sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Close your legs and dance


I've been such a pessimist girl in this blog... Mas também devo considerar o fato de que a vontade de escrever geralmente bate quando tem coisinhas negras dançando na cacholinha. Eh bien, como diria Poirot, eu sempre gostei de fazer o tipinho drama queen. Porém não quer dizer que esteja tão mal assim, certo?

Recapitulando, ganhei uma bolsa de estudos do governo brasileiro na Europa - num país periférico fodidíssimo, of course, mas pelo menos aqui as coisas são mais baratas que nos demais -, e durante dois anos não preciso trabalhar, apenas estudar, e ganho seiscentos euros por mês pra isso - dá pra viver tranquilamente com esse montante, mas atualmente estou no vermelho porque das últimas vezes em que me deparei com uma livraria ou uma boa loja de roupas acabei me descontrolando no cartão de débito -, posso acordar tarde a não ser que tenha aulas de manhã, posso passar horas lendo na biblioteca, posso fazer caminhadas à margem do Mondego e ir a festas todo o fim de semana, porque a entrada nos lugares é super barata e sempre consumível. Não é lindo? Acho que já vou começar a chorar de saudade desse tempo...


É claro que há os contudos, como ficar longe da família (e ganhar uma nova que não é cem por cento aprovada). O caso Karen só vai terminar quando ela se mudar, a última discussão apontou que vai ser logo. E não é só o fato de ela ser uma pessoa insuportável, é que não faz nenhuma questão de fazer por merecer a oportunidade e respeitar a instituição que representa. Ela plagiou uma apresentação de uma professora da Unisinos, acreditam? E achou o máximo. Milhões de brasileiros pagando pra Karen estar aqui, inclusive meus pais e meus amigos, pra ela mal se prestar a fazer algo de seu. E é por essas coisas que temos vergonha de fazermos parte do mesmo grupo.

Eh bien (andei assistindo a Agatha Christie's Poirot, não reparem), nem tudo são desgostos. Obtive bons resultados este semestre, um que outro ótimos - e tudo com minhas próprias letras e vírgulas, juro. E aqui em casa, de resto, damo-
nos muito bem. A Nati e o Beto são uns amores, com o Gui e o Dani divido as gororobas e as prateleiras, com este último um pouco mais que isso. O Dani me ensinou a fazer mais piadas e a ir pra festa de saltos baixos pra poder dançar mais. Um rock ou eletrônica, uma vodka-com-suco-de-maçã-e-groselha, e dá pra deixar muita coisa pra lá. Passamos o fim de semana no Porto há uns dias atrás, pulando de padaria em McDonalds, nem fomos ver o mar, que aquelas camas da pensão tavam ótimas. O Dani é cool e cult, mas tudo na medida. Porque é impossível manter uma amizade que não permita falar boas merdas de vez em sempre.

Que mais eu vou contar de bom? Compramos passagens pra Madrid, vamos o Gui, o Dani e eu. Espero que as festas sejam tão boas quanto a propaganda. Esses dias sem fazer nada até que estão muito legais, e um janeiro de frio é o máximo. Dia quatorze volto à rotina de estudos, e algo me diz que as aulas de fonética vão me fazer espernear um bocado.

Uma coisa chata: esses portugueses lindos, inteligentes e fofos que desaparecem no day after. E não, eu não me acostumei ainda porque sou boba demais. Mas quem sabe ainda me habitue, quem sabe eu mude, não há mais muito espaço pra românticos no mundo post-moderno em que vivemos.

Uma convicção: não dei e nem vou dar pra esses portugueses lindos, inteligentes e fofos que desaparecem no day after. Não me sentiria bem fazendo isso, não no momento. Estaria me comprometendo de certa forma, ao menos é o que o meu corpo me diria. Parece que sou à moda antiga nesse ponto, mas quem disse que tenho que bancar a moderninha só porque estou longe de casa? Mantenho-me convicta de que preciso manter certas convicções até onde for preciso.

Um registro (ou registo, como dizem os portugueses): como é difícil passar um post sem falar no Renan, deixo aqui a marquinha do centro do meu aparelho cardiovascular, que não o deixa pra lá, por mais que ele às vezes me pareça tão diferente, tão distante, e ao mesmo tempo tão próximo como sempre, com aquele jeito disfarçado de quem não queria se importar, mas que lá de vez em quando me manda umas letras perguntando se estou viva. - Yes, I am.


Um suspiro: sinto falta da Galera da Recepção, dos drinks e papos, dos rolos de trabalho, das conversas sobre aquilo que acaba sempre por sustentar nossas principais aflições: os guris! Sim, senhoritas neo-feministas de plantão, os sentimentos e desejos femininos ainda estão a vagar por aí, por mais indiferentes que se mostrem esses sujeitos lindos, inteligentes e fofos que desaparecem no day after.


E assim a vida continua, Ladies and Gentleman. Dancemos.



Um comentário:

  1. close your legs HSUAHSUAHUSAHUSH, morri hsuahsuahsuahsuhuahu...

    NADA como a Europop pra alegrar o blog :)

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