Sonhei com Renan. Ele me mandava algum tipo de email com ilustrações que me mostravam o quanto eu era idiota. Era uma história em quadrinhos, ou um esquema, não sei, não lembro. E não lembro das legendas, só da sensação. E que não era o hotmail, era o gmail, e meu notificador o tinha acusado na hora. Considerando a teoria de Freud, para quem um sonho tem sempre escondido um desejo pessoal, mesmo que seja pesadelo, mostra minha vontade de falar com ele, mesmo que não ouvisse coisas agradáveis.
Tive um sonho com ele em Veneza, havia lido A Interpretação dos Sonhos no trem desde Florença, foi minha primeira interpretação, talvez por isso não o esqueça, e pelo conteúdo também. Renan era um militar sisudo (isso ele é mesmo) que comandava, relutantemente, uma operação ao lado da minha casa. Essa operação consistia em manter-me longe dele. Eu chorava horrores querendo, em vão, falar-lhe. Mas os soldados não me deixavam entrar. Dois desejos: i) apesar da militarice, ele estava perto de mim, na casa ao lado; ii) o único empecilho que nos mantia longe era uma operação forçada, muito mais contornável que a distância, que a outra pessoa, que a indiferença.
E Veneza estava fria fria, nublada, linda. Renan estava pairando por aqueles canais com todos os seus ancestrais italianos.
Faltam-te só o iglu, o trenó e os cachorros, ha ha ha...
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