segunda-feira, 25 de julho de 2011







Mamãe e Molico estão aqui, quem dera fosse por mais tempo, e o pai também podia estar. Tudo cheira a casa, e é bom. A única coisa que me incomoda é a mesma e tola de sempre. Mas quem aqui não tem os seus calos, não é mesmo? É meio como essas picadas de melgas portuguesas que estão me irritando há uns dois meses. Bolas que incham e coçam, viram casca de ferida, e continuam coçando, e até agora tenho marca das primeiras picadas.



Até um cachorro vira-lata vai-se embora depois de uma segunda escorraçada, mas eu fiquei, e fiquei por tanto tempo que nem sei mais o que é não ficar. Numa telenovela eu poderia ser uma heroína romântica, na vida real eu sou apenas mais uma burra sentimental. E não sei pelo quê meu ego se dói mais, se é pelo "apenas", ou se pelo "burra", ou se pelo "mais uma".










domingo, 20 de março de 2011

A culpa é do Kiko


Pois, hoje o café com o Vasco saiu. Eu toda faceira, ia encontrar alguém bonito, um bom papo e tal. Conheci-o no Pop há muito tempo atrás, desde então ele me ligou umas quantas vezes - de madrugada - convidando pra um café, o que nunca se concretizava, ou porque ele esperava que eu ligasse no dia seguinte confirmando e eu não o fazia esperando o mesmo, ou algo acontecia como contei no último post. Dessa vez eu não perdi tempo, já estabeleci dia, horário e local, e confirmei uma hora antes: hoje, às seis, nas docas - um dos meus lugares favoritos de Coimbra, à beira do Mondego.

E lá estava o Vasco, todo bonito e sorridente - "Olá, rapariga, como vai?" - a contar coisas da família, a falar de Futebol, de viagens, de Brasil-Portugal. Vive às custas dos pais, largou o curso de Economia de novo, fartou-se de Coimbra e de estudar, quer voltar pra sua Lisboa quando der, quem sabe se conseguir um emprego por lá, mas em vez de largar currículos ele dorme, e eu fico pensando em todos nós no Brasil trabalhando e estudando pra caralho. Os lisboetas comem mais as vogais, é terrível de entender às vezes. Ao falar que sua mãe foi "operada", eu entendia "o prado", e fiquei pensando se por acaso era o nome de um hospital, até ele me esclarecer o que estava dizendo.

Dali a pouco um amigo ligou, e o Vasco de repente se tornou comprometido em "ir ter com um gajo" chamado Kiko, e entre o Kiko e eu pelo visto o primeiro é a melhor opção.
Foi-se o bonito Vasco ter com o Kiko, fiquei eu sem beijo nem carona, perguntando-me por que raios uma pessoa insiste tanto pra me encontrar, por merda nenhuma. Quem sabe ele me lembrasse diferente, quem sabe na sobriedade seja difícil me engolir...

Com a derrota pro Kiko entalada na garganta, nem vi o carro partir, fiquei dando voltas sozinha por ali mesmo, vendo os casais passando com olhos de cachorro pidão, cogitando comprar um gato, talvez um cãozinho, um râmster, um peixinho azul.
Tomei o caminho de casa, sempre de fones de ouvido, absolutamente fula se não estivesse tão calma, porque só mesmo uma criatura tola como eu pra imaginar que um desses seres heterotróficos do sexo masculino bonitos vão ter algo da doçura daquele guri bonito de Piracicaba, que eu vou encontrar alguém legal pra passear pelo Mondego, só por passear, enquanto o tempo passa. A realidade tava é no cheiro de lixo dos contêineres ao longo da Rua do Brasil, naquelas esquinas escuras e vazias de cidade de interior.

Parei numa vending machine aqui perto; na dúvida entre uma empada de atum e uma baguete de atum, comprei a empada e guardei na bolsa, comendo a baguete com achocolatado. No celular, a chamada perdida era do Alexandre querendo meus serviços de revisora. Mais tarde quem ligou foi Pedro, o angolano mestrando em Direito, convidando-me pra fazer alguma coisa na quarta. E resolvi topar, espero que seja menos decepcionante que hoje.

Será que há alguma possibilidade de o Pedro conhecer o Kiko? - Pelo tamanho do cu que é esta cidade, não posso duvidar nem disso.










sexta-feira, 18 de março de 2011

O inferno são os outros


Sou muito fechada. Só agora me dou conta de como, pra mim, é difícil estabelecer laços com as pessoas. Uma coisa é quando eu tenho tempo de me aproximar mais, como com a Galera da Recepção (L) através do escritório, ou o pessoal aqui de casa. Outra coisa é ter que cultivar algo sem uma ligação pré-estabelecida, ter que conquistar, jogar o jogo das palavras e sorrisos e arrangements. E não é de guri que tô falando, ao menos não num sentido de segundas intenções.

Conheci um cara por acaso esses dias, ele ligou pro meu celular perguntando se ainda tínhamos um quarto vago (hora de inserir a ótima notícia: a Karen se mudou e agora a Cynthia, uma carioca das Artes, está morando com a gente). Papo vai papo vem, trocamos MSN, jogamos emoticom fora e ele me convidou pra ir ao cinema com uns amigos. Conheci um angolano muito legal, uma guria de Araraquara também muito legal, o Alexandre também é legal... Mas eu me senti desconfortável de certa forma. Eu tinha interesse em me incluir num grupo por mérito próprio, porque geralmente eu conheço pessoas através do Dani, ele mantém as relações, eu as afasto.

Hoje fui ver O Discurso do Rei com eles, só Pedro, o angolano, não estava. E eu não via a hora de não estar também... Terminou o filme e eu vim correndo, o pessoal aqui em casa tinha combinado de comprar pizza, eu cheguei quando já estava fria e todo mundo se dispersou pros seus quartos. E eu sinto falta da Tutulina. Não diminuindo a dos meus pais, mas família é diferente. A Tuti é uma família diferente.

Na UC as pessoas param o Dani pra conversar, eu vou na frente, não quero participar de nada. Hoje ele tinha um encontro no almoço, aí eu desisti da cantina pra não ficar cercada de gente. Fiquei zanzando por lá, até esqueci da fome com um chocolatinho que o Gui me deu de manhã. O Vasco resolveu combinar um café pela milésima vez, e pela milésima vez não rolou porque a mãe dele ficou doente. E aí eu fui ao cinema e vocês sabem do resto...

Não que eu me sinta incomodada de ser mais sozinha, mas sempre pensei que a hora em que quisesse travar amizades e desencadear encontros seria fácil... E aí eu percebi que não é, que não me sinto à vontade, que quero sempre voltar pra casa, e volto mesmo, o mais rápido possível. Dá uma alegria quando ainda consigo pegar o Renan online, pra me dar um daqueles sorrisos bobos e me fazer rir. É aliviante poder voltar pros meus livros bagunçados, pras minhas prateleiras empoeiradas, pros meus chocolates escondidos numa caixa de note, e esquecer a cara de pamonha que sinto ter perante os outros, sem assunto, sem piada, sem nada de interessante a acrescentar.

Sou caso perdido; sei lá se mal tentei, mas já fiquei farta das primeiras tentativas, já me senti ridícula o bastante. Esforço, por ora, só se for pra tentar conquistar um desses gatos arredios da vizinhança, quem sabe com eles eu tenha mais sorte.

"As pessoas atrapalham", dizia o Quintana. Pois acabo por dizer o mesmo, Mario, acabo por dizer o mesmo.











sábado, 19 de fevereiro de 2011

Letras e bundices


As aulas recomeçaram. Não é que fonética tá legal? Bem, foram só duas aulas de amostra até agora, e ainda acho que os símbolos fonéticos não me agradarão nem um pouco, muito menos os exercícios de transcrição, mas estudar as partes do aparelho fonador me faz rememorar as aulas de Biologia, e eu era ótima em Biologia - eu era ótima em tudo menos em Educação Física (eu era uma nerd bundona?) - e a próxima aula, sobre fonética acústica, "vai ser praticamente uma aula de física, só que sem cálculos", disse a Dra. Isabel. - Yes!

O professor de Literaturas Africanas é bem maluquinho, mas sabe muito da matéria. Às vezes parece que estou numa aula de história. Mas ele fica distribuindo estrelinhas pra quem participa, e eu acho isso demais, apesar de que qualquer merda que se fale, desde que dure mais de dez segundos, serve pra ganhar estrelas. O meu céu é de noite nublada até agora, porque não me dá a menor vontade de abrir a boca. Ao menos as aulas não são monótonas como as de Camonianos.

A profª de Variedades do Português é legalzinha; a Arnaut, de Literatura Portuguesa 1, já conheço do semestre passado. Será que não falei dela aqui ainda? É uma figura, uma personalidade. Engraçadíssima e elegantérrima, daquelas pessoas marcantes politicamente incorretas. Não consigo não gostar dela, por mais que tenha sido a minha nota mais baixa do semestre passado, e olha que foi a cadeira pra qual mais dediquei horas de estudo.

E o Andrew Packett do Inglês sucks. Ele é britânico demais pra mim, todo formal, todo organizadinho no seu Power Point corrido, e chama a atenção se fizermos barulho durante a atividade de conversação! Odeio aqueles óculos na ponta do nariz como se ele tivesse trinta anos a mais, odeio quando ele se dirige a mim de qualquer maneira, porque eu fico nervosa e não consigo prestar atenção em nada do que ele diz. Uma colega brincou que o Andrew é daqueles professores que só não manda ninguém pro castigo porque já estamos meio grandinhos. I miss Diana Silver, I miss her a lot.

E outside of class? Não saí mais desde que voltei de Madrid. O Dani já conheceu outras companhias pra ir pra festa, e eu não me animo a entrar na turma. Fico em casa lendo, vendo filme/série ou jogando bilhar online. Não que não vá mais sair, mas não é uma coisa da qual sinta falta, meu jeito sempre foi mais bicho-do-mato. Não me sinto perdendo algo importante. Se conhecesse alguém, seria provavelmente um desses tipinhos de sempre. Se me acabasse na pista, perderia o domingo dormindo até as três da tarde, e aí a semana já começa no outro dia.
- Ainda sou bundona?

E o Renan (ele mesmo) tem sido uma ótima companhia de fim do dia... É bem possível que nos desentendamos logo na próxima semana, como geralmente acontece, mas sempre voltamos a nos falar, e há anos que as coisas são assim. Que fazer? Eu cheguei à Europa, mas ele continua sendo a coisa mais incrível que já me aconteceu. É por isso que considero "nada" a resposta mais adequada. Dizer algo além disso seria querer saber mais que o Tempo, e aí já é bundice demais.










terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Madrid, aqui, e aqui dentro


Madrid is awesome. Um ar verdadeiro de Europa, como não podíamos ter aqui, porque Portugal é nossa casa no momento - ao menos é o que diz o meu cartão de residente. Ficamos num hostal retirado do centro, mas o metrô (ou metro, como dizem os portugueses) custa um euro e nos leva a qualquer ponto da cidade.

Não deu pra ver tudo o que queríamos. Queria ter dado uma passadinha em frente ao Santiago Bernabéu, mas ficava meio contra-mão pra maus turistas como nós, que recusam-se terminantemente a acordar cedo. Um sightseeing bus é sempre útil pra reconhecer o terreno, e depois deixar as pernas nos levarem pra onde mais nos agrada. O Parque Del Retiro é lindíssimo, cheio de gente caminhando, fazendo piqueniques, jogando bola. Um senhor mete um tango aqui, um tio toca Yesterday no violão ali. Passamos pelo espetacular Palácio de Cristal e pela Estátua do Anjo Caído, e depois percorremos aquelas ruelas cheias de lojas de souvenirs, de tapas, de Museos de Jamón e cervezarías. Chegamos à Plaza Mayor, outro ponto imperdível. É uma loucura aquele largo, cheio de restaurantes, gente sentada no chão, gente em volta de algum cara contando piada, gente em volta de algum caricaturista esperando sua vez de ser retratado - eu fui.

Os museus são obrigatórios. No Reina Sofia predomina arte moderna, conheci a obra de um artista muito legal chamado Efrén Álvarez, que faz uns desenhos críticos cheios de obscenidades, sem deixar de serem engraçados. O Thyssen foi o que mais me agradou (e o único que precisei pagar pra entrar, porque os outros dois liberam a entrada a partir das 18). Foi lá que encontrei Picasso, Dalí, Van Gogh, Monet, Gauguim, Kandinsky, Renoir... Aquelas coisas que a gente TEM que ver, não importa quão parco seja nosso conhecimento de arte, e com certeza todas as nossas professoras de Educação Artística do colégio apertariam os próprios pescoços de inveja se soubessem que lá estivemos. Ah, também tinha Miró, mas esse eu já conheci em POA alguns anos atrás, e com certeza não foi admiração à primeira vista. O Museu do Prado é o mais famoso, talvez o maior, mas não me impressionou tanto. É que é repleto daquelas obras clássicas, renascentistas. Quase tudo é Rafael, Goya e Velázquez. Gostei das pinturas negras do Goya, principalmente o famoso quadro de Saturno devorando um filho. Mas definitivamente, arte moderna me agrada muito mais. De todos esses gênios, ainda fico com os pênis-envoltos-em-coroa-de-louros-dos-patrões-capitalistas desenhados por Efrén Álvarez.

Bom, acho que agora é hora de ir ao que interessa, a aquilo que mais me agradou em Madrid: as festas. Ou, mais exatamente, ao lugar onde fomos três vezes seguidas fazer festa: o Teatro Kapital. Tem sete andares e uma pista principal, no alto umas mulheres lindas com um look sexy-extravagante dançando paulatinamente, e a alegria dos olhos femininos ficavam por conta de uns parrudões de tanquinho de fora se exibindo no palco. Teve homem-robô que emitia luzes verdes pra todo o lado, aqueles contorcionistas que se enrolam em fitas presas no teto, um percussionista e um saxofonista que apareciam acompanhando o ritmo dance que não parava nunca. Os amores efêmeros da vez foram um espanhol baixinho coisa mais linda, um mexicano com cara de menininho de liceu que passou a noite toda dizendo que me amava, e um outro espanhol muy guapo, estudante de psicologia e maluco, que me propôs uma caliente despedida de Madrid, mas sim, eu disse não, fui pro hostal e o espelho do elevador foi o primeiro a denunciar três chupões enormes no pescoço que agora eu tenho que cobrir com uma manta o dia todo, mas pelo menos a atitude besta foi recíproca, e ele e eu estamos no inverno europeu com a graça do Senhor.

Só faltou voltar chorando pra casa, já com saudade do casal de barmen que na terceira noite sabia quem éramos e que drink pediríamos - vodka com energético, porque não tinha suco de maçã. Quase dois litros de bebida no sangue, horas e horas sem comer nem dormir, e mais um avião pela frente, ao qual sempre preferirei um bom e balançante ônibus executivo. Ainda trouxemos o Rogério, sub-coordenador do projeto da Uni, que tinha chegado no Porto uma hora antes. O Dani eu preparamos um purê de batata com cebola refogada que tava deliciosíssimo, e eu dormi umas vinte horas seguidas, só levantando pra me abastecer de água às três da manhã.

O legal de festa assim é que todos sabem que ela acaba ali, que o nunca-mais-vamos-nos-ver se estabelece assim que a música termina. Aí a gente já ativa o botãozinho lembrar-e-só e segue mirando as próprias botinas. Talvez meu erro tenha sido esse, passar meu telefone por aí. Assim como o foi ligar pro Renan hoje de manhã, ouvindo dizê-lo uns "alô" fingindo que não ouvia os meus, mas ouviu, porque não me atendeu depois, e talvez a resposta seja justamente o que eu conversei com a Deh ontem. Fico pensando no que isso vai dar, fico me imaginando velhota remoendo todos os episódios cretino-escrotos que me moeram a vida toda, e amaldiçoando o mundo por não ter nascido lésbica, porque a coisa mais doce que ouvi em Madrid foi de uma loira no banheiro do hostal que me disparou sem medo e sem rodeios:
- Eres muy guapa. Tienes ojos muy lindos.



...- Gracias, pero lamentablemente me gustan los cabrones, fucking cabrones.











sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Close your legs and dance


I've been such a pessimist girl in this blog... Mas também devo considerar o fato de que a vontade de escrever geralmente bate quando tem coisinhas negras dançando na cacholinha. Eh bien, como diria Poirot, eu sempre gostei de fazer o tipinho drama queen. Porém não quer dizer que esteja tão mal assim, certo?

Recapitulando, ganhei uma bolsa de estudos do governo brasileiro na Europa - num país periférico fodidíssimo, of course, mas pelo menos aqui as coisas são mais baratas que nos demais -, e durante dois anos não preciso trabalhar, apenas estudar, e ganho seiscentos euros por mês pra isso - dá pra viver tranquilamente com esse montante, mas atualmente estou no vermelho porque das últimas vezes em que me deparei com uma livraria ou uma boa loja de roupas acabei me descontrolando no cartão de débito -, posso acordar tarde a não ser que tenha aulas de manhã, posso passar horas lendo na biblioteca, posso fazer caminhadas à margem do Mondego e ir a festas todo o fim de semana, porque a entrada nos lugares é super barata e sempre consumível. Não é lindo? Acho que já vou começar a chorar de saudade desse tempo...


É claro que há os contudos, como ficar longe da família (e ganhar uma nova que não é cem por cento aprovada). O caso Karen só vai terminar quando ela se mudar, a última discussão apontou que vai ser logo. E não é só o fato de ela ser uma pessoa insuportável, é que não faz nenhuma questão de fazer por merecer a oportunidade e respeitar a instituição que representa. Ela plagiou uma apresentação de uma professora da Unisinos, acreditam? E achou o máximo. Milhões de brasileiros pagando pra Karen estar aqui, inclusive meus pais e meus amigos, pra ela mal se prestar a fazer algo de seu. E é por essas coisas que temos vergonha de fazermos parte do mesmo grupo.

Eh bien (andei assistindo a Agatha Christie's Poirot, não reparem), nem tudo são desgostos. Obtive bons resultados este semestre, um que outro ótimos - e tudo com minhas próprias letras e vírgulas, juro. E aqui em casa, de resto, damo-
nos muito bem. A Nati e o Beto são uns amores, com o Gui e o Dani divido as gororobas e as prateleiras, com este último um pouco mais que isso. O Dani me ensinou a fazer mais piadas e a ir pra festa de saltos baixos pra poder dançar mais. Um rock ou eletrônica, uma vodka-com-suco-de-maçã-e-groselha, e dá pra deixar muita coisa pra lá. Passamos o fim de semana no Porto há uns dias atrás, pulando de padaria em McDonalds, nem fomos ver o mar, que aquelas camas da pensão tavam ótimas. O Dani é cool e cult, mas tudo na medida. Porque é impossível manter uma amizade que não permita falar boas merdas de vez em sempre.

Que mais eu vou contar de bom? Compramos passagens pra Madrid, vamos o Gui, o Dani e eu. Espero que as festas sejam tão boas quanto a propaganda. Esses dias sem fazer nada até que estão muito legais, e um janeiro de frio é o máximo. Dia quatorze volto à rotina de estudos, e algo me diz que as aulas de fonética vão me fazer espernear um bocado.

Uma coisa chata: esses portugueses lindos, inteligentes e fofos que desaparecem no day after. E não, eu não me acostumei ainda porque sou boba demais. Mas quem sabe ainda me habitue, quem sabe eu mude, não há mais muito espaço pra românticos no mundo post-moderno em que vivemos.

Uma convicção: não dei e nem vou dar pra esses portugueses lindos, inteligentes e fofos que desaparecem no day after. Não me sentiria bem fazendo isso, não no momento. Estaria me comprometendo de certa forma, ao menos é o que o meu corpo me diria. Parece que sou à moda antiga nesse ponto, mas quem disse que tenho que bancar a moderninha só porque estou longe de casa? Mantenho-me convicta de que preciso manter certas convicções até onde for preciso.

Um registro (ou registo, como dizem os portugueses): como é difícil passar um post sem falar no Renan, deixo aqui a marquinha do centro do meu aparelho cardiovascular, que não o deixa pra lá, por mais que ele às vezes me pareça tão diferente, tão distante, e ao mesmo tempo tão próximo como sempre, com aquele jeito disfarçado de quem não queria se importar, mas que lá de vez em quando me manda umas letras perguntando se estou viva. - Yes, I am.


Um suspiro: sinto falta da Galera da Recepção, dos drinks e papos, dos rolos de trabalho, das conversas sobre aquilo que acaba sempre por sustentar nossas principais aflições: os guris! Sim, senhoritas neo-feministas de plantão, os sentimentos e desejos femininos ainda estão a vagar por aí, por mais indiferentes que se mostrem esses sujeitos lindos, inteligentes e fofos que desaparecem no day after.


E assim a vida continua, Ladies and Gentleman. Dancemos.



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Damned


Campo Bom, sala de psicoterapia. Joguei o café com leite pela janela porque não tinha frios, dizia eu. Grande merda. Essa síndrome de final de ano ainda acaba comigo. Se eu ficar velha e adoecer num final de ano, adeus Aline. E o pior é que hoje eu queria poder ligar pra Dra. Daniela e contar umas coisas.

Ô menina, para com esse choredo. Seu Camões queria tua atenção para ler sua história. Grande Camões-Caolho, Sr. Grandeza, morreu um lixo, de quê adiantou. Consola-te dedicar tanto do meu tempo a ti, Sr. Exemplo? Sr. Evasão. Duas pílulas de um canto teu e adormeço no mesmo instante.

Merda. Fim de ano não tem pílula dourada. As pessoas estão onde estão, e era isso. E às vezes o Renan é tão cruel, mas eu preciso parar com essas fábulas, as pessoas não são cruéis, são humanas. Se eu não fosse humana, não teria a torpidez de chorar essas coisas.


Tem noites que nem com chocolate, nem chocolate.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sordid


"Things change", como diria Roberta Close. E o tempo voa e não quer nem saber.

Acho que seria melhor colocar isso no final, mas enfim... Deixemos reinar alguma paródia de post-modernidade literária neste humilde blog de meras conjeturas jogadas à Aldeia Freeware, pincelemos uma metaficção pixelada.

Três cadeiras já encerrei, de uma já sei o resultado. Aliás a mais difícil, Literatura Portuguesa 2. Nem deu pra pensar em fazer bonito, que nessas a aprovação já está de bom tamanho. O calendário de exames em janeiro acabou de sair do forno, se tudo der certo estarei livre na terceira semana. E se Deus quiser a Karen vai se mudar no mês que vem, aí as coisas ficarão mais confortáveis aqui em casa. Amanhã preciso ir ao mercado comprar miojo e chocolate.

"Things change", diria Ricky Martin. For the good and the bad.

Quem é esse Renan do jardim que está sempre indo embora? Um "nice" opaco e fechado, um game de tiro às bolhas coloridas, um aquecedor dourado ligado, o pai falando sobre imposto de renda no Skype. E este post parece um emaranhado de nada. E o meu primo que traiu a mulher e descolou o filho que ela nunca pôde lhe dar? E o gordo e nojento perdão que ela lhe pariu? E não é mesmo sórdido este mundo? E o Renan que foi embora, mas não é que ele sempre foi embora, ele gosta mesmo de ir-se. Fiquei eu nas gares como o Quintana, com um café sem cigarro, uma casca de ferida no queixo, um amargo no piloro.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hambúrguer, miojo e chocolate

Tenho dor de cabeça toda vez que subo as ladeiras e aspiro aquele ar frio seco e gelado que parece insuficiente aos pulmões. Sabe aquela ideia de que é bem melhor fazer exercício no frio? Não nessas condições.

O aquecedor fica ligado a noite toda e foda-se a conta de luz. Preciso dar um jeito na minha bagunça antes de voltar ao Saramago. O Dani fez uma comida boa pra nós, comemos arroz com bife acebolado. Depois vi Dexter, depois um programa sobre os maiores escândalos sexuais da história, depois vi E.T. (sim, esse E.T.!), que até hoje não tinha visto. A gente tem TV a cabo e fica vendo filme velho de Sessão da Tarde. Semana passada, fizemos uma pipoca e demos risada à beça com Do que as Mulheres Gostam.

Essas aí são as compras do dia, essenciais para a sobrevivência de qualquer estudante com muita preguiça e pouca (ou nada de) habilidade na cozinha. Aí aparecem só as coisas individuais, a maior parte da comida eu divido com o Dani e o Gui, como pão, leite, frios, margarina, maionese-ketchup-mostarda, pizzas, muffins, batatas e doces diversos. Ouvimos falar que o pessoal anda comendo aqueles feijões de lata e que são bons, tô pensando em experimentar. O que não achei por aqui foi o nosso delicioso mumu, até peguei umas receitas na net pra fazer, mas só de pensar em encostar a barriga no fogão mexendo uma panela por duas horas, já me contento com um chocolatinho.

E era isso, agora vou ver se ajeito meus aposentos. Começa mais um finde, sair ou estudar, eis a questão. Ou os dois, já que estudar tá no programa de qualquer jeito. Ou comemorar, porque a Karen não estará em casa. Karen é uma infantiloide parva que mora conosco e que conseguiu brigar com todo mundo em dois meses. Detalhe: ela acha que o problema somo nozes. Santa oligofrenia.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Duas aurículas, dois ventrículos e um esqueleto balançante


Well, well... Última postagem em setembro? What a shame... Não é bem que não tenha tempo, apesar de haver muito a estudar. Mas a questão é que o cérebro não aguenta trabalhar em tempo integral, aí eu acabo me distraindo com joguinhos, TV, papos com o pessoal na cozinha. Procrastino como sempre, é da minha personalidade. Mesmo que tivesse apenas uma aula, acho que daria um jeito de ficar na emoção da última hora.

E é por isso que não tinha vindo aqui até agora, mesmo com net em casa há uns bons dias. Muitas vezes estava aqui pra estudar, mas me distraía com outras coisas idiotas, contudo não me animava a escrever porque tinha que estudar. Ô guria enrolada. Mas hoje finalmente resolvi me dar as caras, porque amanhã é feriado, então posso ficar aqui até mais tarde (como se não ficasse todos os dias).

A rotina já está bem estabelecida, tenho aulas todos os dias a partir das 11 ou das 2, planejo sempre acordar cedo pra estudar mas acabo levantando tarde. Aqui a gente fica à beira da autogestão, e não sou muito boa nisso. Às vezes me sinto culpada, aí saio da cama um pouco mais cedo, mas acabo por me demorar demais no banho e dá na mesma. Na primeira temporada de provas, um dia inventei de acordar às 7 pra estudar literatura. Levantei, tomei banho e café, debrucei-me na mesa, olhei pro livro e desabei em cima. Obriguei-me a voltar pra cama e acordar uma hora depois, pra coisa render. E agora que o frio começou, dá pra imaginar a preguiça, né? Esse anda sendo meu segundo pecado capital; o primeiro não deixou de ser a gula, mantida pela barra de chocolate dentro da caixinha que fica em cima da minha estante.

Aos sábados geralmente saio com o Dani, bebemos a já clássica vodka com suco de maçã e groselha do Duplex e dançamos loucamente. Não são raras as vezes em que estamos só nós dois dançando perto do DJ, enquanto uns postes humanos parvos nos contemplam tragando seus cigarros. Descobrimos um lugar legal chamado States, onde tem gente animada, toca um rock foda e a balada termina um pouco mais tarde. Sábado passado fiquei com um português por lá. Pedro, o arquiteto com o sorriso do Chapeleiro Maluco. Era tão bonito que até fiquei triste porque é bem provável que não o veja mais. E quanto mais experimento bocas efêmeras, mais sinto falta de um olhar significativo. Queria um pouco dessas melosices tão humanas que a civilização pós-moderna esconde sob tapetes tecnológicos. Sou uma sentimental verbal colecionando beijos descartáveis de quem nem sequer se lembra do meu nome.