sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Tots som vianants


Uma certeza consolidada ao longo deste intercâmbio: pra descobrir se você realmente tem afinidades com uma pessoa, viaje com ela. Passe cinco, dez dias ao seu lado hospedado num hostel com dez  camas por quarto, percorrendo ruas desconhecidas com um mapa da cidade e outro do metro/metrô na mão, fazendo – ou não – planos diários, administrando o espaço do beliche e o da própria malinha de mão nos padrões low cost da tão odiada mas necessária Ryanair: medidas 55x40x20cm, e nada de estufar a bendita, que se não couber nesse compartimento aí embaixo, ou se enfiam mais roupas em algum lugar do corpo ou se pagam quarenta euros de multa.
 
imagesIf it fits, take it onboard. If it doesn’t, you’re fucked up.
 
É claro que de alguma forma se tem de pagar pra viajar pela companhia mais barata do mundo. O preço máximo de uma passagem da Ryanair não chega à metade de um bilhete da Tap pros mesmos destinos. A gente reclama um pouco, no já famoso tonzinho brasileiro “classe média sofre”, mas no final é engraçado. Após a aflição do “ai-meu-deus-será-que-a-minha-mala-vai-caber-no-buraco”, embarca-se ao som de uma música clássica que deve ter o objetivo de acalmar os ávidos passageiros buscando desesperadamente encontrar um lugar pra mala e pro próprio traseiro o mais rápido possível. O avião mal decola e começa a deliciosa sessão de propagandas: lanches, drinks, perfumes, relógios, cremes, cigarros sem fumaça – em três sabores diferentes –, ingressos e bilhetes de loteria com uma percentagem destinada a crianças necessitadas. Mas o melhor mesmo é a musiquinha de aterrissagem e as pessoas batendo palmas por mais uma chegada segura e pontual – afinal, empresas low cost não podem se dar ao luxo de atrasar os voos e pagar multas ao aeroporto. I love Ryanair:
 
Vejam o momento glorioso aos 45 segundos.
 
Voltando ao início do raciocínio, os acompanhantes são as engrenagens da aventura toda. É por isso que a minha ida ao Reino Unido foi tão desagradável, apesar do lugar maravilhoso, e até hoje nem vi as fotos direito. A viagem pra Londres foi na base do que eu chamei de turismo militar: visitar pontos turísticos como se fosse obrigação, com tempo contado, com alguém querendo me mandar limpar a bolsa “pra não perder tempo procurando as coisas”, ou determinar o horário em que eu devo tomar banho pra não me atrasar. Tal foi meu espanto e meu desgosto que não tive outra reação a não ser permanecer monossilábica durante a viagem toda, carregando dez quilos numa alça só da bendita mochila, tomando chuva em Dublin porque a pessoa não podia esperar meros cinco minutos debaixo de uma parada até os pingos passarem. Era proibido sentar em algum lugar para apreciar a paisagem, a palavra de ordem era exaustão. Não falo direito com ela até hoje.
 
(Em tempo: não viaje de mochila se você não for uma pessoa extremamente mulambenta básica, este é o princípio fundamental dos mochileiros. Se você for um mínimo limpinha fresca, vai levar roupa demais até arrebentar ou a alça da mochila, como eu, ou as costas, como a Lívia. Mesmo que seja uma malinha low cost, terá rodinhas maravilhosas que facilitarão o transporte. Perambular de mochilão com roupa de explorador que faz safári na África não é pra todo mundo.)
 
 
Toda essa reclamação – que o Renan ouviu mil vezes aos risos quando voltei de Glasgow – é pra contar o maravilhoso contrário de Barcelona. O Dani já é amigo desde o início, e a outra companhia foi uma doidinha mineira chamada Lívia, que está em Coimbra de Erasmus e vai embora em fevereiro. Pra melhorar, uma conhecida que estava no  mesmo hostel acabou virando inimiga em comum, e não há nada mais prático pra unir pessoas do que um bom antagonismo. Já tendo esclarecido que o melhor dos paraísos pode ser arruinado por convivências mal sucedidas, afirmo o óbvio – Barcelona é linda pra caralho.
 
DSC04380Não fui mas tirei foto.
 
Pegamos o Aerobus até o centro, na Plaza Catalunya, chegamos ao Hostel perto do meio-dia. O Dani e a Lívia conseguiram dormir até a noite, mas eu não tenho facilidade pra ficar na cama de dia desde os tempos de creche, então resolvi dar uma perambulada pelas Ramblas até dobrar no mercado La Boquería. Quis dar uma de chique e comprar um chocolatinho sem perguntar o preço, deduzindo que seria no máximo dois euros. Tomei no rego e tive que desembolsar o dobro.
 
DSC04403Cuidado con La Boquería
 
 

DSC04420


 

Porto Vell
 
 
No dia seguinte, o Dani quis dormir mais e a Lívia e eu saímos pra explorar a região da plaza Espanya. É possível subir nas Arenas, um centro de compras, e ter uma vista panorâmica. Só faltou tirar foto da paella de pollo deliciosa que comemos na volta, com dois litros da melhor sangria que já bebi.
 
DSC04469Arenas de Barcelona
 
 
DSC04492Monumento do Miró no parque homônimo. O Google diz que é uma mulher e um pássaro, a Lívia disse que é um casulo, eu digo que é um troço colorido no meio de uma praça.
 
 
Curtindo um Beatles ao vivo em frente ao Palácio Nacional
 
 
DSC04528    O Anel Olímpico
 
 
DSC04555Olha esse céu
 

DSC04567El Corte Inglés no clima de fim de ano
 
 
DSC04582Temperatura agradável pra quem curte um inverno.
 

DSC04600Passei na lojinha do Dalí pra comprar um bottom da única – e mais famosa – obra de que conseguia me lembrar. Ainda tive que chegar em casa e pesquisar o nome do quadro. É muita cultura.
 
 
DSC04640Dá vontade de aprender catalão
 

DSC04646  Tenho adoração por essa combinação galhos mais céu azul. Cada um com seus gostos.
 
 
O terceiro dia foi a vez de andarmos de teleférico até o Castelo de Monjuïc e percorrermos o litoral, terminando a caminhada num bar da Barceloneta onde comemos um pão seco com salsicha e cebola com status de hot dog por 5 euros.
 
DSC04655Vista do Parque de Monjuïc para o Port Vell
 
 
DSC04682Line gateira jogando seu charme a um felino catalão
 
 
DSC04688Vista do teleférico rumo ao castelo
 
 
DSC04720Castelo de Monjuïc
 

DSC04748Vista para o Mirador
 
 
DSC04772Alegre
 

DSC04793O Porto Vell
 
 
DSC04811Difícil deduzir, mas ele tava fazendo música eletrônica.
 
 
DSC04828Praia da Barceloneta
 

 
Tinha descartado o Museu Erótico do plano, porque quase todas as resenhas eram negativas, dizendo que não correspondia às expectativas. A Lívia achou uma solução simples: “vamos entrar sem expectativas”. Ganhamos um descontinho por sermos brasileiras tal qual as funcionárias, e como visitantes recebemos um copinho de champagne. Realmente, o acervo não é grande coisa, mesmo pra quem tentou não esperar algo muito singular.
 
 
DSC04876Cadeira erótica francesa
 
 
DSC04910 Jardim Erótico - ColagemUma gracinha de jardim
 

 
A Sagrada Família é um dos maiores cartões postais de Barcelona. É claro que ela tinha de estar em obras, é como quando pobre resolve ir pra praia e chove, mas ainda assim a vista não deixou de ser impressionante.
 
DSC04958Dúvida do Dani: “Será que o Gaudí achou que ia ficar assim mesmo?” Risos.
 
 
Line na Sagrada Família
 
 
Nessa noite eu perdi as contas da vodka no hostel e paguei caro, passei metade do dia seguinte vomitando como não me acontecia desde a mistura de vinho com vodka e sprite numa das memoráveis jantinhas da galera da recepção. Não havendo injeção de Plasil, tomei foi soro mesmo, aquele com gosto horrível que nem o melhor aroma de laranja melhora, mas ao menos fiquei boa à tardinha pra irmos ao Parque Güell, outro must-see da cidade. O cair da noite dificultou a apreciação de tantos detalhes, mas a vista compensou e muito:
 
Olha esse céu de novo
 

 
A casa do Gaudí
 

 
Sobre festas: pra não dizer que não fui a nenhuma, fiquei umas poucas horas num lugar chamado Arena Vip, no dia 24, uma balada gay bem animada. A Lívia não foi porque estava cansada, e a nossa futura antagonista estava na rodinha com outras pessoas que não conheço muito bem. E se o santo não bate, ou a gente bebe mais ou vai pra casa. Quando qualquer drink custa no mínimo dez euros, a gente vai pra casa.
 
 
Pegamos o avião pro Porto às onze, dormimos lá uma noite pra não precisar voltar de madrugada pra casa. Aproveitei pra comprar uns postais alternativos num lugar chamado A Vida Portuguesa, que tem vários objetos autênticos e souvenires na onda dos produtos vintage, e dá vontade de levar metade da loja. “Sabendo que era impossível”, gastei três euros e vim embora. Ainda tirei uma fotografia da Lello & Irmão, considerada pelo Guardian em 2008 a terceira livraria mais bonita do mundo. O Porto parece  mesmo gostar de rankings: lá também tem o café Majestic, considerado o sexto mais bonito do mundo; e é a cidade da francesinha, que está entre os dez melhores sanduíches do mundo (ainda não comi pra dar minha opinião abalizada). Parece que algumas cenas de um dos filmes do Harry Potter foram filmadas na Lello & Irmão, mas não encontrei demais informações, e não assisti a nenhum dos filmes. Na época em que estaria mais suscetível a gostar dessas histórias, meus pais consideravam-nas coisa do diabo, então eu deixei pra lá, e um ano depois virei fã de AC/DC. Fotos do interior são encontradas no Google, no momento é proibido fotografar dentro da livraria. E as imagens da internet estão muito mais bonitas que a visão real.
 
 
 
Voltei pra minha bagunça coimbrã ontem à noite, e ainda não tive coragem de desfazer a mala. Passarei o Reveillón aqui, por motivos financeiros. Talvez faça uma lentilha, não pela tradição mas porque é gostoso mesmo. Não dou bola pra essa data, nunca passei ano novo de branco, ano passado virei o dia 31 assistindo a The Walking Dead e ouvindo os portugueses batendo panelas à meia-noite. Se o sucesso de cada um fosse apenas uma questão de fazer meia dúzia de rituais a cada 365 dias, as coisas seriam mesmo fáceis. Um rito que eu toparia fazer era aquele banho de pipoca do nordeste, mas porque acho a ideia engraçadíssima. E porque gosto de pipoca.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011



Renan tem recebido ligações de Portugal, e de acordo com minha sanidade e meus registros telefônicos, não sou eu. O que fiz foi dizer a verdade sem ter provas, contestar a acusação puramente lógica. Não que houvesse algo negativo em ligar, mas essa coisa de discar sem querer falar cairia bem talvez num sucesso sertanejo (universitário?), não na vida real. Expliquei-lhe que evito esta prática pra não ser inconveniente, ocultei-lhe meu medo específico de ouvir uma voz feminina do outro lado. Disse-me pra deixar pra lá, mas até que ponto ele deixou, não sei.

O Verissimo tem uma crônica em que um homem perde a aliança num bueiro e, em vez de contar a verdade, percebe que é melhor mentir e dizer que tinha ido a um motel com outra, que tirou-a pra namorar, e termina a falsa confissão sugerindo a separação. A mulher se tranca no quarto por dez minutos e sai de lá perdoando tudo, "porque o importante é que ele não mentiu pra ela". Se eu fosse mais esperta, também teria mentido, seria até um sinal de competência comunicativa respeitando a máxima da qualidade do Grice. Fui eu sim, eu diria, tentei ligar mas a ligação caía. Pronto, como dizem os portugueses. E eu não ficaria nesse mal-estar pensando que talvez não seja mais tão fácil acreditar em mim, afinal - shame on me - muito lhe menti, muito fui perdoada, e no fim, anos depois, nem sei quem estaria com mais crédito, se eu ou se meu celular sem saldo.

E porra, ligações de Portugal? Que mais a pessoa ia pensar? Um negócio mais bem plantado que o lenço de Desdêmona no quarto do Cássio, mas a vida nem sempre tem um Iago, às vezes a vida é o próprio Iago. Quem sabe se ela tivesse aplicado o Princípio da Cooperação com Otelo, mentindo que sim, traíra-o, conseguiria seu perdão e terminaria a história de pescoço intacto? E se Capitu corroborasse a paranoia de Bento e dissesse tá bem, o filho é de Escobar, agora me perdoa que não vamos pra Europa nada, quem sempre mandou aqui fui eu, seu bundão - teria ele baixado a cabeça mais uma vez na vida e terminado menos casmurro?

Sei lá, mas só queria contar mesmo que fiquei puta. Comigo, claro, com o rumo das coisas, com a mensagem eletrônica portuguesa que inicia as ligações pro Renan, com essas pedras no caminho. É o loop do Drummond.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

The rise and fall of Wonder Line



f
 
Quatro provas numa semana, sendo duas no mesmo dia, na UC, não é mole. E olha que ainda teve um feriadinho dos mortos pra me dar tempo de terminar Macunaíma, que aliás é uma das obras mais geniais da galáxia e me rendeu muitas risadas, mas antes disso foi a Literatura Brasileira 1 que marcou “o ponto” como a professora disse, ou “a frequência” como dizem os portugueses, ou o teste, pronto. Jurei que não ia fazer rascunho e não ia fazer rascunho de jeito nenhum, dois minutos depois tava eu me matando de escrever a lápis pra passar tudo a limpo na última meia hora, tendo que cortar as respostas e pedindo por favor mais dois segundos só pra escrever mais duas palavras. “- Tá bem, duas palavras”. Obriguei-me a matar Iracema curto e grosso, sem a flor de maracujá, sem o favo da jati, sem a baunilha rescendendo no bosque. Uma análise meia-boca e uma lição que já deveria ter aprendido há dois semestres – não faz rascunho em provas de literatura, Aline, puta que pariu, não dá tempo, tu sabe!
 
Pra Literatura Brasileira 2, na quarta, já sabia direitinho. Mil esquemas sobre a folha do enunciado e umas respostas que se a professora não considerar no mínimo muito boas, vão me cair/cair-me-ão os butiás do bolso. Tá tudo lá, desde as ideias principais do Manifesto Pau Brasil e do Antropófago até a rapsódia da formação do povo brasileiro que é Macunaíma. A poesia está nos fatos, como somos como falamos, abaixo os parnasianos, abaixo a erudição, só me interessa o que não é meu, a alegria é a prova dos nove, nunca fomos catequizados fizemos foi carnaval, pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são. Amém.
 
A quinta foi o heavy metal da semana, estudei estudei inglês e latim, poderia demonstrar ao vivo todas as conjugações do presente do indicativo da voz passiva e ativa da língua latina, a primeira e segunda declinações, as preposições com acusativo e ablativo, fiz todos os exercícios do Grammarway num salto e dei uma última olhada nos verbos irregulares tomando café no bar da Matemática. Por acaso encontrei o John hoje – o único professor que chamo naturalmente pelo nome, é um americano de Indiana cuja energia parece durar 24h por dia, acompanhada de bom humor e um amor pela docência admiráveis – e já sei que tive boa nota. O latim é outra história.
 
Pra não me enrolar muito no trágico, hoje pela manhã acordei e comecei a conjugar mentalmente alguns verbos da terceira conjugação mista, como qualquer pessoa normal faria, quando subitamente meu pensamento iluminou-se pavorosamente para a lembrança adormecida de que não havia passado a tradução do texto a limpo. Já tinha acontecido algo assim em Semântica, esqueci de passar uma questão – é que aqui não dá pra fazer aquele esquema de passar caneta por cima se usarmos folhas normais, a maioria dos professores exige as folhas de avaliação, que têm um cantinho destacável a ser assinado e entregue como comprovante de que fizemos a frequência – mas a questão em questão valia só dois pontos. Partilhando meu temor com o professor Sérgio por e-mail em busca de algum conforto, recebi a seguinte resposta: “Olá, Aline, valia 10 pontos do total de 20, espero que esteja enganada. Bom fim de semana!”. É, obrigada. Acho que ainda tenho chance de passar pra avaliação mista, anulando o resultado deste teste e indo a exame final, como todos aqueles pirralhos saídos do liceu que mal sabem declinar “rosa” farão. Eu tinha um janeiro livre de exames, mas acabou. Paciência. Perguntada pelo Elias hoje no almoço se todas as minhas avaliações eram contínuas, respondi que sim e ele brincou: “minha heroína!”. Heroína bem brasileira, disse eu, porque o tombo no latim foi mesmo fenomenal. 
 
Ao menos a próxima semana é normal, apesar de já ter de ir preparando o trabalho de Culturas Africanas. Hoje chegou o livro do Jacques Maquet que encomendei pelo Amazon, “As civilizações africanas”, que achei em inglês por 1 dólar (usado mas inteirinho) e não paguei muito pelo frete. Aqui na UC só tem o original, em francês. Nunca pensei que me sentiria tão miserável por não saber francês, quase todos os estudos sobre culturas e literaturas africanas estão em francês, artigos científicos se multiplicam na busca se incluído o francês, e eu não posso assistir às aulas do francês 1 aqui porque tenho latim nos mesmos horários. Sorte que o Brasil ainda traduz muitas obras e algumas vêm pra cá, porque se fôssemos depender dos portugueses, ou éramos todos poliglotas ou era muita reza e Google Translate.
 
E essas são as aventuras de Lineneutron, a guria que queria ser superguria mas não deu. Deve ser meio assim que os corredores de revezamento se sentem quando deixam cair o bastão. Mas eu até que tô bem tranquila, e olha que hoje ainda não tomei meu Alprazonan. Conheci alguém legal esses dias, o nome dele não é João nem Pedro mas é Tiago – parece que mais católicos que esses portugueses não há. Está no terceiro ano do direito, é mais adulto que o João, mais gentil também, e tem um quadro bem legal do Jim Morrison na parede. É claro que, pra minha cachola egocêntrica, atenção, admiração e apreço de alguém nunca são suficientes, faço a grotesca heroína romântica com missões relevantíssimas a serem cumpridas e milhentos de ideais inatingíveis. Como o Martim em “Iracema”, só que Martim expandiu o império português no Brasil fundando a mairi dos cristãos, eu o máximo que consegui foi inaugurar um cronograma de limpeza aqui em casa. Mas guardemos os melhores momentos antes que tudo se escafeda: nós vimos As Horas juntos, é um filme ótimo. E ele estava a usar o traje acadêmico um dia desses, cobriu-me com aquela capa preta pelo caminho, como as galinhas cobrem os pintinhos com a asa. Por certo a cena mais draculesca da minha vida.
 
 
E linkando o cu com as calças, sabiam que o Renan assistiu a Crepúsculo no cinema? Não consigo imaginá-lo a assistir a Crepúsculo em casa, muito menos no cinema. É como se eu saísse de casa pra ver a pré-estreia de um daqueles filmes do High School Musical, ou Glee. É como se o Professor Girafales se vestisse de Seu Madruga.
É o desconcerto do mundo.
 
 
 
 

sábado, 15 de outubro de 2011

Da França às Minas do Butiá

 

 

Quentin e Florent são amigos nossos, franceses. Chegaram a Coimbra neste semestre. Conheci Quentin (tentem pronunciar “cãntãn” fazendo tonzinho francês) no primeiro dia de aulas, teríamos Literatura Brasileira 1 (se a professora tivesse ido), também fazemos Culturas Africanas juntos, e eu acabei mudando o caminho de casa pra ter sua companhia nas voltas. O Quentin tem um jeitinho de geek, com aqueles óculos de armação escura, uma carinha inocente, uma doçura. Está saindo com Rodrigo, um colega e vizinho baiano que é legal, mas não tão doce assim.

O Florent (não sei explicar como se pronuncia, é mesmo difícil falar: fleorãn?) já conheci pelo Dani, porque estão juntos, adoram-se e brigam quase todo santo fim de festa. Foi assim que acabei conversando mais com ele da primeira vez, quando o Dani surtou e foi pra casa. Tudo em inglês porque é meu idioma favorito de bêbada, e foi com ele que descobri que o melhor café do mundo é aquele que a gente toma depois da festa, quando amanhece. E foi o Florent que contou-me do tartiflette, prato francês que leva batatas e queijo e fica uma delícia (é claro que acrescentei coisas à receita quando a fiz, podem ver um pedacinho do meu tartiflette profano aqui).

Uma coisa engraçada sobre os alunos Erasmus (esse é o nome do programa de intercâmbio) que vêm aprender português são os errinhos fofos ou hilários que cometem todo o tempo. Pros franceses, é muito difícil pronunciar proparoxítonas (e paroxítonas quando a palavra só tem duas sílabas) porque o francês é uma língua de acento fixo, sendo este sempre na última sílaba. Dizem bebádo em vez de bêbado e dificíl em vez de difícil, o Florent contou ao Dani sobre uma vez em que se atrasou e lhe deu um paníco em vez de pânico, e o Quentin, jantando comigo esses dias numa cantina, disse-me calma e docemente que gosta muito de usar leite de cocô nas receitas. Eu deveria ter corrigido, mas fiquei sem graça – e com uma puta vontade de gargalhar, é claro. Também foi engraçado que quando terminamos ele perguntou: “está correto dizer que hoje comi com Aline?”. Acho que a preocupação era mesmo com a conotação sexual. O Quentin gosta de gerúndios, achou engraçadíssimo os nossos “vou estar fazendo” de atendente de telemarketing. Tem bem aquele sotaque que se espera de um francês, enquanto o do Florent é menos forte, mas mesmo que fale muito bem, não deixa de soltar pérolas como “neveu muito em França ano passado” ou “tenho que ir ao mercado comprar frutos e legumos.” O Dani e eu, bullyneiros, rachamos de rir por msn.

Saímos ontem Florent, Dani e eu, Quentin estava com Rodrigo. Havia um convívio das químicas – os convívios são ao ar livre, organizados por algum curso, e sempre têm bebida muito barata. Em alguns, as pessoas nem dançam, apenas ficam paradas em rodinhas tomando finos (cerveja), mas neste tinha um pessoal bem louco, talvez por esta ser uma das épocas de loucura coimbrã. (Com o perdão da inserção intermitente de informação adicional, este é um início de período, época em que os caloiros são ridicularizados no que se chama praxe, andam de quatro bebendo vinho verde e cantando que são prostitutos nos pátios das faculdades, não vão às aulas, e os ditos veteranos, que às vezes mal saíram das fraldas, andam vestidos naquele traje preto com capa e tudo, em pleno verão português fora de época. Em novembro, acontecerá a Latada, o ápice da recepção aos freshers, que terá de bom o show dos Kaiser Chiefs e terminará no clássico cortejo em que as ruas perto da UC ficam totalmente obstruídas com caloiros bêbados desfilando em fantasias humilhantes e veteranos se achando os coordenadores da pândega toda. Acreditem, isso é uma tradição secular, só que antigamente, o traje acadêmico simbolizava igualdade entre os alunos e não um suposto status – que pra mim é sumamente de imbecil em modas de pinguim – e esses eventos, como a Latada e a Queima das Fitas [formatura] realizavam-se com criatividade e significavam mais que banhos de cerveja, vômitos pelas escadas e muita birita barata em coberturas improvisadas).

  Cortejo da Latada passando na frente de casa ano passado. Cada faculdade tem suas cores, mas eu sei lá de qual delas é esse pessoal em laranja e cinza.

 

Voltando da digressão – e incluindo outra, rapidim – o Quentin está sempre a mandar mensagens a Florent, e a ligar também. Foi assim que soubemos que ele ficou muito triste com alguma coisa, mas não quis dizer mais sobre isso. Por incrível que pareça, e nem me lembro como, algo que provavelmente o Rodrigo fez ao Quentin provocou uma discussão entre o Florent e o Dani, que não tem um temperamento fácil quando bebe, e sobrou até pra mim e pro meu inglês feliz que o Dani ainda não entende. É sempre assim, um deles sai correndo e o outro vai atrás, depois as posições se invertem, e aí resolvi deixá-los na entrada dos jardins da Associação Acadêmica – também um point clássico apesar da música ruim – e ficar com uns colegas conhecidos e desconhecidos. Contudo, como nem a mais poderosa vodka com ananás me faria apreciar MC Marcinho e créu e aquela tal do “meu bem assim você me mata ai se eu te pego”, resolvi sair e estacionar numa vending machine. No início dos bons drink barato, tinha mandado ao João uma mensagem quase barroca de tão trabalhada onde estava escrito apenas “Juau”, e quando quase chego em casa ele me liga de um número estranho.

 

…Quem é João? O João é o João, oras. Nem sei se tem um segundo nome, só sei que é de Braga (norte de Portugal). E agora, será que já falei do João e estou me repetindo? Mas enfim, o João é o João. Tem aquele sotaque bonitinho que troca o “v” pelo “b”, característica típica dos dialetos de lá. Um “vais vir” fica um “bais bir”, com aquele “b” mais fraco do espanhol. Conheci-o num convívio de arquitetura no semestre passado, tava toda cheia de vodka barata é claro. Foi a primeira transa depois daquela traumática com o Elton, portanto tinha sido um longo, longo tempo de abstinência amedrontada. Lembro que acordei toda esquisita, e mesmo ele tendo garantido que não houvera furos quaisquer daquela vez, fui correndo a uma farmácia pedir uma pílula do dia seguinte. Confiar num estranho eu não podia, nem na minha memória embaçada, por mais que ela também me dissesse que estava tudo bem. (Detalhe: fui direto pra aula de Literaturas Africanas, completamente podre, sem material, e o professor ainda me pede pra ler um poema aos colegas. Esforcei-me ao máximo pra dizer tudo claramente sem soar como uma débil mental, porque as letras queriam fugir da composição a todo custo. “Tá mortinho isto”, disse ele sobre a minha [falta de] interpretação. Puta que pariu, né).

Pensei que nem íamos nos encontrar mais, e de repente comecei a receber umas mensagens com carinhas felizes ao final, e de encontro em encontro eu virei uma espécie de late night booty call girl que dizia não quando tinha trabalhos ou provas pro dia seguinte. O João estuda Design e Multimédias, é bonito, apesar de eu implicar secretamente com aquele cabelo de franja de mocinho de novela das 6. Curte essas músicas psy trance, festinhas e se chapar. Sonha em ter seu lindo e vasto canteiro de belíssimas cannabis. Não, não temos nada em comum. Às vezes dá uma sumida, ou porque quer ou porque fica sem crédito, eu o procuro se bebo um pouco a mais. Já me perguntei se sentia alguma coisa, certo que não. De tanto tempo acabou se tornando um hábito que acaba um dia desses, e quando se acabam a gente estranha, é só. O contrário também acontece, como o fato de eu ter ficado um ano sem comer polenta, e quando achei e fiz aqui (de milho branco, mas o gosto é o mesmo), foi “wow, estou comendo polenta, isso é muito bom.” Ontem foi assim, saudade detected. Como saudade de polenta, só que a polenta era o João, todo egoísta tomando o travesseiro pra si, revirando-se pelo espaço que já não era muito. Mas se no fundo todas as relações (e não só relacionamentos) são um questão de contrato de comunicação – lá vem a dona Linguística, coisa chata –, a gente assume e deve cumprir contratos todo o tempo, mesmo inconscientemente, mesmo que seja para autoproteção apenas.

Não cabem saudades entre o João e eu, nem verbos como gostar e lembrar. Não cabem narrativas do que fiz ou gosto de fazer, ou perguntas a ele sobre o mesmo. É por isso que ele vai morrer pensando que eu sou do Mato Grosso, porque nunca prestou atenção em nada do que falei sobre mim. Nossos tópicos frequentes, quando há, são os mesmos frequentes em qualquer conversa entre um português e um brasileiro – primeiramente a comida (falo mal do porco e do chouriço portugueses e exalto a criatividade brasileira enquanto ele ri do fato de comermos pizza de chocolate “porque pizza de chocolate [eles pronunciam piza] só pode ser piada”); e em segundo o idioma (ele faz o comentário clássico português sobre eu não falar português e sim brasileiro enquanto rio dele falar tele-comando em vez de controle remoto). Se me incomoda o fato de eu não lhe parecer uma pessoa interessante? Óbvio, sou um poço de egocentrismo, como isso não haveria de me encher os olhos de recalque melancolia? Tenho que me lembrar o tempo todo de que se trata apenas de um gurizote, inclusive dois anos mais novo que eu, que já cheguei aos meus vinte e poucos (e um) anos. O João é praticamente um adolescente de baby skin, sem leituras ou gostos instigantes, que ficou em recurso numa cadeira de matemática básica e que esqueve axim:

   Sem títuloMensagens do João: uma análise de estilo ortográfico e estrutural.

 

Ah, não pensem que ele é grosso por usar muito coisas como “anda, vá lá”, às vezes é só “anda” mesmo. Isso é bem português – e que eles são mais bruscos, isso são. Da primeira vez que ouvi, senti-me tratada como um cachorro, depois fui percebendo que é uma equivalência ao nosso “vem”, “vem cá”, ou “vamo lá”. Enfim, eu nem deveria estar falando tanto do João, que é apenas e continuará sendo o João. Ficam as curiosidades culturais, o preenchimento de algumas lacunas do blog e o registro da aprendizagem de algo supostamente simples, mas que levei meses a captar – "você é uma opção pro seu fuck buddy, ele deve apenas ser uma opção pra você". E também não deixa de reforçar o motivo pelo qual ainda falo tanto no Renan, porque é algo tão presente pra mim que até sinto ciúmes de coisas que nem sei, e por isso às vezes temos nossos trancos. Talvez seja o medo de perder esse contato com alguém que me conheceu e quis me conhecer mais. Ainda me parece que o Renan tem umas medidas de gostos e bestices e beleza e defeitos que não se repetem por aí. E o mais importante: tem consideração por mim, temos o que conversar, inclusive sobre receitas, e adoramos polenta e queijo.

Pra medir as chances sexuais com alguém, a amiga da autora de Comer, Rezar, Amar diz o seguinte (está no livro): “olhe pra pessoa e imagine sua barriga em cima da dela, se lhe parecer bom é porque você quer”. Pra medir o seu desejo de mergulhar sua vida com a de alguém, o Maurício Amaral uma vez disse no antigo Cafezinho: “imagine-se velhinho com a pessoa, se teriam algo pra conversar. O mais importante de estar com alguém é poder conversar com ele(a).” Independentemente de achar para sempre uma graça sua testa marcada e um charme seus olhos verdes fundos, o Renan ainda é a pessoa com quem mais gosto de conversar.

 

Meu objetivo agora é tentar ver as coisas de um modo mais macro, não tão centrado só em mim, como se eu fosse o mais especial dos seres dotado de insignes complexidades e disfunções emocionais. Todos nós (todas nós) queremos nos sentir especiais. Os Joões são bichinhos de pele macia que servem bem pra finalizar uma noite em que seu casal de amigos precisa discutir a relação, você ficou só e não queria voltar desse jeito pra casa. Mas os Joões não são pra conversar. Os Joões te trazem um sentimento de vazio no dia seguinte que te faz ir ao Dolce Vita comprar coisas inúteis e devorar um swirl chamado Chocolatíssimo, com sorvete de chocolate, cereais de chocolate, raspas de chocolate, calda de chocolate. Apoie sua vida num João e chegará ao cem quilos.

E os Renans? Ora, os Renans… Já aí estão reticências porque são sempre a parte mais complicada de entender e explicar. E pra começar, não pode se falar em Renans porque cada um tem o seu e eles nos parecem singularíssimos. É a parte mais complicada, aquela pessoa em quem se pensa enquanto se faz xixi sem encostar no vaso de um banheiro de pousada nos confins de Glasgow ou de Minas do Butiá. E está em todos os lados, é impressionante, porque hoje mesmo tive uma aula de quatro horas sobre o Modernismo brasileiro e não se parou de falar do ABC paulista e a locomotiva do Brasil, e o meu colega de Piracicaba interveio horrores, e essas coisas acontecem todos os dias.

 

Terminarei louca? Obesa? Casada com um Zé de barriga perebenta fã de sertanejão e viciado em haxixe? Só Deus sabe, diriam as senhorinhas testemunhas de Jeová que vêm aqui em casa me evangelizar. O que eu preciso focar agora é o semestre que tá pesadinho, tem o pirado do Macunaíma ali me esperando enquando a virtuosa Iracema aguarda a sua vez. Tenho até entrado menos no MSN, e espero que esta seja a última aula de sábado, por mais interessante que seja. E outras duas coisas importantíssimas são as fodásticas séries Fringe  – já tá rolando –, e The Walking Dead que estreia amanhã. Nem que passe noites em claro estudando, essas duas não deixo de acompanhar capítulo a capítulo.

 

Fico devendo relatos de viagem, e ainda não vi as fotos de UK (sério). Este post louco louco foi escrito em dois dias, hoje fiz batatas com presunto e queijo e molho branco, depois eu mostro lá.

Adoro vocês e ouçam Metronomy:

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cool




Parece cool o I don't belong to anybody.
Mas às vezes soa meio triste o Nobody belongs to me.
- É o He doesn't belong to you que incomoda, diz alguém.

He doesn't belong to you.
Como se existissem propriedades humanas.


Nestes dias o descolado é tão cool, cool é o cold.
A gente esconde as pieguices mornas sob o delineador líquido.
Dentro da vodka com laranja.
Debaixo do braço de algum desconhecido. 
Volta pra casa de manhã, de mansinho. É bom antes checar suas gavetas que às vezes tem balas, eu levo as balas, balas são cool.


Estranho olhar o torso desconhecido.
O ego morno sopra "Não te conhece. Não quer te conhecer. Não sabe de onde vem, nem pra onde vai. Não quer saber. Get the fuck outta here."


Até nunca mais.





sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Cheers to a happy ending



 "então... este é meu último post e em breve fecharei o blog. Motivo? Eu não preciso mais dele. Sempre usei ele para confissões dos meus devaneios e principalmente dúvidas. Não que eu não as tenha mais, niguém tem 100% certeza de tudo, mas eu digo das minhas principais e mais preocupantes dúvidas. Por muito tempo eu não tinha certeza do que sentia pelo Príncipe e do que eu ainda sentia pelo Wont. As vezes me massacrava e me sentia culpada por pensar que ainda amava o Wont e isso era errado, estando com o Príncipe. Era errado com o Príncipe, que estava ali do meu lado e era tão perfeito, mas mesmo assim eu não esquecia o Wont. Com o tempo as lembranças do Wont foram se distanciando, mas não se apagavam. Só que as lembranças já não eram mais as mesmas, ou eram mas me causavam outro efeito. Eu estava "curada" de toda a dor, das "trevas" que foi o fim de tudo aquilo mas eu queria uma explicação. Eu precisava de uma explicação. Explicação essa que o Wont não apareceu pra me dar. Assim, eu fui vivendo e sempre buscando essa coisa que nem eu sabia o que era. As vezes, achava que era a falta dele, as vezes achava que era a falta de ter visto ele ao vivo. Pra deixar de ter aquela visão criada pela minha mente, de alguém totalmente idealizado. Mas eu fui vivendo... durante 3 anos...

Até que um belo dia (ok, na verdade era uma noite e nem tão bela), reconheci que eu precisava de ajuda, precisava conversar com alguém, e não podia ser com o Príncipe, uma vez que ele era parte do drama. Nada de "amigos" palpiteiros que não sabem cuidar de suas próprias vidas, eu precisava de uma psicóloga, uma especialista em resolver problemas alheios de relacionamentos. Mas... me faltava o money. Aí, como uma criativa louca que sou, criei uma psicóloga imaginária que conversava comigo em pensamento. Ela me perguntava coisas que eu mesma não me perguntaria, e eu me obrigava a responder sinceramente, respostas que davam início a outras perguntas e assim minha sessão grátis acontecia. Em uma única sessão que durou o caminho de volta da sala de aula para a topik bastou: eu nunca vou esquecer o Wont e nem preciso! Pq o Wont pode até ter sido um amor de adolescência, uma paixão ou algo do gênero, mas hoje ele não é mais isso. Hoje ele é só meu ex amigo gay (mesmo que ele não seja gay, mas eu sinceramente acredito que seja). Porque ele é só meu ex amigo gay? Porque hoje, eu sinto falta dele apenas pra conversar e perguntar coisas sobre o Príncipe, pedir ajuda, me confessar. Não sinto falta de um Wont que me beijaria ou coisa assim. Hoje, no fim do dia eu quero dormir com o Príncipe e não com o Wont. O Wont seria só um amigo pra conversar que substituiu a amiga que eu nunca tive.

Depois da minha sessão imaginária e das minhas descobertas fantásticas eu me senti livre, FREEEEEEEEE, tirei um peso das minhas costas, foi maravilhoso. Não era errado pensar no Wont, pq ele foi importantíssimo pra mim. Me fez dar boas risadas, me fez perceber que eu não era perfeita, me apresentou aquela linda múscia chamada Vienna, me deixou no lugar exato que eu precisava estar para conhecer o Príncipe, acompanhamos a Hil loucamente e agora, depois de tanto tempo... eu continuo me emocionado com a Hilary, que foi quem causou tudo isso. E eu nem fui na Bienal/Saraiva ver ela :( Mas um dia conhecerei e terei uma foto linda com ela.

As dúvidas nunca estarão completamente sumidas da vida das pessoas, mas existem certas coisas que temos que resolver interiormente pra poder respirar melhor. Acho que minha respiração está mais leve agora, minha empolgação de pré-adolescência voltou com tudo e tenho planos legais pro futuro. Tomara que chegue logo 24 de dezembro.
Adeus leitores ;@"






Good bye, Lost Princess...










P.S.: o Nada Sobre Nada ainda pulsa, mas a pressão arterial anda meio baixa. Voltaremos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011







...E antes de partir, leio conversas com Renan.






domingo, 28 de agosto de 2011

Um post sobre os preparativos pra próxima viagem que acaba virando uma divagação sobre o Renan a partir do terceiro parágrafo




Estou nervosa pra caralho. Viagens sempre me deixam nervosa. Amanhã vou à cata de uma mochila maior com suporte na cintura; se aquela da promoção tiver esgotado, provavelmente vou começar as aulas com uma memorável dor nas costas por carregar essa trouxa verde por tanto tempo.

Não sou uma pessoa confiante. Temo que não entendam meu inglês e nem eu o deles. Acabei de acabar com todo o meu pacote de mini-torradinhas com maionese (em plena meia-noite). Meti quatro mini-alprazolan e estou aguardando o efeito - a ordem não deveria ter sido essa, mas enfim.

Caracol me perguntou sobre o Renan - acho que o nível de amizade que mantenho com as pessoas se divide em "o assunto Renan e ramificações/tópicos similares meus ou de outrem são pautas possíveis de conversa ou não?". São meus seletos leitores. Também incluo a Joice, que nem sabe que este blog existe, mas estava lá quando não pude aguentar o tranco em pleno micro-ônibus do tio Flávio, terceiro ano, chorando aos ranhos, "ele tem outra pessoa". Ela agiu tão natural e calmamente que eu não poderia ser mais grata. Está muito feliz no seu namoro, que siga assim, com o nome dele no subnick ao lado de um coração. Nunca falou muito disso pra mim, mas cada um escolhe as aberturas que quer ter, eu escolhi as pessoas pra quem choramingar periodicamente sobre o meu subnick que não tem um coraçãozinho (não que eu o fizesse, não é meu estilo, o mesmo digo para aqueles perfis de casal em redes sociais ou usernames como "α ℓiทđi đѳ вiทђѳ 4єvєя" - acho que vocês diriam o mesmo).

Imagino se o Renan tem orkut ainda. Se aqueles depoimentos de "você me ajudou a encontrar o meu caminho" ainda estão lá. São essas coisas bem pontuais que ainda doem. Tem o telefonema, o "estou aqui com ela comendo sanduíche, mas não foi fácil guria". Caralho, faz tempo já. Uma parte de mim até raciocina: "deixa isso pra lá, foi assim que ele superou tudo pra seguir em frente, também ficou magoado, estava quase pegando outro ônibus pra Campo Bom quando tu teve um chilique ciumético enquanto ele trabalhava doidamente e por isso não podia acompanhar o live streaming da tua crise de desespero por ter tido que chutar as dez últimas questões objetivas do ENEM. SUA CDF FREAK, NUNCA DEIXOU DE SER UMA CDF FREAK, SUA FRUSTRADA!". Aí já não estou raciocinando mais - eis que entra uma outra parte de mim que só chora, básica e grotescamente. E desaparece no dia seguinte, principalmente quando tem aula/provas/idas ao mercado pra comprar fiambre e maçãs.

Parece que na minha fraqueza eu me superei. Agarrei-me a uma nerdice que mal tenho, nem sou de estudar o dia todo, ou ler Nietzsche no intervalo de almoço, ou devorar toda bibliografia complementar de uma cadeira. Mas sou das que lutam com unhas e dentes pra merecer um 17 ou 18, nem que seja na última noite antes da entrega do trabalho. Foi por isso que tive uma puta crise existencial no final da escola, não conseguia me enxergar sem todas aquelas aprovações dos professores. É uma fraqueza, porque deposito quase tudo o que sou num "Sou da Letras", é uma armadura de folha de bíblia. Mas é um sentido.

Minha parte que raciocina diz: "não daria certo de qualquer maneira, viesse tu pra cá ou ficasse na Uni, vocês eram (são) tão jovens. Não o culpe se ele não sente mais o mesmo, ainda pode aproveitar sua companhia. E também não se culpe por sentir o mesmo, o mesmo de sempre, por amar tanto aquele idioleto, na verdade o 'bestioleto', jamais registrado em obras acadêmicas de variedades do português. Querê-lo para si é que dói um bocado, mas todos temos coisas que doem um bocado de vez em quando, e todos desejamos coisas que não podemos ter, e todos queríamos voltar no tempo em alguma parte do caminho, todos nós."





(Razão e choro se juntam e a postagem é publicada.)





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um dia de Aline Dorel








Tomo dois tipos de comprimidos de Xanax (Alprazolan, pros não leigo) pra ansiedade. O efeito do grande dura 24h, o outro é o que a Dra. Helena chama de SOS, pra tomar nas crises, a qualquer hora. - Se quiser, pode tomar dois dos 24h, pois a dose é baixa, apenas 0,5mg por comprimido, foi o que ouvi na última consulta.

Como os grandes acabaram e ainda não comprei mais, resolvi meter goela abaixo vários dos pequenos, calculando que, se cada um exerce o efeito por 6 horas, tomando 4 seria efeito para um dia; tomando 8 seria efeito para dois dias, ou o mesmo que tomar dois dos 24h. Ledo engano.

Pouco tempo depois já me bateu uma tontura de bêbada e saí meio cambaleando, disposta a ir ao Continente, que fica a uma meia hora daqui, pra comprar uma mochila. Acabei parando num chinês e comprando uma bolsinha dessas a tiracolo sem a menor necessidade. Voltei pra casa querendo comer minhas peras, que nunca me pareceram tão deliciosas. A Cynthia falou coisas sobre passaporte mas não me lembro bem o quê. E antes de ceder completamente aos bocejos e à falta de coordenação motora, ainda consegui raciocinar a causa de tal torpor: os SOS têm 0,25mg cada, eu deveria ter tomado 4 para equivaler a 1mg, mas tomei o dobro.

Desabei na cama sei lá por quantas horas. Jantei pouco, mas o suficiente, e comi mais uma pera. O Muitão logo apareceu miando na porta pra posar no hostal de bichano da Line. O João, do Corthexiphan.net, enviou-me um e-mail comunicando a minha contratação como tradutora voluntária das notícias de Fringe, acho que vai ser divertido. E agora vou comer uma pera com iogurte antes de ir pra cama de novo, porque 2mg de Alprazolan numa sentada não é fácil.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Puta pobre


- Mãe, como eu faço aquele bolinho de puta pobre? - foi uma das primeiras perguntas culinárias que fiz quando ela tava aqui. - Com o que tiver, foi a resposta. E é mais ou menos assim mesmo.

Não tava com vontade de jantar meu pão integral seco saudável com queijo e fiambre, aí resolvi aprontar. Não tinha ovo, então foi só farinha, leite, sal e fermento. O leite ainda é luxo, imagina se um bolinho de puta bagualuda que ataca na RS-239 vai ter leitinho, é água da Corsan com farinha e banha neles.




Bolinho de puta pobre é bem gordice de preguiçoso chinelão, junk food de rafedo, mais ordinário que feijão mexido, mais gorduroso que pastel de frango e catupiry do 31.





Resumindo: é bom pra caralho.