
Já contei que ando fora da casinha? - ...Ok, piada pronta, eu já nasci fora... Mas digamos que eu esteja mais ainda. Sábado à noite, coloquei uma chaleira de água no fogo pra fazer um chá e fui dormir. A sorte foi que mamãe - sempre mamãe... - sentiu que a madrugada tinha algo estranho no ar e levantou pra checar, evitando que a chaleira se derretesse sobre o fogão e sei lá o que mais poderia acontecer. Com muito mais frequência, esqueço informações importantes no caminho da cozinha ao quarto, esqueço o que ia falar. A mãe me aconselhou a comprar um guaraná cerebral e comentar essa fora-da-casice com o médico hoje de manhã, mas (adivinha?) esqueci de fazê-lo.
São reuniões que não acabam mais, há horas que não consigo nem dar as caras no PPG. Hoje levei meus pais à Uni, pra conversarmos com a Adila, coordenadora da Letras. "Fala mais que o home da cobra", disse o pai. Pior que não tem como negar... Mas também é difícil encontrar alguém tão prestativa como ela. Voltamos com dois ônibus, de São Léo a Novo Hamburgo pegamos um pinga de morrer. Passamos por tanta rua miserável e suja e gente feia que a mãe só conseguia pensar na iminência de um assalto. Eu já tava imaginando neguinho jogando pedra no ônibus, que medo. Mundo de merda, né? A gente não consegue dissociar pobreza de violência de aparência.
E eu ando muito fora mesmo... É informação demais em pouco tempo, são muitas mudanças pra uma conservadora ortodoxa como eu. E mais, sabe por onde a minha mente vaga, em meio a ônibus lotados de pirralhos que vomitam carreteiro amarelo? Por Renan (sim!) e todas as lembranças anexas, pelo Suarez, pela parada da Realce, pelas mãos dadas... Como é que não vou pirar desse jeito? Parece uma corrente de coisas perdidas que me puxa dizendo "volte, volte..." E o pior é que ele nem está lá, nem ali, nem aí. Nem quer saber por onde ando, pra onde vou, o que faço, o que escrevo. Aquilo que sempre foi um dos meus maiores medos já parece tão concreto que eu nem sei o que dizer...
O foda é que nem precisa; no vácuo não se ouve nem se diz nada mesmo.
São reuniões que não acabam mais, há horas que não consigo nem dar as caras no PPG. Hoje levei meus pais à Uni, pra conversarmos com a Adila, coordenadora da Letras. "Fala mais que o home da cobra", disse o pai. Pior que não tem como negar... Mas também é difícil encontrar alguém tão prestativa como ela. Voltamos com dois ônibus, de São Léo a Novo Hamburgo pegamos um pinga de morrer. Passamos por tanta rua miserável e suja e gente feia que a mãe só conseguia pensar na iminência de um assalto. Eu já tava imaginando neguinho jogando pedra no ônibus, que medo. Mundo de merda, né? A gente não consegue dissociar pobreza de violência de aparência.
E eu ando muito fora mesmo... É informação demais em pouco tempo, são muitas mudanças pra uma conservadora ortodoxa como eu. E mais, sabe por onde a minha mente vaga, em meio a ônibus lotados de pirralhos que vomitam carreteiro amarelo? Por Renan (sim!) e todas as lembranças anexas, pelo Suarez, pela parada da Realce, pelas mãos dadas... Como é que não vou pirar desse jeito? Parece uma corrente de coisas perdidas que me puxa dizendo "volte, volte..." E o pior é que ele nem está lá, nem ali, nem aí. Nem quer saber por onde ando, pra onde vou, o que faço, o que escrevo. Aquilo que sempre foi um dos meus maiores medos já parece tão concreto que eu nem sei o que dizer...
O foda é que nem precisa; no vácuo não se ouve nem se diz nada mesmo.
Pena que,
ResponderExcluiresquecendo-o tudo,
ainda não esqueças o que te faria bem esquecer...
Sabe aquela historinha da igreja de Gramado, q eu recriei na mente toda melhorada e depois me decepcionei pq não tinha nem uma escadaria na frente? Então, o Suarez é a mesma coisa. Eu recriei ele todo, até a calçada... mas principalmente os hóspedes. Coloquei gente lá dentro que nunca esteve nem no RS. Se um dia eu ganhar na Mega Sena acho que vou comprar aquele hotel, só por capricho. E refazer ele todo, ao menos a parte que me cabe.
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