domingo, 4 de março de 2012

 

Renan apareceu. Nós falamos sobre comida, gostos musicais que não batem, últimas notícias do futebol. Será que este é o ponto de equilíbrio? Toda vez que sentir saudades e vontade de expressá-las, jogar uma pergunta culinária? – Gosta de bergamota? Gosta de milho? Gosta de Ki-Suco? Gosta de pão com mortadela? – Talvez eu até passe melhor assim. Ou é só uma questão de me habituar, sei lá.

As aulas estão boas. Meus dois projetos pra Semana Cultural Brasileira, feitos em dupla, foram aprovados. Isso significa mais trabalho, mais escrita, mais motivo pra ficar com os cabelos pela grama como a Paula Toller só que sem a parte da grama, mais nervosismo com duas apresentações de vinte minutos pra planejar. Isso é sofrimento. E pensar que eu quero algo assim pra minha vida. Isso é Pathos.

Acho que se um dia eu fizer uma tatuagem, vou tatuar Pathos. Em algum lugar menos no lombo e nos meus bracinhos gorduchinhos. Puxando a semântica, pra mim isso é a essência de todo ser vivo dotado do traço [+humano]. À parte, é claro, daquilo que filósofos como Vygotsky asseguram, dizendo que essência não existe blábláblá (nunca li nem reli eu só ouço falar).

E o que temos para conclusão? O Renan vai ao show do Noel em maio. E parou de tomar refrigerante. Cada um com seus tiques, ruim mesmo seria se ele virasse vegetariano ou, pior, vegano. Eu não teria essa capacidade. Minha relação com a comida fica pelas fronteiras de uma food addiction. Pra vocês terem uma ideia, estou imaginando há meses o momento de chegar em Campo Bom e pedir um xis-salada-sem-tomate do Adelmo com coca, um crepe da barraquinha de crepe do centro, uma panqueca da vovó, cinco churros da tia do churros, muito sorvete do bufê da Tutti-Frutti, o churras e os bolinhos de milho do meu pai todas as comidas e sobremesas da minha mãe. Que Deus me ajude.

 

 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Blog Potato

 

Sempre esqueço de abrir a janela, quando o ar já está com falta de ar é que me dou conta. E está difícil de se locomover no meu quarto da metade pra trás – “Messy girls make awesome lovers”, diz Patrick Jane. Tenho lá minhas dúvidas. E hoje não sei se sai arrumação, a preguiça é tanta, só não tenho preguiça de comer. As roupas estão secas no varal improvisado há uma semana, as do varal de roldanas lá fora também. Quando chover eu recolho. Isto vale pras de fora, que as do quarto vou usando até o limpo ficar sujo e empilhado no cesto cinza do canto do quarto. A rotina é bela.

Está tudo atrasado. As pastas têm etiquetas do semestre passado. Só uso uma, onde estão todas as minhas anotações de todas as cadeiras, sem nenhuma ordem. Nos primeiros dias de aula ainda esqueci de levar qualquer papel, usei notinhas fiscais para anotações. Cheguei ao cúmulo de discretamente surrupiar papéis dos murais da FLUC pra usar de rascunho, que a aula começava dali a 5 minutos e eu esquecera tudo de novo. É claro que houve critério, não removi nenhuma divulgação de congresso ou de grupos de pesquisa, inclusive um dos arrancados era um aviso escrito em mal português de um pobre estrangeiro querendo companhia pra correr na beira do Mondego. Querido, ninguém das letrocas ia querer lhe fazer companhia, 90% da nossa turminha é couch potato, bed potato, library potato, bookstore potato. Possuímos uma aura esquizoide dentro de nós que nos fez adquirir o hábito da leitura bem mais cedo que os outros coleguinhas, o que nos tornava chatos perante o grande grupo. E mais da metade de nós ousava corrigir os erros de português da avó! Muitos de nosso bando, em algum momento da vida, já consideraram justo que lhe atribuíssem o título de Rei ou Rainha da Língua Portuguesa! E por mais que tenhamos aprendido, como poucos, a respeitar todas as variações diatópicas, diastráticas e diafásicas, os usos incompetentes da língua nos doem! Ou nos despertam ridículos ataques de riso! (Ou também poderiam nos proporcionar algum misto de paixão com ternura com obsessão com ânsia de docência, caso o falante em questão fosse bonito). Não, meu caro colega que teve o aviso por mim surrupiado para fins de prática acadêmica, ninguém da FLUC ia querer correr com você no Mondego. Mas se fosse um pedido de revisão desse seu recadinho, aposto que a coisa já teria se resolvido.

O Renan deve estar de férias. “Dia 23, acho”, ele dizia. Engraçado que perguntei duas vezes, porque a minha memória é triste, e a resposta tinha exatamente os mesmos caracteres – “Dia 23, acho”. E não, eu não ia passar um post sem falar dele. Ainda mais nesse ócio forjado (porque teria tarefas pra fazer pelo resto do fim de semana se quisesse), em que não faço nada além de desfrutar dos meus últimos pedacinhos de chocolate amargo com muito chá preto, chá de maçã, chá de cidreira, all day and all night. Será que ele vai pra praia torrar seus poros dilatados? Feliz acompanhado ouvindo Jack Johnson? Ele gosta de praia. E ele anda sempre tão sério, parece que tem um raio de sol batendo eternamente naquela cara bonita com a testa franzida. Eu não gosto de praia. E eu não sei como terminar este post… Se fosse o Pessoa, dava uma daquelas voltas de últimos versos, pá, um tiro no entendimento do leitor. Eu basicamente escrevo pra falar das mesmas saudades de sempre. Todos os posts levam ao mesmo ponto. É o prazer do reencontro dos romances policiais misturado com o desafogo dos românticos. Eu escrevo sobre o Renan há anos! Muito antes de haver blog. Escrevia numa agenda do Smilinguido com caneta fina de retroprojetor. É a gaveta verde da Line.            Too much love.

 

 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Retardos

 

Volta às aulas, entrando no ritmo, mas bem devagar. Fora das salas de aula ou anfiteatros eu fico dentro da minha cabeça, de onde a vista é triste, o tempo é seco, a programação é downers. Aí volto pra Ratos e Homens que o Jones me emprestou, daqui a pouco acaba, porque a história é tão picorrucha, e o Lennie tão retardado, o Lennie vai matar a mulher do patrão por acidente e acabar assassinado pelo seu melhor amigo na última página.

De repente paro e executo meu ritual diário de comer um pouco de pele dos dedos. A programação recomeça. Hoje mostraremos aos telespectadores os poros dilatados do rosto de Renan. Ele tem poros grandes perto do nariz. As imagens são transmitidas ao som de Shiver. A tela aumenta, o volume também. E eu perco o controle remoto.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

 

Quanto mais penso nisso, mais sinto a perda. E é claro que não consigo pensar noutra coisa. Tenho os piores sonhos acordada, verdadeiros daymares, em que o Renan me encontra em algum lugar do planeta e não me reconhece. Ou pior, dá uma de Genoveva do Machado e me convida para entrar, na maior felicidade simples, explicando que de repente amanheceu gostando de me ignorar.

Eu gostava de lhe contar coisas banais como “fiz purê de batata” ou “comprei uma pasta de alho” e aguardar os feedbacks criativos. Gostava de ver os vídeos que ele mandava e opinar com “legalzinho”, por mais que eu gostasse de alguns até, mas implicar era mais saboroso. E adorava suas tiradinhas bestas de um cérebro serelepe sempre a me contrariar. E o “Guria”? Eu era “A Guria”. Talvez eu tenha exagerado na demonstração de sentimentos nos últimos dias e por isso ele se foi. Talvez ele só tenha enchido o saco, porque sou tão romanticoide às vezes, tudo estaria bem se eu fosse melhor resolvida comigo mesma.

E olha só se eu não estou de novo bolar teorias! Aline querida, você odiaria quaisquer justificativas, quaisquer, todas doeriam do mesmo jeito! Imaginem-me agora com rosas verdes na mão ajoelhada dizendo “volte, volte”. Aos prantos! E ranho melecando as cobertas. E o meu nariz sangrando de novo.

Páthos, pathétikós.

Volte, volte :(

 

Também entrei no Facebook. Como  disse Rodrigo, pode ser péssimo, pode ser ruim, posso continuar, posso excluir. Mas com certeza não é uma rede ~pequena demais para nós dois~, trata-se apenas de uma questão de criar um pouco de dignidade nessa minha cara e não incomodá-lo mais, e não esperar que ele um dia volte atrás dizendo que faço falta.

Ainda me sinto uma bosta. Acho que é tão normal quanto chorar. Acho que todas nós já nos sentimos ou vamos nos sentir assim algum dia, rejeitadas, feias demais, gordas demais, magras demais, com o nariz grande ou torto demais, com estrias ou celulite ou olheiras ou tudo demais. É engraçado que dentro dessa tal modernidade, em que não precisamos chegar aos 30 com namorado muito menos marido, em que podemos buscar uma vida independente e sexualmente variada, a grama old-fashioned do vizinho continua mais verde, e eu invejo o Renan ao pensar que ele arranjou alguém com quem partilhar coisas para muito além da cama. Justamente por ser algo que não tenho, essa é a minha concepção parcial de felicidade dentro da tal modernidade (o restante se resume a uma carreira promissora ou no mínimo a um emprego de que se gosta).

Portanto concluo que estou falando é de ideias românticas, não do romântico sentimento mas do romântico movimento, do herói em busca do inalcançável, da insatisfação eterna. O Renan e eu juntos sempre foi o meu ideal de felicidade, com muito Amor & Sexo & Bom Humor. A primeira chance que teria de ir até ele seria na minha volta ao Brasil, e sim, eu havia planejado isso, não podem me culpar por viver só de fantasia. Por ser boba podem, já que as coisas não resultariam de imediato de qualquer maneira, e eu tenho uma faculdade pra terminar. Só um príncipe da Disney pra me esperar nessas condições.

Não posso culpá-lo, só posso passar raiva mesmo, meu último semestre e eu nessa merda, como vou planejar TCC desse jeito, poucas horas sozinha e já desando em ranhos, que coisa boba Aline, já faz tanto tempo.

Já faz tanto tempo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


I feel like I was deleted from your world. But you’re still here somewhere.


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Vida, devolva minhas fantasia

 

Renan está no facebook. Com um terno que parece maior que ele. E ela do lado, é claro. E eu que sempre achei ridículo foto de casal em perfil, como se não pudesse haver individualidades num relacionamento (mas  quem sou eu pra falar sobre relacionamentos?). E ele está usando a sua foto mais bonita no msn. E demorou um tempinho até eu me dar conta de que estava falando sozinha, em várias mensagens off sem resposta. Eu sempre falo demais.  Cheguei até a checar email mil vezes pra ver se ele mandava alguma coisa, mandar o quê criatura? Pra quê ele te mandaria um email??? Eu sempre demoro a perceber.

Novidades? Não. Eu mereço, eu é que procuro essas coisas. Minha primeira reação é óbvia e nada criativa: chorar. Aí agora eu só choro. Anormal seria não ter choro, então eu choro mesmo. Chorei na rua. Amassei um purê de batata aos fungos. Comprei uma coxinha e comi aos ranhos.  Quando toca Britney eu choro. Quando toca Ke$ha eu choro. Coldplay então, choros com caretas. E aí sai sangue do nariz porque devo estar com alguma sinusite doida. Mancho e meleco a manga direita da blusa. Abro a janelinha dele e choro mais um pouco. Não vou às aulas essa semana. Vou tentar não entrar no msn. Vou apagar meu histórico da web. Vou apagar nossas conversas. Vou comprar chocolate. Vou torcer pra que ele caia um tombo e se esfole todo! Porque eu sou um ser humano, né. Mas nada que deixe sequelas ou algo assim.

E essa sou eu tentando externar este momento feio da maneira mais realista possível para perceber o ridículo da situação e tentar levantar mais uma vez.

“Tô na fossa fulana”. “É mesmo, mas nem sabia que você tinha namorado”. “Pois, não tenho.” “Mas quem é então?” “É um cara aí de SP.” “Mas vocês tinham alguma coisa?” “Não, mas eu amo ele, nós éramos amigos.” “Mas o que aconteceu então?” “Ele tem foto com a mulher no facebook e parou de falar comigo no msn.”

 

Essa é a minha vida.

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domingo, 8 de janeiro de 2012

Lengalengas

 

 

Renan não tem aparecido no msn como antes. O motivo pode ser mil coisas, desde resolução de ano novo até troca de turno de trabalho ou algum acontecimento que não me diz respeito. Vamos (tentar) parar de pensar que toda e qualquer mudança tem relação comigo, e aceitar que nem sempre tenho o direito de encher o saco. Pra isso tenho o blog, pra reclamar, desabafar, organizar os mimimis. Foi até conselho da minha melhor professora de linguística e didática de Coimbra e do universo: se têm algo a reclamar, seja o que for, façam-no por escrito. Isso ajuda a desenvolver uma boa escrita, que é uma questão de treino, e também os fará ver os fatos de modo mais concreto.

É como se eu escrevesse cartas que nunca vou mandar, que são compartilhadas com alguns, e que quem sabe um dia voltem a ser relidas por mim aos risos (ou aos prantos, sei lá). Agora vamos começar a falar de coisa chata, vamos falar da minha rotina. Eu gosto de rotinas. Até quarta-feira, quando recomeçar o mini-curso de francês, o tempo vai ser gasto quase da mesma maneira. Meu café da manhã é sagrado como mamãe ensinou, seja às 9 ou ao meio-dia. É a minha refeição mais saudável, quem sabe uma tentativa de purgar os pecados calóricos das horas seguintes. Faço minhas refeições no quarto, volto pra internet ou pros livros (mais pro primeiro que pro segundo), adio os últimos compromissos do semestre.

Como alma gorda que sou, já acordo planejando as refeições do dia, procurando receitas mirabolantes no Tudo Gostoso ou no Cybercook ou na Recepédia ou num blog de dona de casa que posta os pratos aprovados pelo marido e filhinhos, e volto à cozinha torcendo para que meus housemates tenham lavado a panela que quero usar. Ontem foi dia de fracasso culinário, botei água demais nos quindins e tentei fazer batata suíça numa frigideira que de antiaderente não tem nem o cabo. Acontece.

Meu quarto está arrumado, de embolada só tem a minha cama e a minha cara, passo o dia de pijama, ponho um casaco e passeio pela Baixa no fim da tarde. Raramente falo com gente ao vivo, a não ser com a caixa do Pingo Doce. Da minha outra housemate nem preciso comentar, o Dani tem horários diferentes, e nem com ele criei aberturas a ponto de poder conversar sobre o que escrevo. E assim, sinto que poderia passar dias e dias sem falar com ninguém, sei lá até que ponto isso é normal, nem me interessa saber.

O horário de recebimento de mensagens fica entre as 4 e as 5 da manhã, olha se não é um estudante da tradicionalíssima UC buscando distrações de fim de festa. Não posso me parar de ofendida, é o tipo que encontrei por aí, um pouco é azar porque todos sempre parecem muito queridinhos no início; um pouco é sorte porque seria difícil ir embora deixando alguém que realmente prezasse pela minha companhia; um pouco é escolha, e também posso escolher ignorá-los, como de fato ando fazendo. Aparentemente, evoluí um pouco nos draminhas de foreveralonice, isto é, as lengalengas são as mesmas, mas sem o chororô desesperado dos velhos tempos.

O mesmo não se aplica ao Renan, mas essa história é velha, vocês sabem. Não é porque as nossas conversas me fazem bem que ele estará sempre à volta. Talvez seja realmente sorte só encontrar esses canalhinhas por aí, meu cronograma ficaria meio apertado se eu tivesse mais uma alma por quem sentir saudades mais que sexuais, nada práticas e nada dissipáveis, sempre urgentes. Ter de lamentar o dobro no blog, imagina! Quem sabe fazer um post pra cada um… Eu não escrevo tão mal assim pra ter tanto o que praticar.

 

 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cyberstalking

 

Pesquiso o Renan no Google quando ele não aparece e eu não tenho mais coisas bobas pra dizer em off. As entradas encontradas são geralmente velhas, de 2005, a não ser as relacionadas ao seu trabalho. Tem uma lista do Ensino Médio mostrando seu RG e notas baixas, e esses dias descobri outras duas entradas referentes a uma petição online que ele assinou há sete anos atrás, contra testes em animais. “Chega dessa palhaçada”, escreveu ele. E eu rio e sorrio. Acho que o nome disso é ternura. E é um pouco de loucura também.

Sem título

Não suporto a ideia de não ter notícias, talvez perca um pouco as medidas nas mensagens. Até quando estou viajando mando alguma coisa atrapalhada nos teclados estrangeiros de hostel. Xingo-o secretamente porque não é muito de mandar emails. Não é mais, porque trocávamos emails gigantíssimos antigamente. Ou não é mais justamente porque os emails gigantíssimos eram trocados antigamente. E eu choro só de pensar que me despedaçaria toda em milhentos de caquinhos orgânicos se um dia ele não aparecesse mais.

 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Reveillón a la Line

 

DSC05025Nada mais requintado que copos de vidro coloridos cheios de frutas deliciosas ao longo de seu perímetro.

 

Na verdade, o que eu estava assistindo exatamente à meia-noite era um vídeo de maquiagem, e me dei conta de que preciso comprar um rímel, um delineador líquido e uma sombra novos o mais rápido possível. A lentilha fui eu que fiz, tava uma delícia, o Dani também comeu antes de sair. Como a minha housemate e colega de viagem de Londres tinha comprado bebidas com ele, descartei a possibilidade de ir junto – não é por não valorizar reuniões de fim de ano que precisava terminar o último dia de dezembro em tão má companhia.

Os chocolates que parecem negrinhos são trufas, seriam negrinhos sofisticados do Pingo Doce, mas não melhores que o clássico dos aniversários brasileiros. E uma coisa boa que vou guardar dos dois fins de ano passados em Coimbra é o fato de os vizinhos não conhecerem ou não apreciarem o lançamento de rojões fuleiros ou foguetes peido-de-velha desde as seis da tarde e para além da madrugada. Acho digno.

Feliz Ano Novo.