segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Coimbra, cheguei!


Oi, gente! Mais especificamente, oi, gurias! Finalmente consegui achar um tempo pra escrever... Tô com os horários meio bagunçados ainda, hoje tive três aulas e quase dormi na última, o que me fez lembrar que preciso passar a dormir mais. Desde que chegamos e até ontem, batemos perna pela cidade por horas a fio, subindo e descendo escadas e ladeiras, ou pra procurar apartamento (já encontramos uma casa, acho que nos mudaremos na quinta), ou pra visitar algum lugar legal. A cidade é linda, cheia de contrastes, cheia do diferente. No início, parecia que eu tava de férias ou algo assim... Mas a sensação durou pouco, que logo já tivemos que fazer o NIF, uma espécie de CPF Português, encaminhar o visto de residência, providenciar a matrícula... A aula inaugural, que diziam que não podíamos perder, estava tediosíssima. Melhor foi o concerto de abertura das aulas de uma orquestra contemporânea, o Lume. A agenda cultural é bem movimentada, logo vai ter um balé de Romeu e Julieta e O Auto da Barca do Inferno que também queremos ver.

Ah, preciso mandar um valeu pra Monique, botei a turma toda pra controlar os gastos no Organizze. Não que as coisas sejam caras, almoça-se bem numa cantina por pouco mais de dois euros, mas a Capes vai demorar a depositar o salário. Eu ainda nem recebi o valor inicial, só agora me mandaram o motivo pra resolver a pendência... Ainda bem que papai vai me mandar mais um pouco de dinheiro.

A Universidade de Coimbra é bonita também, os alunos usam um traje tradicional com uma capa preta que eu achei o máximo. Tudo tem um ar mais clássico, cheio de monumentos, estátuas e colunas. Essa semana o pessoal tá passando trote, chamam isso de praxe. Havia vários grupinhos de "caloiros" sendo submetidos pelos veteranos, tendo que dançar, gritar, subir e descer escadas, dar as mãos por debaixo das pernas, se ajoelhar, rezar, beber e fazer tudo o mais que lhe disserem de cabeça baixa. O Gui topou ser um praxe, voltou agora à tarde rouco e fedendo a pinga. Disse que "foi bem legal mas amanhã eu não vou mais". Eu tô fora, vou fazer como a professora de Latim do Dani disse: "finja-se de veterano".

E falando em beber... Eu até não pensei que fosse sair tão cedo, mas no sábado, fomos à Praça da República com o resto da gauchada. Acabamos por ir à Associação Acadêmica de Coimbra, com a galera da UFPel (tem uns gays animadíssimos na turma), tava rolando um pop. O legal é que aqui não se paga entrada, no máximo há um valor de consumação. Pois bem, não tinha Smirnoff ou tinha mas não sei como chamam aqui, então pedi vodka com qualquer coisa e o tio me deu uma dose com Pepsi. Na terceira já tava meio zonza, e ainda resolvi tomar dois chotes endiabrados de sei lá o quê. Foi o suficiente pra sair cambaleando pela pista, um pouco dançando um pouco me segurando nos outros; depois ser carregada pra outra balada de rock, perder a comanda e por pouco não ter um prejuízo de cinquenta euros; ficar com o Rudinei, um guri meio bobo da Matemática da UFPel, e ter de ser trazida às seis e meia da manhã por ele e pelo Gui, com a única e ébria preocupação de acordar cedo pra tomar café na pousada. "Tu não vai tomar café amanhã", disse o Gui. Estava certíssimo, claro. Acordei à uma, o Gui me contou as coisas que eu não lembrava. O curioso é que não é comum ver pessoas se beijando em festa, disse o Gui que ficou todo mundo me olhando como se fosse um bicho estranho.

No domingo, comemos picanha com arroz, feijão e batata frita num lugar chamado X-Tudo, uma pena que não tinha xis mesmo, e o cachorro quente aqui também é diferente. Mas foi bom comer feijão outra vez... Depois fomos ao shopping de Coimbra, só pra olhar vitrines mesmo. Fica mais longe, do outro lado do Rio Mondego, mas vale a pena só pela vista que se tem da parte antiga da cidade. E a gente já tá até se acostumando a caminhar horrores... Ao final do dia, voltando pro residencial, demos a sorte de nos depararmos com uma coisa inusitada: a Orquestra de Sopros de Coimbra se apresentando ao ar livre, tocando até música brasileira com direito a um grito de "Brasil!" no final. Impossível não conter um "uhuul!" bem tupiniquim ao fim da peça; foi uma das coisas mais emocionantes que já vi.


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