Renan apareceu. Nós falamos sobre comida, gostos musicais que não batem, últimas notícias do futebol. Será que este é o ponto de equilíbrio? Toda vez que sentir saudades e vontade de expressá-las, jogar uma pergunta culinária? – Gosta de bergamota? Gosta de milho? Gosta de Ki-Suco? Gosta de pão com mortadela? – Talvez eu até passe melhor assim. Ou é só uma questão de me habituar, sei lá.
As aulas estão boas. Meus dois projetos pra Semana Cultural Brasileira, feitos em dupla, foram aprovados. Isso significa mais trabalho, mais escrita, mais motivo pra ficar com os cabelos pela grama como a Paula Toller só que sem a parte da grama, mais nervosismo com duas apresentações de vinte minutos pra planejar. Isso é sofrimento. E pensar que eu quero algo assim pra minha vida. Isso é Pathos.
Acho que se um dia eu fizer uma tatuagem, vou tatuar Pathos. Em algum lugar menos no lombo e nos meus bracinhos gorduchinhos. Puxando a semântica, pra mim isso é a essência de todo ser vivo dotado do traço [+humano]. À parte, é claro, daquilo que filósofos como Vygotsky asseguram, dizendo que essência não existe blábláblá (nunca li nem reli eu só ouço falar).
E o que temos para conclusão? O Renan vai ao show do Noel em maio. E parou de tomar refrigerante. Cada um com seus tiques, ruim mesmo seria se ele virasse vegetariano ou, pior, vegano. Eu não teria essa capacidade. Minha relação com a comida fica pelas fronteiras de uma food addiction. Pra vocês terem uma ideia, estou imaginando há meses o momento de chegar em Campo Bom e pedir um xis-salada-sem-tomate do Adelmo com coca, um crepe da barraquinha de crepe do centro, uma panqueca da vovó, cinco churros da tia do churros, muito sorvete do bufê da Tutti-Frutti, o churras e os bolinhos de milho do meu pai todas as comidas e sobremesas da minha mãe. Que Deus me ajude.