinou um encontro (sexo meia-boca com estadia, pros leigo). Mas foi só eu ficar pronta que o telefone não tocou mais. Adormeci vendo Breaking Bad, arrumadíssima, perfumadíssima, maquiagem impecável, autoestima zero. E todos os tecidos se encheram de bolinha até o amanhecer.
Mas obviamente não foi a primeira vez que isso aconteceu, uma vez tava me vestindo no banheiro quando o cara ligou e desmarcou. Num convite posterior, usei minha preciosa inteligência e levei duas combinações de roupa pro box, a de sair e a de chinelona, pra caso acontecesse o mesmo. Dito e feito, mas o importante é que dessa vez eu estava prevenida, isso é que é ser mulher post-moderna, sempre pronta para desfechos diferentes. O pior foi uma vez em que um cara mandou a seguinte mensagem quando eu estava saindo de casa: “não venhas, vou dormir”. Trocada pelo sono.
Já levei tocos de todas as cores. Mas quem nunca se sentiu com a buceta mais rejeitável do universo, não é mesmo? Não é a melhor das sensações, mas passa. Só teve um cara que foi realmente legal comigo nesse período, mas eu nunca quis ficar com ele. Pagou-me picanhas e cinemas. Uma vez bebi horrores e lhe disse grosserias de que nem me lembro. Vomitei nele. Acordei e tinha um lanche numa caixinha ao lado da minha cama. E a resposta a toda a minha idiotice foi: “ainda arrasto uma asinha por si”. E nunca quis beijá-lo. E não respondo suas mensagens.
Moral da história: se já fui vítima de escrotos, fui escrota também. Poderia pensar que estaria colhendo os frutos das próprias atitudes para com quem me queria levar a sério, que seria algum tipo de intervenção divina, mas será que o Além se preocuparia com esse tipo de coisa? Poderia também cogitar que as chances de duas pessoas se conhecerem e se gostarem não são tão grandes assim, que essa sorte não é para todos. Esses dias caiu um tweet muito ilustrativo na minha timeline: “A pessoa te ama. A pessoa mora perto. A pessoa é bonita. Escolha duas opções.” (Ela vai falar do Renan em 3…2…1…)
Não, deixa pro próximo post. Chega de tocos por hoje.
terça-feira, 20 de março de 2012
Semana Cultural Brasileira
Trabalho trabalho. Dia todo na UC. Aula. Slides. Ensaio. Artigo. Último ensaio. Apresentação. Palmas. Planejamento da próxima apresentação. Artigo. Slides. Ensaio. Aulas. Prova. Trabalho. UC. Dia todo.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Line oblíqua
Fiz tanta coisa hoje que até fiquei triste. E com dor no braço e na bunda. Nisso que dá fazer trabalho em dupla, você não pode procrastinar muito.
Tentei uma sessão de choque de Renan e entrei na sua página do Facebook pra ver se me torturava a ponto de deixar pra lá só por hoje, que já tô downers de cansaço. Não funcionou. É muito maluca essa coisa de rede social. A pessoa ali, numa vitrine azul, num terno gigante, congelada com outra pessoa enquanto eu cavoco o couro cabeludo de agonia comendo chocolate preto. A loka da Line. Sempre procurando as páginas inadequadas e sempre inadequada para a situação. Cara, eu trabalhei arduamente em dois artigos hoje que talvez consigam publicação, e termino o dia arrasada, pensando sobre estar perdendo-o aos pouquinhos, constringindo minha zona de alcance, vendo-o de longe na vitrine azul, e a loka da Line sumindo sumindo, transparente, a loka da Line se entrecruzando com o nada num poema interseccionista que o Pessoa jamais teria a mediocridade de fazer.
domingo, 11 de março de 2012
Ouvindo Elephant Gun porque ninguém está vendo. A música piora nesse refrão de instrumentos de sopro, mas tudo bem. Mudei pra Radiohead. O sono se foi e pelo jeito não tenciona voltar, e são 5 da manhã. E o Dani catou por aí um cara meio escandaloso que solta uns gemidos periodicamente no quarto ao lado, logo a coisa ficou meio difícil. Tô terminando O País do Carnaval. É tanta discussão sobre o sentido da vida e a existência da felicidade que fiquei meio downers. Já não basta o Pessoa lamentando não poder juntar felicidade com racionalidade, invejando o canto da ceifeira, “com sua voz cheia de alegre e anônima viuvez”. Os grandes escritores e pensadores só reforçam que a gente só pode ser feliz em absoluto com um pouco de ignorância, de alienação. Quando a gente se apaixona e esquece o resto da vida, por exemplo. Ou quando projeta a felicidade em algo ou alguém. Ou quando encontra desafogo nas birita e no sexo por umas poucas horas, passando “a esponja da carne sobre o cérebro”, como diz Jorge Amado. Tem também as pessoas que se dedicam incondicionalmente a uma religião. E tem quem constrói a ambição de alcançar a serena indiferença perante tudo e todos, como o Pedro Ticiano, e também fracassa.
É até bonito ver o dia raiar assim, sem precisar sair, podendo voltar pra cama a qualquer momento. Fiz um autêntico frango frito americano ontem, e uma maionese sem ovo com alho, ficou até alho demais, da próxima eu acerto. Almoço de domingo pronto. E acho que hoje ainda vou fazer um bolo. De cenoura. Da Lena. Cada um com seus exercícios favoritos de distração do dilema da busca da felicidade.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Nada de mensagens bobas offline, Aline. Ó vida. A vida gosta de ser aquele quadro tosco do Zorra Total (como todos o são) em que o jargão era “isso não te pertence mais…”. Eu acho que é do Zorra, se não for é de uma novela.
Às vezes eu odeio tanto seus gostos, mas é porque gosto e não quero gostar; alguém manda um vídeo do Beirut e eu curto alguns segundos antes de fechar e abafar o crime. Nada que ele estampe em sua página no Facebook me pertence. É uma coisa infantil. Não sou a criatura mais madura da cidade.
Eu sinto saudade dos old times. Como bem diz o Charles, saudade é uma palavra tão portuguesa. Ah, se as coisas fossem mais encaixáveis, se a vida fosse um lego pra brincar de encaixar infinitamente. Eu parava de chorar e encaixava o sono aqui, desencaixava as olheiras dali, montava meu próximo dia na UC com intervalos de comida da mamãe e papos do papai, ajustava uma piada pro molico e depois aumentava a pilha de livros pra ler e estudar. Terminava o dia no sofá do Renan. Vamos assistir ao Chaves. Vamos fazer gordices pra comer. Tenho reclamações de um dia inteiro pra despejar. Preciso de umas dez piadinhas bestas hoje. E preciso de um refri. – O quê, não tem refrigerante? Peraí que já resolvo. E clic, encaixava uma Coca dois litros na geladeira.
domingo, 4 de março de 2012
Renan apareceu. Nós falamos sobre comida, gostos musicais que não batem, últimas notícias do futebol. Será que este é o ponto de equilíbrio? Toda vez que sentir saudades e vontade de expressá-las, jogar uma pergunta culinária? – Gosta de bergamota? Gosta de milho? Gosta de Ki-Suco? Gosta de pão com mortadela? – Talvez eu até passe melhor assim. Ou é só uma questão de me habituar, sei lá.
As aulas estão boas. Meus dois projetos pra Semana Cultural Brasileira, feitos em dupla, foram aprovados. Isso significa mais trabalho, mais escrita, mais motivo pra ficar com os cabelos pela grama como a Paula Toller só que sem a parte da grama, mais nervosismo com duas apresentações de vinte minutos pra planejar. Isso é sofrimento. E pensar que eu quero algo assim pra minha vida. Isso é Pathos.
Acho que se um dia eu fizer uma tatuagem, vou tatuar Pathos. Em algum lugar menos no lombo e nos meus bracinhos gorduchinhos. Puxando a semântica, pra mim isso é a essência de todo ser vivo dotado do traço [+humano]. À parte, é claro, daquilo que filósofos como Vygotsky asseguram, dizendo que essência não existe blábláblá (nunca li nem reli eu só ouço falar).
E o que temos para conclusão? O Renan vai ao show do Noel em maio. E parou de tomar refrigerante. Cada um com seus tiques, ruim mesmo seria se ele virasse vegetariano ou, pior, vegano. Eu não teria essa capacidade. Minha relação com a comida fica pelas fronteiras de uma food addiction. Pra vocês terem uma ideia, estou imaginando há meses o momento de chegar em Campo Bom e pedir um xis-salada-sem-tomate do Adelmo com coca, um crepe da barraquinha de crepe do centro, uma panqueca da vovó, cinco churros da tia do churros, muito sorvete do bufê da Tutti-Frutti, o churras e os bolinhos de milho do meu pai todas as comidas e sobremesas da minha mãe. Que Deus me ajude.