Renan não tem aparecido no msn como antes. O motivo pode ser mil coisas, desde resolução de ano novo até troca de turno de trabalho ou algum acontecimento que não me diz respeito. Vamos (tentar) parar de pensar que toda e qualquer mudança tem relação comigo, e aceitar que nem sempre tenho o direito de encher o saco. Pra isso tenho o blog, pra reclamar, desabafar, organizar os mimimis. Foi até conselho da minha melhor professora de linguística e didática de Coimbra e do universo: se têm algo a reclamar, seja o que for, façam-no por escrito. Isso ajuda a desenvolver uma boa escrita, que é uma questão de treino, e também os fará ver os fatos de modo mais concreto.
É como se eu escrevesse cartas que nunca vou mandar, que são compartilhadas com alguns, e que quem sabe um dia voltem a ser relidas por mim aos risos (ou aos prantos, sei lá). Agora vamos começar a falar de coisa chata, vamos falar da minha rotina. Eu gosto de rotinas. Até quarta-feira, quando recomeçar o mini-curso de francês, o tempo vai ser gasto quase da mesma maneira. Meu café da manhã é sagrado como mamãe ensinou, seja às 9 ou ao meio-dia. É a minha refeição mais saudável, quem sabe uma tentativa de purgar os pecados calóricos das horas seguintes. Faço minhas refeições no quarto, volto pra internet ou pros livros (mais pro primeiro que pro segundo), adio os últimos compromissos do semestre.
Como alma gorda que sou, já acordo planejando as refeições do dia, procurando receitas mirabolantes no Tudo Gostoso ou no Cybercook ou na Recepédia ou num blog de dona de casa que posta os pratos aprovados pelo marido e filhinhos, e volto à cozinha torcendo para que meus housemates tenham lavado a panela que quero usar. Ontem foi dia de fracasso culinário, botei água demais nos quindins e tentei fazer batata suíça numa frigideira que de antiaderente não tem nem o cabo. Acontece.
Meu quarto está arrumado, de embolada só tem a minha cama e a minha cara, passo o dia de pijama, ponho um casaco e passeio pela Baixa no fim da tarde. Raramente falo com gente ao vivo, a não ser com a caixa do Pingo Doce. Da minha outra housemate nem preciso comentar, o Dani tem horários diferentes, e nem com ele criei aberturas a ponto de poder conversar sobre o que escrevo. E assim, sinto que poderia passar dias e dias sem falar com ninguém, sei lá até que ponto isso é normal, nem me interessa saber.
O horário de recebimento de mensagens fica entre as 4 e as 5 da manhã, olha se não é um estudante da tradicionalíssima UC buscando distrações de fim de festa. Não posso me parar de ofendida, é o tipo que encontrei por aí, um pouco é azar porque todos sempre parecem muito queridinhos no início; um pouco é sorte porque seria difícil ir embora deixando alguém que realmente prezasse pela minha companhia; um pouco é escolha, e também posso escolher ignorá-los, como de fato ando fazendo. Aparentemente, evoluí um pouco nos draminhas de foreveralonice, isto é, as lengalengas são as mesmas, mas sem o chororô desesperado dos velhos tempos.
O mesmo não se aplica ao Renan, mas essa história é velha, vocês sabem. Não é porque as nossas conversas me fazem bem que ele estará sempre à volta. Talvez seja realmente sorte só encontrar esses canalhinhas por aí, meu cronograma ficaria meio apertado se eu tivesse mais uma alma por quem sentir saudades mais que sexuais, nada práticas e nada dissipáveis, sempre urgentes. Ter de lamentar o dobro no blog, imagina! Quem sabe fazer um post pra cada um… Eu não escrevo tão mal assim pra ter tanto o que praticar.
já voltará...
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