quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Encontrei a Luciana no Bar, após dar uma ajudinha pro pobre do Afonso, um angolano que se enveredou por um nível de inglês mais alto que o seu e agora está penando pra tentar passar. A Luciana me fez descobrir o que se quer dizer com “baiana arretada”. Ninguém jamais poderá perceber o real significado desse adjetivo sem ter conhecido uma pessoa como ela. Foi uma das realizadoras da Semana Cultural Brasileira, enfrentou leões, amansou feras e derrotou serpentes até conseguir conquistar um lugar ao sol para todos nós. Conhece meio mundo e mais uns trocentos. Uma vez, tive de acompanhá-la até sua casa, porque ela estava com as minhas anotações de Literatura Brasileira. Comecei às seis da tarde e cheguei em casa à uma da manhã. Em poucas horas, tinha jantado, ido a um concerto, cumprimentado membros da orquestra, participado da festinha no camarim e passado pelo bar da Associação Acadêmica. Essa é a Luciana Arretada.
Jantamos na cantina das pizzas e massas (sim, agora a UC está requintada) com uns colegas queridíssimos da UNESP e da UFSCar. Ficamos a lembrar de todas as peripécias da primeira turma dos PLI, a turma cobaia, a que mais passou por perrengues, a turma das altas aventuras e desventuras. Relembramos a primeira prova da Arnaut, de Literatura Portuguesa, no primeiro semestre, em que quase todo mundo ficou abaixo de dez e se apavorou. Eu tirei doze e ganhei quinze minutos de fama acadêmica. Lembramos do dia em que o Elias fez um pronunciamento cara de pau à turma para que a professora fizesse uma alteração na data da prova, só porque ele já havia comprado passagens pra Barcelona. Lembramos do dia em que a Idelazil veio a Coimbra, e queríamos comê-la viva por tanto atraso das bolsas, e ela era tão baixinha, e todos acabaram rindo ao final da reunião. E a agonia quando o dinheiro não caía, as semanas a fio comendo massa com cebola, arroz com cebola, batata com cebola, sopa de cebola. E antes mesmo de verificarmos que recebêramos, já tinha mensagem de alguém no nosso celular – “estamos ricos!” – e toda a PLIzada disparava para o Jumbo encher suas cestinhas de comida. E o dia em que a Luciana estava na Itália quando ocorreu um terremoto, todos ficaram preocupados, ela não entrava na internet, foi dada como desaparecida por Portugal e Brasil, até que surgiu na aula da Arnaut, tranquilíssima, sem saber o porquê de tanto alvoroço. Risos.
Esses anos foram mesmo arretados.
domingo, 27 de maio de 2012
Updating da busca do Renan no Google: ele foi convocado para prestar concurso público pela Prefeitura do Campus Luiz de Queiroz da USP, no dia primeiro de abril. Seu nome também está no Diário Oficial de São Paulo por outro concurso, mas são tantos nomes e tanto texto em caps e números que não entendi bem o que era. Humpf.
sábado, 19 de maio de 2012
3 dias em Paris
Ok, eu continuo preferindo Londres, tanto que fiz questão de visitá-la mais uma vez antes de partir. Mas sim, Paris tem toda a mágica que dizem e mais um pouco. Foi a primeira viagem que fiz sozinha, estava um pouco assustada, mas deu tudo certo. E em meio a tantos casais apaixonados e pontes com cadeados simbolizando amor eterno, ainda se viam outros solitários como eu, que resolveram se dar ao luxo de ir sofrer um pouco na Cidade Luz.
Ernest Renan sempre me lembrou quem? R: Renan.
Hotel des Invalides
À beira do Sena
A Dama de Ferro
Alô Dan Brown
Mais tarde, descobri que este é o pior jeito de entrar no Louvre. Ao menos é o mais clássico.
Vênus de Milo: um cofrinho cheio de amor
Da janela.
A metros de distância, por detrás de um vidro, vigiada, cercada: é ela.
Notre Dame
Paris é:
Hemingway, Joyce e outros escritorezinhos faziam suas comprinhas aqui.
Crepe de queijo.
Seria a avenida mais famosa do mundo?
Praça Saint-Michel
A Pont Neuf, que ironicamente é a mais velha da cidade, liga na Île de la Cité às margens (não, eu também não sabia que Paris tinha ilha).
Basílica de Sacré Coeur, em Montmartre
Moulin Rouge
Fico devendo a minha paixão, que é Londres. Ainda queria ir pelo menos a Amsterdã e Berlim, mas não sei se o dinheiro chega. O engraçado é que, além da Anne Frank, o motivo pelo qual eu queria tanto conhecer “Amsterdão” é o fato de que o Renan estava planejando lá ir. Como se o ato de pisar num local por ele almejado pudesse nos tornar mais próximos. Coisas de Line.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Amanhã é 25 de Abril, feriado em Portugal. É o dia em que ocorreu a Revolução dos Cravos, que depôs a ditatura do Estado Novo em 1974. Chamei o Muitão pra me fazer companhia este final de tarde, nada gratuito, é claro, gatos que se prezem só agem por interesse. Duas fatias de fiambre em troca de sua ilustre presença siamesa enquanto lhe apetecer. Pensei em sair, mas não teria companhia. Meus dois melhores amigos, a Letty e o Welton, são caseiros como eu – talvez por isso sejamos tão amigos –, o Dani há muito sai com outras pessoas que nem conheço. Já saí sozinha por aqui, foi até legal, mas digamos que eu precisaria do dobro de ânimo pra fazê-lo novamente. Pensando pelo lado positivo, amanhã estarei sóbria e descansada pra estudar pra prova de Sintaxe.
O Carlos não tem feito questão de falar comigo, não me chama mais pra almoçar, nem pra estudar. Vi-o hoje de passagem com duas portuguesas. Quem sabe tenha considerado que já é hora de ir se desligando dos brasileiros. Quem sabe o que aconteceu no meu quarto o tenha incomodado e pesado na consciência enquanto passava o fim de semana com a namorada. Talvez eu tenha servido pra reafirmar e renovar sua relação de tantos anos e nem esteja sabendo. Everything in its right place.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
O Abraço
Acordei pensando no dia em que Renan e eu nos encontramos, na parada de ônibus em frente à Realce. Era a velha ainda, depois foi modernizada com aquele troço transparente, onde é proibido colar anúncios, e um banco estranho. Antes de esperá-lo, fui passar o tempo na biblioteca municipal – que também ainda estava no lugar antigo, antes de ser transferida pro CEI – e lá fui pesquisar coisas sobre a África subsaariana pro meu trabalho em grupo de Geografia – era o momento mais eletrizante da minha vida e eu não consegui deixar de aproveitar pra fazer o tema!
A loja gospel da frente da parada tocou música alta e fervorosa por um bom tempo. Eu mascando Trident de melancia e renovando o tempo todo o brilho roll-on. Calça de suplex vagabundo, tênis (o melhor que eu tinha) e jaqueta laranja. Um perfume barato da Avon que ele gostou. Uma sombra azul-escura com certeza mal passada, porque eu não sabia esfumar naquela época. O Renan chegou com sua mochila e o moleton vermelho, manga curta por baixo num frio de junho. O cabelo arrepiado, as linhas na testa, as sobrancelhas grossas, os olhos verdes fundos, os poros dilatados. Sério, sério. Foi o abraço mais longo da minha vida. E o beijo também.
E eu nunca mais vivi algo tão intenso e tão verdadeiro como foi aquele dia.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Compondo aforismos
Passei a tarde com o Carlos estudando na Biblioteca Central. Descobri que aquele lugar se estende por uma outra salinha com mais três mesas viradas pras janelas e outras centrais com bancos estofados em veludo azul. Na pausa para um café, antes da nossa tediosa aula de Pessoanos, conversamos sobre as despedidas da vida. “Viajar é perder lugares”, citou ele. Acho que foi o Pessoa que o disse uma vez. E é mesmo, cada lugar visitado é uma perda, porque mal o temos e já o deixamos, uma hora ou outra partimos, perdemos.
Conhecer pessoas é perdê-las, modificou. Também está certo. Perder pessoas é parte da vida. Mas o Carlos, com aquele jeito de aluninho certinho, encasquetou que aquilo não estava bem. Na aula de Pessoanos, observou que deveria ser um verbo só, pra fazer um paralelo com “Viajar”. Sugeri “conviver”. Conviver é perder pessoas. Ficou um paradoxo bonito. A Letty e eu descemos pra Baixa, passamos na Toga, loja de trajes e lembranças acadêmicas, pra ensaiar as compras antes de voltar. E papo de malas, e quilos, e descontos de estudante. Tudo já tão perto.
Chegando em casa, notícias do Carlos por mensagem. “Crescer é perder pessoas. Não parece melhor?”. Descartei suas tentativas e lancei algo mais simples, direto e clichê: Viver é acumular saudades. E uma carinha triste no final. E um medo da volta, do reencaixe. Uma sensação incômoda de imaginar caminhadas sem Mondego, padaria sem pastel de natas, universidade sem maquininha de café de caramelo, e até caminhos sem ladeiras.
“Hoje Coimbra, amanhã saudade.”
domingo, 15 de abril de 2012
Um quase
O Carlos passou o fim de semana em Coimbra e ontem combinamos uma tarde de estudos, filmes, futebol (ele veio sob a condição de pararmos tudo pra vermos seu Benfica na final da Taça da Liga) e janta. Nós costumamos fazer noites de leitura via msn, às vezes ligamos a webcam, eu leio daqui e ele de lá, eu reclamo do sono e ele insiste “vamos lá, vamos ler”, eu cochilo e ele liga pra me acordar.
É claro que eu até cogitei que seria um pouco estranho fazer esse tipo de programa com um cara comprometido, por mais que sejamos apenas amigos. A minha cama de sofá, um drama francês, o escuro e a chuva. Perto demais. Nos agarramos. Foi meio difícil pensar. Mas em meio à carência acumulada, juntei razões pra parar tudo. Somos amigos. Ele é comprometido. Estou voltando pro Brasil. Era melhor não complicar as coisas, nem pro Carlos, nem pra mim. Ele concordou. Acrescentou que mais tarde eu poderia ficar com uma má impressão dele. E, vamos combinar, nós mulheres adoramos fazer isso. O cara tem outra, a gente transa, e se o desfecho não nos favorecer ele será o cachorro. Sei lá se ele já o é, mas isso não muda as coisas pra mim.
Fomos ao jogo e ao meu strogonoff. No estádio aqui de Coimbra, o Benfica venceu a Taça da Liga pela trocentésima vez, embora o Gil Vicente tenha esboçado uma reação. Meu strogonoff e minha agilidade na cozinha receberam elogios (por sinal merecidos). Acho que consigo fazer um strogonoff parecido com o da Deh, que comíamos com massa nas jantinhas. Levei-o à paragem/parada e voltei pra casa. Deslizes esquecidos. E eu fiquei um pouco melancólica, com uma cara de tacho de quem recebe um par de meias de amigo secreto. Voltei pra pegar meu mp3 e dar uma volta pela Baixa. Repreendi-me por não ter levado as coisas adiante, podia ter me autoafirmado tirando uma casquinha do Carlos. Podia mesmo? Acho que não. Só estou com dificuldades em me sentir satisfeita sozinha. Consolo-me com as vantagens de não ganhar bolo de ninguém e não ficar pensando na chegada da menstruação o mês inteiro. Ao mesmo tempo, estou tão grotescamente carente que adoraria pegar o Carlos emprestado só pra dormir comigo e nada mais. E ainda preciso aprender a viver com a falta que o Renan me faz.
Subi a Ladeira de Santa Justa pensando em como o mundo é engraçado, no semestre passado eu mal conversava com o Carlos, e quando sentava perto dele em Literatura Brasileira 1 ficava pensando em como ele era bonito (nem é tanto assim). Meses depois ele tava com a mão na minha coxa. Tudo esquecido. Chegando em casa, ele já estava no msn para lermos. Amanhã combinamos de estudar na biblioteca. E minha implicância com seu subnick chegou ao nível da conformidade debochada em que eu sempre o cumprimento com “hello, world”. Mas para meu desespero, o Carlos agora descobriu os winks e fica me mandando bonequinhos que estouram bexigas e fazem um barulhinho tosco enchendo toda a minha tela. Ah, Renan, como quisiera... Tô ouvindo Jack Johnson e chorando.